Retail Supernova: a paisagem varejista está se transformando rapidamente

Estudo apresentado na NRF 2022 mostra que a paisagem do varejo vai se modificar por força de mudança de hábitos do consumidor.

Foto: Shutterstock

O varejo físico foi expandido em mil formatos pela convergência de tecnologias, dentro da tendência de aceleração, além de sentir profundamente os efeitos (subestimados) do home office – que levou, também no Brasil, consumidores a adotarem o e-commerce mais intensivamente. Pensando nisso, a WD Partners, questionou milhares de consumidores em todo o mercado americano para que compartilhassem suas novas preferências. Entre os temas questionados estão informações de onde vão comprar, como vão comprar e qual a versão de loja física que é mais atraente para eles. Considerando, é claro, a nova realidade phygital. Na NRF2022, Lee Peterson, vice – presidente executivo de liderança de pensamento da WD Partners, mostrou os resultados e os highlights da pesquisa “Retail Supernova” e recomendou ações estratégicas para os varejistas.

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Novos horizontes para o varejo

O surgimento de uma supernova, uma estrela originada a partir da explosão de uma galáxia, é um movimento que ilustra o que acontece na paisagem varejista, a partir da convergências de disrupções.

Lee Peterson, vice-presidente executivo de liderança de pensamento da WD Partners | Foto: Reprodução NRF 2022

Em 1999, o varejo se assemelhava a uma estrela perfeita, com lojas bem desenhadas atendendo clientes que não pensavam em outra forma de consumo. Mas hoje temos o mobile commerce, o e-commerce, o live commerce, o social commerce, as dark stores, o Direct 2 Consumer, com diferentes componentes e novos formatos de loja, das pop stores até as lojas conceito e flagships.

Mas qual o sentido dessa mudança? E o que isso significou para o varejo como negócio? Segundo Lee Peterson, o método preferido de compras do consumidor americano hoje é o e-commerce. 68% dos clientes preferem essa modalidade e apenas 32% optam por lojas. Ou seja, mais que o dobro dos consumidores preferem a loja virtual à loja física. E isso tudo tem base na seguinte pergunta: por qual razão devemos ir à loja?

Se essa era uma predisposição latente dos clientes, não se sabe com exatidão. Mas, com a pandemia e, por conseguinte, o Home Office, que fez com que as pessoas quisessem ficar em casa TAMBÉM para trabalhar, veio também a desmotivação para que as pessoas fossem às lojas.

A questão é que um grande contingente de trabalhadores de escritórios e de atividades intelectuais vai continuar sendo realizada de dentro das casas das pessoas, mesmo após a pandemia. Ao menos nos mercados maduros. As estimativas do estudo Retail Supernova apontam que 69% dos trabalhadores de funções intelectuais permaneceram em suas casas. O estudo, realizado com uma amostra de 2700 americanos, mostra que a maior parte dos colaboradores de atividades de escritórios não faz a menor questão de voltar à rotina anterior. Querem renunciar ao carro, supostamente ficar perto das crianças, mas, sobretudo, estão se situando em uma zona de conforto perigosa, que afeta todos os negócios físicos.

 

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Ainda de acordo com o estudo, mais de 80% dos trabalhadores adotaram um novo estilo de vida, no qual é possível trabalhar mais de 50% das horas semanais em casa, sem se preocupar com a roupa do trabalho, com as reuniões presenciais, com o trânsito e os horários. Foi revelando ainda que 60% querem continuar trabalhando de casa, 50% da semana e, 40% querem trabalhar cerca de 25% do tempo semanal em casa.

Os impactos dessa ausência de profissionais nos ambientes de trabalho presencial são brutais para o varejo. A pesquisa mostra que 4% não querem nunca mais ir à uma loja, 11% podem preferir shoppings, 16% lojas de ruas em centros comerciais e 37% apenas querem frequentar o varejo de proximidade, em um raio de 5 quilômetros. Logo, como Consumidor Moderno antecipou em 2020, a tendencia do Lobal, a conexão com os valores da comunidade próxima, fazem com que o varejo de vizinhança ganhe enorme importância nesse contexto.

Leia mais: Lobalização x globalização: como as empresas devem agir?

Mas o que os consumidores esperam de seu varejo de vizinhança? Experiência? Não exatamente. Os dados mostram que apenas 16% querem isso. Lojas pop ups, de curta duração? Bom, elas são a preferência de 30%. Showrooms de moda e decoração? 33%. Lojas que tenham serviços de entrega ou serviços a domicílio? 35% de preferência. Dark Stores? 50%. Ou seja, o consumidor está pedindo locais de coleta daquilo que compram online, entrepostos, pontos onde possam ter acesso a produtos em 15 ou 20 minutos. 78% manifestaram interesse por boxes onde possam retirar encomendas. Uma loja local de grande marca é preferida por 52% dos consumidores, mas inferior à loja de marca local, da comunidade, preferida por 57%.

Assim, a reconfiguração do varejo passa pela compreensão da tendência Lobal, onde tudo aquilo que evoca proximidade, identidade e vínculo ganha a preferência e a recorrência do cliente. O Estudo Retal Supernova mostrou que 88% dos consumidores querem comprar mais do varejo local, de produtos e serviços locais que tornem o trabalho em casa mais confortável.

Até que ponto veremos se essa tendência vai ganhar força no Brasil é um mistério. A adoção do home office em nosso país foi pequena, atingindo cerca de 20% da força de trabalho, particularmente nas cidades de SP, RJ e Brasília (estudo realizado pelo IBRE/FGV.CARGOS em 2021). A grande maioria da população ativa de nosso país usa transporte público e nem sonha com a possibilidade de trabalhar em home office. Ainda assim, estamos falando de cerca de 16 milhões de trabalhadores que podem ter essa oportunidade 2 ou 3 vezes por semana. Os impactos nas lojas serão sentidos. Aliás, vale registrar que o faturamento do e-commerce em 2021 foi superior ao dos shoppings (estudo da Canuma Capital mostrou que as vendas on-line superaram R$ 260 bilhões contra os R$ 175 bilhões dos shoppings).

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