Geração Z e metaverso: sua marca está preparada juridicamente para este novo universo?

Na visão de especialista, o Metaverso vai demandar não só produtos novos, mas novas patentes, proteção e regulação; entenda

Foto:Pexels

A geração Z, formada por aqueles nascidos em 1997 e 2012, nasceram diante de uma revolução digital e se expressam constantemente pelas redes sociais. Esta atitude promoveu uma revolução na forma como o mercado deve estar conectado com os desejos destes jovens consumidores.

Empresas devem entender a sua linguagem criativa e ser capazes de fornecer oportunidades de expressão para esse grupo, inclusive no metaverso, um espaço virtual criado a partir de diversas tecnologias e criptomoedas que tem despertado o interesse de marcas e empresas de vários segmentos.

Na avaliação de Fernanda Magalhaes, sócia de Marketing & Entertainment Law do escritório Kasznar Leonardos, patentes e marcas devem estar atentas na construção e iniciativas dentro desse novo universo. “Do ponto de vista de propriedade intelectual, está se criando um mundo paralelo que vamos pertencer e as marcas estarão expostas por interagir com o consumidor e poderão ser vítimas de copias, pirataria”, analisa a davogada.

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Novos produtos, novas patentes

O metaverso vai demandar produtos novos, novas patentes. A Nike é um exemplo de corporação que está ampliando seu portfólio neste novo ambiente virtual. Uma das principais plataformas on-line quando o assunto é interatividade e metaverso é o Roblox, jogo on-line que permite que jogadores criem mundos e experiências virtuais dentro da plataforma de modo interativo. Por isso, o Roblox tem sido uma ferramenta interessante para cocriar com o público.

“Vans World” é o casamento entre Roblox e a empresa de confecções para vestuário e skate Vans. A marca criou seu próprio servidor dentro do game, onde possibilita que os usuários criem seu próprio design de tênis para utilizarem como avatar no jogo, fomentando a autoexpressão dos jogadores e os aproximando da marca. Warner Bros., Hasbro e Gucci são outros cases de grandes marcas que também já realizaram ações na plataforma.

Monetização e direitos autorais: atenção redobrada

Os escritórios de advocacia, de acordo com Fernanda, deverão estar atentos e mais especializados como consultores para todas as demandas de marketing criativo, novas culturas e posturas do consumidor, ampliação da concorrência, aviso de cuidados com compras. “Um tópico que sempre estudo é como ocorrerá a monetização em blockchain no metaverso.  Ainda é algo que está em desenvolvimento e precisa ser aperfeiçoado”, avalia Fernanda.

O direito autoral também vai crescer no metaverso, até mesmo, porque será proporcional ao desenvolvimento deste novo mundo paralelo, segundo a executiva. “Neste ambiente virtual, há direito autorial envolvido. Por exemplo, como as instituições financeiras participarão do Minecraft do ponto de vista de marca, será que há todos os contratos devidamente redigidos, que estarão legalmente preparadas?”, questiona.

Fernanda avalia que o desafio é como pensar nos negócios e promover sinergias com as marcas e influenciadores, garantindo compliance, segurança do branding e patentes, legislação para direitos autoriais. “Quando você for para o metaverso, o que precisa em termos de patente, direito de publicidade? O escritório de advocacia é uma lente. Devemos orientar nossos clientes para que possam trilhar o caminho de forma clara e segura”, comenta. A Kasznar Leonardos tem – em seu portfólio de clientes – cinco agências de influenciadores atualmente.

Regulação e uma nova linguagem jurídica

O relacionamento com o cliente será aprofundado neste universo. Será fundamental ter maior proximidade e ampliação do entendimento do business do cliente. “A atuação do escritório não será direcionada para o linguajar jurídico, mas seremos um orientador e deveremos compreender profundamente como desenvolver projetos e atividades nesta nova dimensão”, analisa Fernanda.

Desta forma, a Kasznar Leonardos trabalha de forma integrada com marketing law e entretenimento, porque compreende que existe uma consolidação e sinergia de diálogo entre estes ambientes. Esta ação garante maior expertise para atendimento de agências de influenciadores e proporciona ampla orientação diante de demandas dos clientes dentro da perspectiva de metaverso.

Outro relevante ponto é que o desenvolvimento de atividades e projetos no metaverso deverá respeitar as legislações, independentemente de barreiras geográficas, e a ambiência regulatória para que se evite pirataria, infrações e impactos na regulamentação de marcas e patentes.

Na opinião de Fernanda, este cenário ainda precisa de maturação. A executiva defende que as leis de um país devem fundamentar a atuação no metaverso daquela região, mesmo que a marca tenha um servidor em outro país. “Poderá existir complexidades para empresas brasileiras, em casos de infração e boas práticas, para que se tenha instrumentos jurídicos necessários alinhados e afinados com potenciais ajustes regulatórios. Há necessidade de um monitoramento para evitar pirataria, por exemplo. Já temos casos de notificações extrajudiciais no mundo real”, comenta.

Pelo nível de aportes no médio prazo, que virou foco de muitas gestoras financeiras e fundos de investimento, o mercado do metaverso crescerá muito com maior engajamento de branding e novas companhias se consolidando nos próximos anos.

“Pensamos que deve ocorrer regulação para este universo online que está sendo criado, especialmente diante da conjuntura de ética corporativa. Neste momento, o cenário ainda está muito verde. Mas há amadurecimento e não está tudo definido, o que é relevante para ser efetivo com criação de melhores práticas, posturas, protocolos”, recomenda Fernanda. A Legislação Brasileira de Privacidade de dados, reconhecida pela sigla LGPD, é um nivelamento de mercado muito relevante, que deverá ser aplicado ao metaverso, acrescenta a executiva.

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