Cresce a adoção de criptomoedas no mundo: conheça as vantagens de seu uso

Moedas digitais ganham fôlego em países em desenvolvimento por serem alternativas mais atrativas para fazer frente à inflação

Foto: Shutterstock

“Maria investiu 100 reais em Bitcoin. O Bitcoin valorizou 800% em um ano. Quantos reais Maria tem agora?”. As sentenças anteriores podem até parecer problema de matemática formulado para as crianças que estão aprendendo porcentagem, mas não são. Representam dados reais do histórico de valorização do Bitcoin, uma das principais criptomoedas existentes.

Famosas pela supervalorização – e também pelas superquedas – os criptoativos representam uma inovação no mercado financeiro e despertam o interesse de investidores, empresários e pessoas comuns, que aceitam as regras desse jogo volátil em busca de uma alternativa para driblar a fragilidade da economia e os efeitos de uma inflação que cresce em ritmo alucinante.

Não à toa, a adoção de criptomoedas vem crescendo em todo o mundo: um relatório recente divulgado pela Chainalysis, empresa de análise de blochchain, revelou que a adoção global de criptomoedas cresceu mais de 880% no último ano – e mais de 2.300% desde o terceiro trimestre de 2019.

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Um panorama geral da adoção de criptomoedas

Quando o assunto é a adoção de criptomoedas, o Brasil ocupa o 14º lugar no ranking, com um índice de 0,16 (que vai de 0 a 1), segundo os dados preliminares do estudo realizado pela Chainalysis, que classifica 154 países.

Em primeiro lugar neste quesito está o Vietnã (1,00), seguido de Índia (0,37) e Paquistão (0,22). Estados Unidos aparecem na 8ª posição (0,22) e China na 13ª (0,16).

O índice da Chainalysis é calculado com base em três métricas que expressam: atividade total com criptomoedas do país, atividade de usuários individuais não profissionais e volume de comércio P2P (peer-to-peer).

“Ao analisar estes dados, é possível extrair algumas informações importantes. Nota-se, por exemplo, que entre os 10 primeiros colocados, apenas um – os Estados Unidos – é considerado um país com economia forte. Todos os demais possuem economias frágeis e moedas locais fracas e que sofrem com uma inflação que cresce em ritmo alucinante ao longo dos anos”, avalia o economista Paulo Aragão, cofundador do CriptoFácil – um dos maiores portais sobre criptoeconomia no Brasil – e host do Bitcast, primeiro podcast brasileiro sobre criptomoedas.

Para o especialista, o crescimento da adoção de criptomoedas por países em desenvolvimento tem relação direta com uma tentativa de driblar a desvalorização das moedas nacionais e da consequente perda de poder aquisitivo. “E é justamente aí que as criptomoedas têm entrado. É comum escutarmos relatos de venezuelanos, por exemplo, que trocam seus bolívares por criptomoedas para fugir da inflação local”, relaciona Paulo Aragão.

Apesar de ser um fator forte, a inflação não é o motivo para o aumento da adoção de criptomoedas. O interesse de empresas e de investidores e a diminuição do preconceito em relação às moedas digitais também colaboram para essa “popularização”.

“Analisando o relatório, podemos notar que cada país tem a sua particularidade: o Brasil, por exemplo, está em 14º lugar se levarmos em conta a adoção, mas se considerarmos o volume de comércio P2P (peer-to-peer, de pessoa para pessoa, em tradução livre), o Brasil se encontra em 3º lugar, só perdendo para a Rússia e para a China. Isto demonstra que, no Brasil, muitas pessoas têm optado pelos criptoativos como forma de investimento. E é natural que isto ocorra cada vez mais, porque esse mercado tem crescido ano após ano e tem se mostrado cada vez mais sólido e robusto”, avalia o cofundador do CriptoFácil.

O crescimento, por sua vez, traz em sua esteira a quebra de preconceitos e o interesse de grandes corporações em criptoativos.

“Começamos a ter no mundo todo – inclusive no Brasil – uma grande aproximação das grandes corporações aos criptoativos. Temos ETFs de cripto atualmente na B3 (bolsa de valores brasileira), fundos regulados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), grandes bancos oferecendo exposição em cripto e etc. Este movimento ajuda as pessoas a confiarem cada vez mais no mercado cripto”, pontua o host do podcast Bitcast.

A presença das criptomoedas na economia, aliás, é tão forte que alguns países, inclusive, já desenvolveram legislação específica para isso, como é o caso de El Salvador, que é considerado o país mais avançado em termos de legislação e consequentemente adoção.

“Recentemente, a assembleia legislativa do país aprovou a Lei Bitcoin, que torna o Bitcoin moeda oficial de El Salvador, junto com o dólar. Mas temos outras nações amigas das criptomoedas, como Malta e Liechtenstein, na Europa, que vêm atraindo centenas de empresas ao redor do mundo, que buscam estar baseadas em uma região com uma legislação amigável que permita inovação tecnológica”, detalha o administrador Felipe Escudero, fundador e CEO do Grupo BitNada, que atua na parte educacional de criptoativos.

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O potencial e a vantagem das criptomoedas

Falar no potencial das criptomoedas para o mercado financeiro não é das tarefas mais fáceis, afinal, o Bitcoin, a primeira critpto do mundo, foi criada em outubro de 2008 – ou seja, tem apenas 13 anos de existência.

“Se fosse para comparar, falaria que estamos em um momento análogo ao início da internet. Atualmente, explicar sobre Bitcoin e blockchain é similar à explicar sobre o que é um e-mail e qual é a revolução que ele representa no final da década de 1980”, compara Paulo Aragão.

Apesar da dificuldade, existem estudos que estimam que, atualmente, há cerca de 135 milhões de pessoas ao redor do mundo que já transacionam ou transacionaram com criptomoedas.

“Isto nos dá uma curva de adoção com uma velocidade muito superior ao do início da internet. Então, podemos esperar grandes coisas desse mercado no longo prazo”, prevê o economista.

Nesse sentido, a descentralização característica da moeda é uma das vantagens mais atrativas para os investidores.
“Não existe um órgão governamental ou banco central para mudar as regras do jogo. Elas estão definidas e pré-sabidas. Acabamos de ver os Estados Unidos imprimirem trilhões de dólares. Qual o efeito de tanta injeção de dinheiro sem lastro para os mercados?”, questiona Felipe Escudero.

Outra vantagem apontada pelo especialista é o uso de tecnologia blockchain como instrumento de dados, que permite o registro público e imutável de informações. “Você pode, por exemplo, facilmente conferir os dados da primeira transação que houve no Bitcoin, em janeiro de 2009 acessando o link: https://blockchair.com/bitcoin/block/0”, exemplifica o administrador.

Neste cenário, dois grupos de investidores se destacam: o composto por investidores de varejo, que mostra interesse em ativos mais voláteis e arriscados; e o formado por investidores institucionais, que, na opinião de Felipe Escudero foi o grupo responsável por elevar o preço da moeda nos últimos meses.

“Dezenas de grandes investidores têm olhado para o Bitcoin como forma de investimento de longo prazo. Um grande exemplo disso é a Tesla, do bilionário Elon Musk, que em janeiro de 2021 anunciou a compra de 1,5 bilhão de dólares em Bitcoin. Outras empresas listadas na bolsa americana também fizeram aportes em Bitcoin: Square – de Jack Dorsey, CEO do Twitter – e MicroStrategy, que possui mais de 5 bilhões de dólares em Bitcoin”, exemplifica.

Outro reflexo do aumento do interesse por parte do mercado financeiro é o crescente número de ETFs (fundos negociados na bolsa) no Brasil e no mundo. “No Brasil, temos ETFs de Bitcoin e Ethereum pelas gestoras Hashdex e QR Capital. E nos EUA, a SEC tem uma lista de mais de 20 ETFs aguardando aprovação. Isso mostra que existe muito interesse institucional no ativo”, avalia o administrador.

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Perfeita, mas não sem defeitos

Nem só de vantagens são feitas as criptomoedas. E a volatilidade dos ativos é um dos principais pontos negativos das moedas digitais.

“O Bitcoin, por exemplo, tem a característica de ter muitos picos de preço durante sua existência. Em 2020 caiu mais de 50% em poucos dias. E, após a queda, teve alta de mais de 1.500% em cerca de 14 meses, saindo de 3.800 dólares em março de 2020 para 64.800 dólares em abril de 2021”, exemplifica o fundador e CEO do Grupo BitNada.

Um dos truques para amenizar essa desvantagem, segundo o especialista, é adotar instrumentos de estabilidade, como a stablecoins – moedas estáveis – que têm como paridade o dólar ou o real e são capazes de reduzir drasticamente a volatilidade do mercado.

Agora, com relação à segurança das informações e dos ativos, Felipe Escudero destaca que não há o que temer e explica que a polêmica, neste quesito, gira muito em torno da má informação.

“Muita gente acusa o Bitcoin de ser um dinheiro que facilita o crime, quando, na realidade, ele atrapalha. E muito! Que tipo de bandido gostaria de ter o rastro do seu crime para todo o sempre cravado na blockchain? Não faz sentido”, reflete ele, recordando que, há alguns meses, uma rede de pedofilia foi desmantelada e centenas de pessoas foram presas porque simplesmente utilizaram Bitcoin. “Então, essa ideia de facilitador de crime não cola mais”, finaliza.

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Crédito, débito ou em criptomoedas

Quem tem mais de 30 anos sabe: não foi exatamente fácil se acostumar com vendedores em lojas e estabelecimentos comerciais perguntando ‘vai pagar no crédito ou no débito’. A pergunta, aliás, virou motivo de piada em um vídeo do Porta dos Fundos, em 2013. Seria, agora, a próxima revolução, a inclusão da possibilidade de pagar as compras com criptomoedas?

Pode ser que sim. Para Felipe Escudero, as empresas que consideram aceitar criptomoedas, especialmente a Bitcoin, como forma de pagamento, tendem a sair na frente das concorrentes e a ganhar mercado,

“Empresas como Visa, Mastercard e PayPal, que são líderes em pagamentos no mundo todo, já estão aceitando Bitcoin e criptomoedas como meio de pagamento. A Amazon está criando uma cédula para pagamentos em criptoativos e está contratando profissionais para esta empreitada. Sem dúvidas, está começando uma corrida para aceitar Bitcoin como alternativa a cartões de crédito, que levam uma boa fatia por esta intermediação”, avalia o fundador e CEO do Grupo BitNada.

A principal vantagem para os negócios, segundo o especialista, é a descentralização característica das criptomoedas. “Quando o Bitcoin foi concebido, a ideia era replicar as características do dinheiro em espécie em um ambiente digital: ser um ativo ao portador, ser uma transação irreversível e não possuir intermediários. Mas quando você tem isso em um ambiente digital, além de você ter uma moeda, você também tem um meio de pagamento. E o Bitcoin é exatamente isso. Optar por comprar e vender com Bitcoin é uma forma de não precisar mais de nenhum intermediário”, considera Felipe Escudero.

Em outras palavras, ao realizar uma venda em criptomoeda, o estabelecimento recebe o pagamento direto do comprador, sem nenhum intermédio – inclusive, dispensando a necessidade de um gateway de pagamento no meio. Além disso, o sistema funciona em escala global, 24 horas apor dia, sete dias na semana.

Leia mais: O “Pix” ao redor do mundo: como o pagamento instantâneo eletrônico funciona em outros países

“As criptomoedas já têm revolucionado o mercado como um todo. Quando o PIX foi anunciado, o próprio Banco Central do Brasil falou que era ‘uma resposta ao Bitcoin’. Então, naturalmente, o mercado financeiro tradicional irá melhorar em alguns pontos para tentar ‘competir’ com as criptos. Mas a principal vantagem das criptomoedas é justamente a descentralização. Nenhum governo pode ampliar a base monetária delas da noite para o dia na base da canetada”, afirma o fundador e CEO do Grupo BitNada.

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5 dicas para quem quer começar a investir em criptomoedas

1 – Cuidado: criptomoedas não são investimentos fixos

Ter em mente que criptomoedas são ativos altamente voláteis – ou seja, que sofrem grande variação de perdas e rendimentos – é o primeiro passo para quem deseja começar a investir.

“Partindo disso, não confunda empresas que oferecem “rendimentos fixos mensais” com investimento em criptomoedas. Criptomoedas são ativos voláteis, então se alguém ofertar “rendimentos fixos” mensais de forma garantida, muito cuidado”, alerta Paulo Aragão.

2 – Comece pelo Bitcoin

Escolher o Bitcoin como a primeira moeda para fazer parte de uma carteira de investimentos em criptos é a alternativa “mais segura” na opinião do cofundador do CriptoFácil.

“Eu sempre aconselho a começar pelo Bitcoin. Fazendo uma analogia ao mercado financeiro tradicional, o Bitcoin seria a principal Blue Chip. Então, é sempre uma boa opção para começar a se expor em cripto”, aconselha.

3 – Considere investir em ETFs

Entender o ‘funcionamento’ das criptomoedas realmente não é das tarefas mais simples. Isso porque, além do fator financeiro – que envolve operações de compra, venda, impostos e escolha de corretora -, existe a questão da tecnologia.

“Caso você já seja um investidor do mercado financeiro tradicional e, apesar de querer se expor aos criptoativos, não deseja aprender a fazer tudo sozinho, atualmente temos opções de fundos de investimento e ETFs (Exchange-traded fund, fundos de índice, em tradução livre), que reúnem diversas criptomoedas. Então basta você procurar por estas opções na sua corretora tradicional”, orienta o host do Bitcast.

4 – Estude e tenha cautela

Caso você opte por investir por conta própria, estudar e ter bastante cautela é a principal recomendação do economista Paulo Aragão.

“Pesquise na internet e em sites especializados sobre a exchange/corretora que irá utilizar para a compra, avalie bem qual criptoativo irá comprar e tenha calma”, pondera.

5 – Não aposte todas as suas fichas

Uma das principais regras do mundo dos investimentos também se aplica às criptomoedas: não aposte todas as suas fichas em um único ativo.

“Os criptoativos ainda são bastante voláteis, portanto, sempre falamos para as pessoas que estão entrando agora terem calma e não alocarem uma grande parcela do seu capital. Vá entrando aos poucos até ter uma maior segurança”, reforça Paulo Aragão.

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