Empreendedorismo materno: negócio de mãe empreendedora cresce em ritmo acelerado

Após ter filho, Roberta Pitta Machado identificou uma oportunidade de negócio que transformou sua carreira e vida

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Pare e olhe ao seu redor: você conhece alguma mãe empreendedora? Sim, vale contar as que você não conhece pessoalmente, mas sabe do trabalho porque já viu no Instagram ou em algum e-commerce, por exemplo. Certamente, sua resposta será afirmativa, afinal, o empreendedorismo materno é a alternativa mais viável – ou mesmo a única alternativa – para mulheres que querem se manter inseridas no mercado de trabalho após a chegada de um filho.

Os motivos para começar um negócio próprio, aliás, são diversos e vão desde a realização de um sonho – que é impulsionado pela chegada de um bebê – até a necessidade de viabilizar uma nova carreira após a demissão, que veio seguida da licença maternidade.

O caso de Roberta Pitta Machado, fundadora e sócia da Casulo de Anjo, felizmente, tem relação com o primeiro motivo. A maternidade trouxe a ela novos olhares e a oportunidade de identificar no mercado um nicho com potencial para ser explorado: o de sacos de dormir para crianças.

empreendedorismo materno

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O negócio deu tão certo que, em 2020, em plena pandemia, sua empresa cresceu 300% e agora ela se prepara para investir em uma plataforma de e-commerce mais robusta, novos produtos e na primeira loja física.

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Empreendedorismo materno: uma opção ou a falta dela

O objetivo desta matéria é contar a história de sucesso de Roberta Pitta Machado, fundadora da Casulo de Anjo. Mas não poderíamos, é claro, deixar de falar que empreendedorismo materno não é o conto de fadas que muita gente acredita ser. Roberta Pitta Machado, aliás, é prova disso.

Circula pela internet um meme que diz “O Brasil me obriga a beber”. No caso das mães, esse meme poderia ser facilmente adaptado por: “A maternidade me obriga a empreender”.

É que nenhuma mulher passa ilesa pela maternidade. Em todos os sentidos. Além das transformações decorrentes do puerpério e da responsabilidade de se criar uma criança – fornecendo um ambiente ideal para garantir seu desenvolvimento e segurança – a maternidade provoca mudanças profundas em outros aspectos da vida da mulher. A carreira, certamente, é uma das mais afetadas.

Falta de pertencimento ao retornar ao trabalho após a licença maternidade, necessidade de flexibilidade de horários para acompanhar mais de perto o crescimento do bebê ou vontade de fazer algo diferente: essas são algumas das questões que envolvem a vida profissional de uma mulher após a maternidade.

Isso sem falar naquelas que – mesmo satisfeitas com seu emprego e dispostas a seguir o caminho profissional que vinham trilhando – são dispensadas pela empresa. Esses casos, aliás, são bastantes numerosos: segundo pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), após 24 meses, quase metade das mulheres que tiram licença-maternidade são demitidas – a maioria delas, inclusive, sem justa causa.

É neste contexto que o empreendedorismo materno ganha força: para algumas mulheres, a chegada de um filho é o combustível que faltava para a realização de um sonho; para outras, a motivação para seguir remando, mesmo contra a maré.

Desafio 1: ser mãe & profissional & empreendedora & CEO da própria vida

Na história de Roberta Pitta Machado, fundadora e sócia da Casulo de Anjo, marca que fabrica sacos de dormir para bebês e crianças até 8 anos de idade, o empreendedorismo materno felizmente tem relação com a realização de um sonho.

“A empresa foi inspirada pelo nascimento do meu filho Miguel, em 2014. Logo na nossa primeira consulta com o pediatra, eu e meu marido fomos alertados sobre os riscos de morte súbita infantil por sufocamento ao utilizar mantas e cobertores durante o sono do bebê. Ficamos tão assustados com aquela informação que desde então passamos a não o cobrir durante o sono. Quando o inverno chegou, fui buscar soluções que pudessem aquecer e assegurar o meu bebê e conheci os sacos de dormir, bastante comuns no exterior. Desde então nossas noites passaram a ser muito mais tranquilas, Miguel passou a dormir melhor e nós, consequentemente também. Foi justamente essa satisfação com o produto que me despertou para uma oportunidade de negócio inovador no Brasil”, conta a empreendedora.

Ainda durante a licença maternidade, Roberta Pitta Machado foi idealizando o negócio. Em dezembro de 2015, decidiu pedir demissão da agência onde trabalhava como relações públicas para se dedicar exclusivamente a Casulo de Anjo, que nasceu em meados de julho de 2016.

Apesar de, neste caso, o empreendedorismo materno ter partido de uma vontade pessoal e não ter sido motivado por demissão, a vontade de estar mais próxima do filho e de poder acompanhar seu crescimento de perto impulsionaram a decisão.

“Empreender favorece que eu possa ter horários mais flexíveis, e até de passar mais tempo de qualidade quando estamos juntos em família. No entanto, é muito importante pontuar que, no geral, empreender demanda que você trabalhe mais horas por dia do que se estivesse trabalhando para a empresa de alguém, e com responsabilidades muito maiores”, destaca.

A decisão, aliás, exigiu de Roberta Pitta Machado outros sacrifícios. Para economizar e ter tempo e dinheiro para começar a empresa, a empreendedora morou durante um ano na casa dos pais, junto do filho e do marido, e utilizou todo dinheiro do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

“Não foi nada fácil! Comecei cortando os primeiros tecidos no quintal da casa da minha mãe com ajuda de um parceiro, o Tiago, que trabalha conosco até hoje e que é meu sócio em outro negócio. Foi ele meu primeiro contato com o ramo da confecção, que me ensinou muito, pois até o momento eu não tinha nenhum conhecimento”, relembra.

Desafio 2: educar o mercado

Já dizia o tio do Homem-Aranha: grandes poderes trazem grandes responsabilidades. Está bem, no caso do empreendedorismo, talvez seja melhor adaptar um pouco essa frase: grandes oportunidades trazem grandes desafios. E é isso que Roberta Pitta Machado sentiu na pele quando disponibilizou para venda os primeiros sacos de dormir para crianças.

“Foi bastante desafiador, a maioria das pessoas nunca tinha visto esse tipo de produto, não entendia tamanho, modelagem… Mas depois que os filhos vestiam, amavam!”, explica ela, que ‘importou’ o modelo de fora do País.
Para driblar o problema, a Casulo de Anjo apostou no marketing de influência como alternativa para dar visibilidade ao negócio e conquistar outras mães e também em canais de venda e marketplaces.

“O trabalho junto às influenciadoras nos ajudou muito com a visibilidade do negócio, pois as mães compram por recomendação de outras mães. Utilizamos também como canal de venda e divulgação os marketplaces. Além disso, participamos de feiras e eventos focados no universo materno e infantil.

Desafio 3: nadar, nadar e não morrer na praia

Apesar de ser grande o número de mães que se arriscam a empreender, o número de micro e pequenas empresas que ‘fecham as portas’ antes de completar um ano de existência é alarmante e chega a 80%, segundo dados do Sebrae. Nadar, nadar e não morrer na praia, portanto, é mais um dos desafios que fazem parte do empreendedorismo materno.

“Minha família tem comércio desde sempre, mas a verdade é que você nunca está 100% preparado para a sua empresa até de fato começar. O caminho de cada negócio é muito único, não tem fórmula. É preciso colocar as ideias e projetos em prática, testar, errar, aprender e corrigir. É preciso muita resiliência também, acreditar no que faz e porque está fazendo aquilo”, avalia Roberta Pitta Machado.

Nesse sentido, buscar atualização e mesmo fazer parte de um ecossistema capaz de ajudar em sua sobrevivência no mercado é uma das principais estratégias para alcançar o sucesso.

“Em 2018 eu passei por um processo de aceleração de negócios da B2Mamy, que conecta mães ao ecossistema de inovação e tecnologia, e foi realmente importante para me conectar com outras mulheres e mães e tracionar o meu negócio”, explica.

O resultado apareceu em 2020, quando em plena pandemia a Casulo de Anjo teve as vendas catapultadas e o faturamento esperado para o ano superou as expectativas em 300%.

Com fôlego extra, a marca fundada por Roberta Pitta Machado agora mira em ampliar a estrutura digital, com novas linhas de produtos e no investimento da primeira loja física para manter o ritmo.

“Começamos este ano a trabalhar com atacado e pretendemos expandir o B2B em 2022. Vamos lançar agora em outubro nossa linha nova de produtos para compor o enxoval do bebê, além de uma linha-moda praia baby e infantil. Eu e minha família somos loucos por praia e queremos trazer o conforto e qualidade da Casulo de Anjo também para a hora de brincar”, revela.

Mas não se engane: mesmo com o sucesso, o trabalho duro sempre esteve como pano de fundo na busca por negociar com fornecedores, antecipar compra de matérias-primas, contratar costureiras e garantir que o estoque se mantivesse para atender às demandas.

“O lucro de 2020 foi direcionado exclusivamente para o crescimento da empresa. Estamos migrando o e-commerce para uma nova plataforma, mais robusta e inteligente, ampliando a nossa linha de produtos, principalmente para cobrir os meses de baixa sazonal, e mais recentemente investindo num estudo para a abertura da nossa primeira loja física”, explica a empreendedora.

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