A importância da simbologia: conheça os gestos que mobilizam multidões

Entenda como a imagem de um gesto pode ser poderosa aliada de conexão com os consumidores

Eminem ajoelha em protesto a luta antirracista. Foto: Super Bowl 2022

Além dos shows, jogo e festividades, houve um gesto do Super Bowl 2022 que chamou a atenção de parte dos espectadores do evento. A ação foi do rapper Eminem: ao final de sua apresentação, o cantor se ajoelhou em silêncio, mesmo após chefões da liga terem recusado o posicionamento. O gesto, carregado de simbologia, vem em referência ao quarterback Colin Kaepernick, que, em 2016, passou a se ajoelhar ao longo do hino nacional dos Estados Unidos como forma de protesto contra a violência racial do país.

Quando se fala na criação e perpetuação de um negócio, muitos especialistas ressaltam a experiência do cliente, o atendimento, a infraestrutura como um todo, o posicionamento da marca. E, de fato, todos esses conceitos (e tantos outros) são fundamentais para que qualquer empreendimento funcione. Mas à primeira vista, tal qual o comprovam as leis da física, o primeiro sinal de captação é a luz, a mais rápida. Ou seja, como diz o ditado, “uma imagem vale mais que mil palavras” — e uma boa construção de imagem e mensagem é sempre o primeiro ponto de contato com o consumidor.

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É por esse motivo que multidões podem ser acionadas, muitas vezes, por símbolos simples, mas com significados fortíssimos. Ao longo da história, eles foram moldando gerações e criando uma comunicação muito clara e objetiva, algo que as empresas precisaram entender para criar uma conexão honesta e verdadeira com os consumidores.

Para entender alguns dos novos gestos e símbolos da atualidade, a redação da Consumidor Moderno traz alguns exemplos que estão marcando a história. Confira:

A “dança de guerra” e a simbologia dos jogadores de rúgbi neozelandeses

Uma maneira de preservar as raízes e, em conjunto a isso, trazer um imenso significado pode ser visto na famosa “dança de guerra” dos jogadores de rúgbi da Nova Zelândia. Ao começo de todo jogo, os neozelandeses fazem uma série de caretas, gritos e tapas no corpo. Diferente do que aparenta, a dança não é apenas um momento de distração antes do jogo, mas sim uma dança tradicional do povo maori, nativo neozelandês, a Haka.

Há mais de 100 anos, esse tipo de dança está no rúgbi e marca a tradição dos jogadores com seus povos nativos. Antigamente, era usada para preparar os guerreiros antes das batalhas e também para desafiar possíveis oponentes. Ela representa a união da tribo, a demonstração do orgulho e, ainda hoje, marca os jogadores para clamar pela força e identidade.

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Iza e a representatividade do feminismo negro

simbologia

Foto: Fábio Titio (G1)

Outro gesto para lá de forte, que inclusive se tornou símbolo da luta da mulher preta, é o punho negro fechado e para cima — que também é visto em uma série protestos há anos. Parece inocente, mas esse gesto, quando incorporado por uma mulher negra, traz uma nova camada de significado.

Um exemplo pode ser visto com a cantora Iza, que já incorporou o gesto em inúmeras apresentações. Com ela, o significado fica ainda mais forte, posto que a artista além de mulher preta também veio de periferia e aborda a luta feminista racial em grande parte de suas músicas.

Além da Iza, outras artistas também posam com o bíceps exposto — outro claro símbolo do feminismo, baseado na pintura criada durante a Segunda Guerra Mundial, que traz uma mulher e um balão de fala com “We can do It” (Nós conseguimos).

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Pantera Negra e os braços cruzados sobre o peito

Ainda que o gesto do super-herói da Marvel esteja relacionado aos filmes e a uma simbologia de pertencimento a um lugar específico — no caso, pertencimento à Wakanda —, essa atitude também ficou muito famosa para representar a força dos povos africanos e das pessoas pretas.

De acordo com o diretor do primeiro filme de Pantera Negra, Ryan Coogler, a simbologia dos braços cruzados sobre o peito não veio apenas da imaginação. O movimento, conta ele em entrevista, foi inspirado na forma como os faraós eram enterrados, da mesma forma como eram feitas as esculturas africanas. Além disso, o símbolo significa abraço na linguagem de sinais americana, o que explora ainda mais esse sentimento de pertencer a um lugar e uma cultura.

O símbolo ficou ainda mais recorrente após a morte do ator Chadwick Boseman, que interpreta o protagonista do filme. Além de trazer uma imensa representatividade para a forma como a população negra é exposta no filme, que é composto por 90% de atores pretos, esse símbolo também é refletido como cultural.


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