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Sustentabilidade: por que ainda é difícil ganhar escala no mercado?

A busca por materiais ecologicamente corretos tem um enorme potencial de mercado, mas seus desafios também são grandes. Entenda como marcas estão buscando alternativas e fôlego financeiro para isso

Foto: Pexels

A lista de marcas que experimentam novos materiais sustentáveis continua crescendo, e o desafio de ganhar escala também. Adequação de equipes aos novos processos fabris, aquisição de maquinários e novas tecnologias para uma nova infraestrutura de produção e, sobretudo, o desafio de atingir um público consumidor mais amplo, tem sido os principais desafios.

Consumidores estão sedentos por produtos em sintonia com este novo momento no qual seus valores se alinham com marcas orientadas por uma pegada sustentável. Grandes marcas já apostam nesse cliente, mas, ainda de forma segmentada. A Adidas, por exemplo, redesenhou uma linha clássica de seus tênis com couro à base de cogumelo. A Lululemon usou o mesmo material para fazer tapetes de yoga. A Vegea, uma companhia italiana, utilizou um couro à base de uva, a partir de substratos de vinho, para criar uma linha de sapatos e bolsas. Algumas marcas já experimentam a Pinatex, um tipo de couro feito a partir de resíduos da indústria do abacaxi.

Exemplo brasileiro

No Brasil, a Narooma, e-commerce de roupas sustentáveis, comercializa uma linha de peças feitas com fibra de banana. A produção é 100% brasileira, e segundo a empresa, o objetivo é produzir roupas com menor impacto ambiental. Camisetas básicas, com tingimento natural, tem um valor supercompetitivo e 1% tem toda a venda da marca é revertida para a ONG SOS Amazônia. A marca só utiliza tecidos com certificações e processos comprovados em sustentabilidade e sua fabricação é zero descarte. Suas sobras são desfibradas e transformadas em tecidos novamente.

São muitos exemplos de marcas que buscam uma pegada sustentável e um novo modelo de encarar seus negócios. No entanto, alternativas sustentáveis ou livres de animais têm sido lançados em pequena escala, produtos conceito ou coleções exclusivas. Ou como o caso da Narooma, que já nasce como pegada sustentável e investe nesse modelo desde o início. Mas o que seria necessário para que alternativas ao modelo tradicional de utilização de matéria-prima ganhe escala e maior participação da indústria e de empresas?

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Repensar um ecossistema

Para especialistas, o primeiro passo é entender repensar o ecossistema. Perceber que os fabricantes de tecidos e matérias sustentáveis precisam trabalhar em estreita colaboração com as marcas e recriar toda sua produção. Uma empresa que está desenvolvendo um novo material precisa entender tanto as predileções de seus clientes, como de que forma este novo material escolhido se encaixará em todo o seu processo de produção. Ou seja, em que estágio de produção determinado material saíra do processo artesanal e irá para uma fábrica? Os profissionais da linha de produção sabem mesmo como usá-lo? Quais maquinários são indicados para esse novo modelo de produção?

A Colgate, após 149 anos, de produção decidiu que os seus tubos de pasta Colgate seriam recicláveis. Um bom exemplo de que, sim, é possível mudar sua cadeia de produção. Basta investimento e vontade. É claro, que levar em consideração que alguns produtos podem ser mais desafiadores para serem produzidos é um dado a ser considerado. A equipe da Colgate passou mais de cinco anos redesenhando os tubos de pasta da marca para que chegassem ao resultado. Um aspecto importante  já que uma vez que um novo material atenda aos requisitos de qualidade e produção de uma marca, a empresa tem que trabalhar nos detalhes técnicos de como produzir isso em larga escala.

Financiamento como apoio

Um ponto fundamental para esse desenvolvimento é o financiamento. Algumas empresas de moda estão investindo diretamente. A Adidas, por exemplo, comprou mais de US$ 3 milhões em ações da Spinnova, empresa que transforma resíduos de madeira e roupas em novos tecidos. A Allbirds, marca norteamericana de calçados, investiu US$ 2 milhões em “soldagem de fibra natural”, uma startup que fabrica couro à base de plantas sem colas sintéticas.
Este passo é fundamental para o tão almejado aumento de escala e ampliação de mercado. Um bom exemplo vem da MycoWorks, uma startup de biomateriais sediadas na California, que fabrica couro a partir do micélio, a porção vegetativa de um fungo, recentemente arrecadou US$ 125 milhões para construir sua primeira instalação de produção em massa.

Nesse ponto, vale ressaltar a importância de empresas com valor em ESG (sigla em inglês para Environmental, Social and Governance ”, ou Ambiental, Social e Governança, em português). Do ponto de vista de mercado, o compromisso ESG não é apenas por sustentabilidade, é uma questão de conformidade e impacto social. Este termo está se tornando um poderoso indicador de como um negócio vê seu papel na sociedade, seu compromisso e seu propósito. Como resultado, o mercado vê cada vez mais investidores olhando para como as empresas gerenciam seus assuntos fiscais por meio de um  indicador de agenda ESG.

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Biotecnologia em crescimento

A biotecnologia também está avançando nessa busca por materiais sustentáveis. A startup carioca de biotecnologia Biotecam, por exemplo, investiu na criação do biotecido Texticel. São microrganismos cultivados capazes de tramar o tecido. Segunda a empresa, o resultado é um material ecológico, semelhante ao couro, biodegradável e compostável. O biotecido está disponível nas dimensões de 50cm x 30cm.

Biotecidos que simulam couro são pesquisados desde a década de 2000. Uma das pioneiras nesse trabalho é a designer de moda londrina Suzanne Lee. A designer esteve à frente do projeto de pesquisa chamado BioCouture, financiado pelo Conselho de Pesquisa em Artes e Humanidades, do Reino Unido. Lee e outros cientistas dos setores de biotecnologia e nanotecnologia trabalhara para desenvolver tecidos com a celulose bacteriana. No entanto, trata-se de um produto de nicho, já que a indústria têxtil demanda produção de altos volumes. E até o momento, os biotecidos estão sendo aplicados em acessórios e na produção de pequenas linhas de roupas.

Sem dúvida, a busca por materiais ecologicamente corretos tem um enorme potencial para um mercado e um comportamento de consumo interessado no cuidado com o meio ambiente. Se no futuro mais empresas poderão substituir couro e outros materiais convencionais por materiais sustentáveis, ainda é cedo para uma avaliação mais precisa. Como vimos, isso envolve diversos fatores. Desde fôlego financeiro até cultura empresarial. A certeza que temos é que essa premissa está em curso, e no futuro, o consumo e a experiência com marcas e produtos sustentáveis será um atestado de que aquela marca foi parte da construção e manutenção de toda uma cadeia de consumo sustentável e inteligente.

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