Gestão do futuro: qual é o papel dos gerentes no ambiente de trabalho pós-Covid?

Com a preferência dos colaboradores e empresários pelo trabalho no formato híbrido, a pauta sobre a gestão do futuro vem à tona e levanta debates sobre humanização no mundo corporativo

Foto: Shutterstock

Com a pandemia e o isolamento social, o trabalho híbrido ganhou ainda mais espaço e muitas empresas pretendem levar o novo formato adiante. De acordo com um estudo realizado pela consultoria estratégica em capital humano, Odgers Berndtson, mesmo no pós-Covid, 65,1% dos líderes de gestão brasileiros afirmam que continuarão intercalando os trabalhos presenciais com o estilo home office.

E parece que a novidade vem animando os colaboradores, já que mais de 40% dos trabalhadores preferem este modelo de trabalho, conforme mostra uma pesquisa feita pelo site Vagas.com em 2021. Ainda de acordo com este levantamento, 31% dos entrevistados optaram pelo serviço híbrido por conta da interação com os outros colaboradores, enquanto que 16,8% optaram por causa da flexibilidade para adequar às atividades domésticas e as empresariais.

O fim da locomoção diária foi apontado por 14% dos trabalhadores adeptos ao modelo híbrido, enquanto que 8,8% atribuíram a preferência ao ganho de tempo para cuidar da vida pessoal. O aumento da concentração e o tempo ganho para cuidar de filhos ocuparam as últimas posições, com 7 e 5,5%, respectivamente.

Agora, com este novo formato enraizado na cultura organizacional, como deve ficar o papel dos gerentes neste novo ambiente de trabalho? Como será a gestão do futuro? Para responder estas perguntas, Consumidor Moderno conversou com alguns especialistas da área e ficou por dentro das principais tendências sobre as lideranças contemporâneas.

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Humanização é a palavra-chave para se tornar um bom gestor

Para a people sênior na Pipo Saúde e fundadora do RH de Bolso, Jessica Pastorello, mais do que orientar e acompanhar os profissionais ao longo da rotina diária, o gerente ou líder de uma empresa deve gerir pessoas e, portanto, necessita elaborar estratégias para a promoção de um ambiente de aprendizagem amistoso e pacífico.

“Os líderes precisam buscar caminhos para se reinventar cada dia mais. Precisam saber trabalhar o desenvolvimento profissional do time, questões pessoais e particulares de cada colaborador, e também o fluxo de trabalho como um todo”, inicia Jessica Pastorello, que continua: “tenho visto pessoas desenvolvendo burnout devido à alta demanda de trabalho e carga horária. O cargo de gerente é fundamental para o processo de evolução da equipe e para o retorno financeiro da empresa; sem a posição de liderança muitas questões mencionadas acima,
ficariam escassas”, complementa a fundadora do RH de Bolso.

Leia mais: Home office e burnout: como identificar crises e obter qualidade de vida

Jorge Nahas, CEO do O Melhor da Vida, endossa a mesma linha de raciocínio ao atribuir ao gestor do futuro um lado mais humano: “o gerente do futuro precisa se preocupar com os aspectos físicos, mentais e espirituais do colaborador, já que tais elementos influenciam em sua performance e nos resultados gerais. Logo, o líder não é mais aquele que cobra, mas sim aquele que auxilia a equipe para alcançar um crescimento contínuo”, afirma o empreendedor.

Este novo perfil de gestor, entretanto, desperta a atenção para um outro modelo de gestão: o de microgerenciamento. Frequentemente utilizado por muitos líderes, este termo diz respeito a um modo de trabalho onde o gerente exerce um controle exagerado sobre as atividades dos colaboradores, impedindo que estes tomam qualquer tipo de decisão, desde as mínimas até as mais importantes.

Tal prática, inclusive, contraria a noção de gestão do futuro, já que atrapalha a relação de confiança entre os membros da equipe, prejudica o rendimento dos colaboradores, impede a liberdade criativa da equipe e aumenta a rotatividade de funcionários.

Boa comunicação entre a equipe é fundamental

Para evitar esses problemas e melhorar a relação entre os funcionários e o gestor, Jessica Pastorello afirma que a comunicação é capaz de reduzir os conflitos e a cobrança excessiva, otimizando assim a rotina de trabalho.

“Pode-se realizar reuniões semanais com o time e 1:1 (One-on-One) com cada colaborador, feitos semanalmente. O 1:1 traz diversos benefícios para o time, como esclarecimento de ruídos na comunicação; maior engajamento do time, melhora na entrega de resultados. Sem contar que o gestor pode ficar mais próximo de cada pessoa, entendendo as “dores” do momento e se tornando um facilitador para o time”, explica a profissional.

“Na Pipo Saúde por exemplo, focamos em produtividade e gestão de tempo, que é algo bastante relevante dentre as competências de um líder. Um exemplo disso é a revisão de rituais de reuniões com o(s) time(s), as quais por muitas vezes acontecem por já estarem agendadas num fluxo recorrente e não porque realmente são necessárias.
É importante revisar, se questionar e reavaliar se estamos usando o tempo da melhor forma, de acordo com os objetivos e metas do trimestre e da empresa”, finaliza a people sênior na Pipo Saúde.

Leia mais: Produtividade no home office: aplicativos prometem alavancar rendimento

E você, já ouviu falar em gestão do futuro? O termo está em alta no mundo corporativo e vem causando mudanças no comportamento de muitas empresas nacionais e estrangeiras. Para ficar de olho em tudo o que acontece no universo empresarial, continue acompanhando nossos artigos e nossas redes sociais! Você também pode saber um pouco mais sobre gestão clicando aqui!

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