O que falta para alcançarmos a equidade de gênero no mundo dos negócios?

Perguntamos a cinco mulheres (executivas e empreendedoras) qual a sua percepção sobre a equidade de gênero no mundo corporativo. Confira!

Foto: Pexels

Você acha que a representatividade feminina vem crescendo no mundo dos negócios? De acordo com o Relatório Global de Gênero do Fórum Econômico Mundial, divulgado em 2021, a curto prazo, a equiparação de mulheres ao número de homens nos cargos de chefia ainda está longe de ser alcançada. De acordo com o levantamento, a perspectiva para o fim da disparidade entre mulheres e homens na chefia das companhias na América Latina e no Caribe, tem como cenário base apenas o ano de 2091.

Sobre um outro estudo, da Korn Ferry (The real gap: fixing the gender pay divide), o nível de desigualdade salarial entre homens e mulheres é em média 20% (comparando no geral homens X mulheres). Os dados foram levantados entre mais de 20 milhões de salários em 25.000 organizações em 100 países. O estudo aponta que a real diferença quando se compara posições similares na mesma empresa é ínfima (2,7% na França; 1,4% na Austrália e 0,8% na Grã-Bretanha). Agora, quando a comparação é feita no geral (homens X mulheres), estes índices disparam (28,6% na Grã-Bretanha, 23,7% na Austrália e 17 % na França).

Foi justamente sobre o tema equidade de gênero no mundo corporativo, que conversamos com mulheres brasileiras de diversas áreas e fizemos a seguinte pergunta: Ainda que mais capacitadas, em todo o País e independente da categoria da empresa, as mulheres ainda são minoria em cargos superiores. Como você percebe a equidade de gênero no mundo corporativo? Entenda a visão de cada uma delas para avançarmos nessa questão:

Ambiente e políticas igualitárias agregam valor à empresa

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Foto: Tati Gracia, diretora de Excelência de Marketing na Mondelēz Brasil

  • Tati Gracia, diretora de Excelência de Marketing na Mondelēz Brasil

“O primeiro passo para mudarmos essa realidade é reconhecer o problema e acredito que, cada vez mais, o mundo corporativo tem percebido isso e buscado formas para reverter essas diferenças e minimizar os impactos na sociedade. Já está mais do que claro que um ambiente com políticas igualitárias, onde pessoas consigam se sentir respeitadas, não apenas agrega valor à empresa como, também, gera um ambiente muito mais produtivo. Por isso, mais do que nunca, é de extrema importância trabalhar as relações de gênero dentro do ambiente corporativo e nas políticas públicas. Na Mondelēz International, desde 2012, há um programa de aceleração e mentorias feminina com objetivo de garantir equidade de gênero. Ao longo desses 10 anos, tivemos muitos avanços como a equidade salarial, licença maternidade estendida, incluindo casais homoafetivos, banco de talentos exclusivo para Mulheres, políticas de acolhimento entre outros. Além disso, no último ano, nos tornamos Signatária do WEPs, iniciativa da ONU em prol da equidade de gênero. Todos esses esforços nos fizeram alcançar o número de 47% de participação de mulheres em cargos de liderança. Entretanto, queremos ir ainda mais longe e, até 2024, queremos atingir 50%, dando foco em três principais áreas: vendas, engenharia e finanças. Esses são setores onde há a menor presença feminina e vamos mudar essa realidade. Se temos a meta de ter 50% das mulheres na liderança, precisamos garantir que a presença delas esteja em todas as áreas da companhia. É um longo caminho, mas, se olharmos para trás, já conseguimos comemorar diversas conquistas. Isso mostra que estamos no caminho certo.”

Leia mais: Mulheres na liderança: o longo caminho do gênero mais eficiente em startups 

Ninguém disse que seria fácil, mas impossível também não é

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Foto: Marina Pechlivanis, Fundadora da Umbigo do Mundo

  • Marina Pechlivanis, Fundadora da Umbigo do Mundo e especialista em gift economy e gestão do encantamento

Uma coisa é o que se fala, outra o que se faz. O mundo corporativo é repleto de boas intenções protocolares, de campanhas lindas na mídia e na imprensa com falas estratégicas bem colocadas para gerar posicionamentos fortalecedores de awareness, da comunicação interna (RH inclusivo) ao metaverso. Mas existe uma cultura velada, mais que ultrapassada, que preserva hábitos e costumes sociais não mais aceitos, porém ainda praticados. Na verdade, ‘somos todos iguais, porém uns são mais iguais que os outros’! E essa questão transpõe as barreiras dos negócios por ser algo mais profundo, relacional, estrutural — as relações de troca nas corporações são retratos das relações de troca na sociedade como um todo. Dá para mudar? Ah, dá. Ninguém disse que seria fácil, mas impossível também não é; várias lideranças femininas estão mostrando a que vieram, especialmente para mostrar o que a genética e a alma femininas podem fazer de melhor: integrar, ao invés de segregar!”.

Ainda há muito trabalho pela frente

Mulheres

Foto: Roberta Godoi, vice-presidente de Soluções Energéticas da Energisa

  • Roberta Godoi – Vice-presidente de Soluções Energéticas da Energisa

“O Brasil é um país que nos desafia em vários sentidos e não seria diferente no aspecto da equidade de gênero no mundo corporativo. Estou no mercado de trabalho há 30 anos. Reconheço que nesse período houve evolução significativa nesse tema. Nas organizações que trabalhei, com as quais interagi e observando o mercado como um todo, ano pós ano vi muitas mulheres serem reconhecidas e ascenderem a posições de liderança em cargos superiores. Vi também a diversidade ganhar força não só em cargos de liderança ou cargos superiores, mas também no acesso da mulher a funções antes vistas como masculinas. Enxergo que houve ganho e estamos no caminho certo, no entanto essa realidade não é uma verdade em todas as regiões do nosso país. O que vemos nos grandes centros não é a realidade nos rincões do Brasil. Ainda há muito trabalho pela frente. Mas acredito muito no poder das políticas, nos movimentos e ações que as empresas incorporaram, na força do ESG, na atuação de líderes mulheres inspirando, servindo como exemplo, transformando para irmos além”.

Leia mais: Os impactos do ESG no e-commerce 

Em um prazo de 10 anos a realidade não será mais essa

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Foto: Maria Fernanda Bastos, CEO da Redinha

  • Maria Fernanda Bastos, CEO da Redinha, negócio de impacto que transforma redes de pesca que seriam descartadas, em bolsas

“Tenho um negócio de impacto, onde todas as colaboradoras são mulheres. Talvez esse seja o melhor caminho para a equidade de gênero: ter mais mulheres donas do seu negócio. Estudos apontam que cerca de 73% dos empreendimentos liderados por mulheres no Brasil, são majoritariamente femininos. O meu negócio está entre esses 73%. Em contrapartida, na engenharia, onde atuo também fazendo projetos de saneamento há mais de 10 anos, é normal participar de reuniões onde a predominância é masculina, muitas vezes fui a única mulher da sala. Nesse meio, os engenheiros mais velhos e experientes, tendem a ser homens. Muitos deles pesam mais a opinião dos homens do que das mulheres. No entanto, em um prazo de 10 anos a realidade não será mais essa, pois esses homens muito provavelmente não estarão mais trabalhando E dentro das faculdades, por sua vez, já há uma presença forte de mulheres na última década, que estão sendo absorvidas no mercado de trabalho”.

Disparidades precisam ser reduzidas

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Foto: Evelyn Rozenbaum, CEO da Usina de Pesquisa.

Evelyn Rozenbaum, psicóloga, pesquisadora, consultora e professora de MBA de inteligência de consumo e marketing e CEO da Usina de Pesquisa – “Desde pequenos, somos direcionados por rotas que nos ajustam a valores e crenças enraizadas no passado e que procuram garantir a manutenção do estado das coisas. É neste cenário que as mulheres se deparam com o ambiente corporativo. Fica claro que as mulheres ainda não têm acesso aos empregos que pagam melhor, funções de liderança e a indústrias que melhor remuneram. Estas disparidades precisam ser reduzidas, assegurando mais espaço para mulheres nos cargos de liderança como CEO, diretoria e inclusive no conselho. Um encorajamento que deve vir desde muito cedo. Devem ser estimuladas a buscar conhecimento e mergulhar em seus interesses mais variados. Buscar carreiras que remuneram melhor, como por exemplo tecnologia, medicina etc. Uma vez no mercado de trabalho é obrigação das empresas garantir o reconhecimento de talentos e se comprometer a suportar as mulheres a alçar voos ao invés de ficarem estagnadas e serem encostadas em cargos de base. Seria ideal que ao chegar à aposentadoria, tanto homens como mulheres continuassem tendo a tão sonhada equidade inclusive porque muitas mulheres tem de se submeter a interrupções em suas carreiras (maternidade, filhos,…) e não alcançam cargos que pagam melhor. Portanto, nosso caminho é longo, tortuoso, mas já com atalhos construídos por guerreiras que desafiaram o status quo, brigaram por seus lugares no mundo e na corporação e, deixaram a fantasia de princesa em algum lugar do passado”.

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