A hora e a vez dos veganos : perfil alavanca oferta por alimentos não convencionais

Startups de alimentação apostam em produtos não convencionais atendendo a um consumidor mais consciente e com hábitos alimentares específicos

Foto: Pexels

O consumo consciente tem impulsionando empresas e atraído a atenção para um público específico também: os consumidores veganos. Esse “novo” consumidor pode ser definido por ser um cliente cada vez mais informado e preocupado com a origem daquilo que consome e, principalmente, com o meio ambiente.

Para atender este público que vem ganhando espaço no mercado,  “carnes plant-based”, leites vegetais de aveia, amêndoas, de castanha, de coco e uma variedade de farinhas e de outros produtos são algumas das alternativas (além da tradicional soja) buscadas por este consumidor. Para celebrar o Dia do Consumidor, comemorado no dia 15 de março, saiba mais sobre esse mercado exponencial que não é tão novo assim.

Potencial de mercado que deve ser percebido

Pesquisa da SVB, de 2018, já apresentava que mais da metade dos brasileiros (55%) consumiriam mais produtos veganos se estivessem melhor indicados na embalagem ou se tivessem o mesmo preço que os produtos que estão acostumados a consumir (60%). Além disso, segundo outra pesquisa da SBV feita com Datafolha em 2017, 63% da população gostaria de reduzir o seu consumo de carnes.

Outra pesquisa mais recente, apresentada em dezembro de 2020, encomendada pela multinacional de alimentos ADM em parceria IBOPE DTM, concluiu que 52% dos brasileiros definem seu estilo de vida como “flexitariano” , pessoas que conscientemente procuram ingerir alimentos e/ou bebidas à base de proteína vegetal.

O potencial também é enorme no mercado de carnes vegetais. Segundo o Relatório Plant-Based Meat: Processing Alternatives and Ingredients Assessment, da consultoria internacional Kline, baseado nas tendências de crescimento das vendas no varejo de produtos análogos de carnes vegetais, projeta que o mercado global pode crescer a um CAGR de 20%, atingindo um valor de mercado de 5,60 bilhões de dólares até 2024.

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O surgimento das food techs

Em resposta a este público surgem negócios de olho nessa parcela ativa de consumidores. O surgimento de “food techs”, startups que inovam em ingredientes e que trabalham com rótulos limpos (clean labels), e produzem alimentos similares aos de origem animal, com características mais naturais e nutritivas, e que atendem não só veganos, mas também alérgicos e pessoas que optam por alimentação saudável estão ganhando projeção no mercado.

É o caso da NoMoo, uma food tech carioca especializada na produção de laticínios à base de castanha de caju. “As pessoas vêm buscando alternativas à alimentação tradicional, por motivos de saúde, ideologia e até emagrecimento”, diz Marcelo Doin, sócio-fundador da NoMoo.

Dion diz que a maioria dos consumidores da NoMoo não é composta por veganos. “Trata-se de um público flexitariano e/ou wellness que busca uma alimentação mais consciente e saudável. Já observamos uma tendência de pessoas dispostas a diversificar a alimentação, o que tende a crescer muito nos próximos anos”, observa o empreendedor.

Na sua produção queijos, manteigas e iogurtes. A marca tem crescido tão rápido quanto a demanda. “Em 2022, pretendemos crescer em 300% o nosso faturamento, com o lançamento de novos SKU’s (Stock Keeping Unit – Unidade de Manutenção de Estoque)”, prevê Doin.

“Quando fundamos a NoMoo, em 2015, a oferta de queijos veganos produzidos no Brasil, por exemplo, praticamente não existia”, diz o empreendor, que prevê ampliação para pizzarias e hamburguerias e para outros países como Estados Unidos e Portugal, além de estar em processo avançado de negociação com três países da América Latina.

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Preocupação com o meio ambiente

Creme de brandy é um produto decorrente da destilação de vinho de uva. Sofisticado e apreciado em diversos países, ganhou um rótulo de “amigo do planeta” pelas mãos de Peter Smith, proprietário da marca Wine & Spirit Int. Ltda, que, preocupado com as questões ambientais lançou o, “Besos de Oro”, um brandy para consumidores veganos e que não consomem glúten. É 100% vegetal e similar ao que é produzido na Irlanda, mas sem lactose, é vegano, e sem glúten.

“Em todo o planeta vemos agora um mundo onde cada vez mais vegetarianos e veganos estão presentes como uma parte importante e crescente do ambiente varejista, e não mais considerados como outsiders ou ativistas. E como a maioria dos consumidores conscientes da saúde estão dispostos a pagar por um produto melhor”, diz Dale Sklar, Diretor da Wine & Spirit.

Além de ser 100% vegetal, “Besos de Oro” tem uma vida útil prolongada de mais de três anos fora da geladeira, em comparação com seu equivalente em licor de creme de leite que deve ser mantido em uma geladeira e dura aproximadamente apenas 12 meses. Outras vantagens deste licor, além de ser sem glúten, é que, em comparação com as bebidas à base de creme de leite, contém muito menos calorias e não tem adição de açúcar. Sklar aposta que o Brasil se tornará um mercado importante para “Besos de Oro”, que já está à venda na Inglaterra, Gana na África, e a primeira listagem acaba de ser acordada na América do Sul para o Paraguai.

Feira no Brasil fomenta o mercado vegano

Para conhecer o trabalho destas empresas e de outros segmentos visite a ANUFOOD Brazil. A feira é organizada pela Koelnmesse Brasil em parceria com duas unidades da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a FGV Europe e a GV Agro, dedicando espaço a toda diversidade das atividades relacionadas ao agronegócio e à indústria alimentícia e de bebidas. Ela acontecerá em Abril (12-14) das 10h ás 19h no São Paulo Expo.

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