Dia do Consumidor: influenciadores falam sobre um novo modo de encarar o consumo 

Convidamos para uma reflexão sobre essa data alguns influenciadores digitais com olhar e atitudes diferenciados sobre o consumo

Foto: Pexels

No dia 15 de março comemora-se do Dia do Consumidor. Para fazermos uma reflexão sobre essa data conversamos com alguns influenciadores digitais com olhar e atitudes diferenciados sobre o consumo, que, por meio de suas plataformas digitais e seus trabalhos fomentam o conhecimento e o debate sobre o ato de consumir.

Um dia para reflexão, e não só para o consumo

André Carvalhal, é escritor, consultor e especialista em design para sustentabilidade. Autor dos livros, “Como salvar o futuro”, “Moda com Propósito”, “A moda imita a vida” e do finalista do prêmio Jabuti 2019 “Viva o fim: Almanaque de um novo mundo”.

Para André, consumo consciente é “um processo de corresponsabilidade”, no qual a empresa se compromete em produzir considerando questões ambientais, sociais e sistêmicas. É também uma responsabilidade em compartilhar essas informações com transparência para sua comunidade e consumidores, diz André. Que entende que, os consumidores também devem exercer o seu papel de questionar essas empresas estabelecendo uma troca que vai muito além do consumo.

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André Carvalhal – escritor, consultor e especialista em design para sustentabilidade

“No Dia do Consumidor entendo que deveria ser uma data para colocarmos isso em prática. Um dia para as empresas se questionarem de fato e promoverem esse diálogo com seus consumidores e perguntarem o que que é relevante para essas pessoas nesse momento. E o consumidor também fazer o mesmo. Eu sinto que são realizadas promoções, ofertas, muitos descontos quando na verdade isso tem muito mais a ver com o que a empresa quer transacionar, do que, de fato, as pessoas realmente gostariam ou que precisariam saber das empresas nessa data”, avalia André sobre como o ato de consumidor hoje pode e deve estar relacionado ao conhecimento.

“Certamente para muitas pessoas o desconto é algo que pode ser legal, algo que pode viabilizar o acesso a alguma coisa que durante outros períodos elas não tenham como adquirir, mas, será que é somente isso? É isso o que de melhor as empresas poderiam fazer?”, questiona André. Na sua visão, muita coisa tem mudado sobre o que de fato vale a pena consumir e, principalmente, a forma como devemos consumir. “Eu acho que o Dia do Consumidor seria o momento perfeito para fazermos esse convite a empresas e consumidores para se questionarem sobre o real valor do consumo hoje”, conclui.

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Beleza: uma forma desacelerada, gentil e responsável de se cuidar

Marcela Rodrigues, é jornalista especializada em consumo responsável e bem-estar, designer em sustentabilidade e ativista pelo movimento da beleza sustentável, ao qual pesquisa há quase dez anos. É criadora da plataforma A Naturalíssima e co-fundadora da limpp, primeira ferramenta do Brasil para pesquisa dos ingredientes suspeitos nos cosméticos.

Marcela é uma das especialistas em “beleza limpa” (clean beauty), termo que a levou a adaptar os rumos do seu trabalho e alinhá-lo aos propósitos de um estilo de vida consciente. “Há quase dez anos comecei uma transição longa, sem pressa ou radicalismos, mas muito sólida e atenta. De uma maneira geral, pensei: como posso reduzir o meu impacto no mundo?”, conta.

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Marcela Rodrigues – jornalista e criadora da plataforma A Naturalíssima e co-fundadora da limpp, ferramenta digital para pesquisa dos ingredientes suspeitos nos cosméticos

Este questionamento, diz Marcela, endereçou outras perguntas que passaram por vários aspectos da sustentabilidade como alimentação (ela foi para uma ecovila estudar alimentação consciente), bem-estar, espiritualidade, relações interpessoais e sociais. Logo no começo dessa sua jornada Marcela era editora de uma revista com foco em moda e beleza, e foi desse ambiente que surgiu a ideia da plataforma A Naturalíssima. “Como eu já acompanhava o setor de beleza, percebi que era um ramo ainda pouco questionado sobre os impactos ambientais. Revi minhas escolhas nesta área, mudei rotinas; me deparei com a falta de produtos de higiene natural, passei a aprender a fazer e, passei a pesquisar o movimento da beleza natural, hj chamado de beleza limpa”, ela conta.

Marcela também criou um dos primeiros cursos online de introdução e cultivo da beleza sustentável (Jornada da Beleza Consciente), dentre outros workshops que visam não só mostrar caminhos de cuidados menos poluentes, mas que de fato desconstruir os conceitos pré-estabelecidos.

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“Passei a estudar práticas de regeneração planetária. Estudei herbalismo, me formei em hatha yoga e sou designer em sustentabilidade. Ano passado fui convidada pelo TexPelourinho para levar a ideia da beleza sustentável aos talks aqui no Brasil”, lembra Marcela sobre outros desdobramentos dessa escolha.

Hoje, além de jornalista especializada nestes temas, ela dá palestras, consultorias e outras vivências. “Meu principal propósito é mostrar que o nosso bem-estar e o do planeta precisam caminhar juntos, mesmo que para isso precisemos sair da zona de conforto”, pontua Marcela. “Este estilo de vida pauta meu trabalho de forma fluida e bem mais autônoma e responsável do que antes”, completa.

Sobre a forma como poderíamos recriar e repensar o nosso consumo de forma geral, Marcela é bem realista sobre esse questionamento. “Eu não acredito em vida sustentável perfeita, mas acredito que toda rotina pode ser pautada por escolhas conscientes, reduzindo assim o impacto da nossa existência no planeta. A gente só não pode esperar muito tempo para começar – nem que seja num ritmo mais lento, é preciso dar o primeiro passo repensando a dependência de tantas coisas materiais no dia a dia para se sentir bem”, argumenta.

Marcela não é contra o consumo, mas, diz que é preciso entender esse momento como um ato de responsabilidade também. “Ninguém precisa parar de comprar, mas é preciso dizer mais nãos e assumir a responsabilidade do impacto pelo que desejamos ter”, diz. Neste sentido, Marcela aconselha a pesquisar quem está por trás daquilo que consumimos, quais materiais foram usados para fazê-lo, quais os impactos gerados no processo. “Acredito na simplicidade, atenção e senso crítico para essa caminhada”, aconselha.

Para Marcela, a indústria tem usado “gatilhos de padrões irreais de beleza”, com lançamentos e mais lançamentos que nos fazem crer que precisamos de dezenas de produtos para nos sentirmos bem. “Beleza sustentável não é sinônimo de produtos ecológicos, apenas. É também sobre uma forma mais desacelerada, gentil e responsável de se cuidar”, conclui.

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