Serviços de assinatura são o futuro da personalização?

Para os executivos da TAG e da Grow os clubes de assinatura conectam pessoas com interesses similares e geram a sensação de pertencimento

Atendimento personalizado e clubes de assinatura: um match para se investir? | Foto: Shutterstock

Em 2014, existiam apenas cerca de 300 empresas de clubes de compra, mas a estimativa é que o mercado tenha ganhado mais de 2 mil novos clubes de assinatura em 2021, chegando a mais de 6 mil serviços em funcionamento apenas no Brasil, segundo pesquisa da companhia Betalabs.

O levantamento mostra que no primeiro trimestre de 2021, o número de assinantes cresceu em 32% perante aos números do primeiro trimestre de 2020. Esse aumento significativo pode ser considerado como uma das consequências da pandemia de covid-19, que exigiu que as pessoas ficassem em casa, consumindo cada vez mais produtos de e-commerce, para respeitar o isolamento social.

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Táticas dos clubes de compra para fidelizar clientes

Assim como qualquer empresa, os programas de assinatura devem pensar em estratégias de jornada de compra, atendimento ao cliente e fidelização de seus consumidores, seja com cashback, promoções, atualização de ferramentas, novos produtos, serviços e por aí vai.

Leia mais: Cashback ou pontos: qual é a estratégia de fidelização correta?

Um dos principais clubes de experiências literárias do Brasil é a TAG. Gustavo Lembert, CEO da companhia, acredita que, nesse sentido, especificamente, seu grande diferencial é a formação da comunidade de leitores, que se expande naturalmente por todos os estados do país.

“Estamos constantemente pensando em maneiras de engajar nossos associados, tornando o clube cada vez mais importante no dia a dia das pessoas para fidelizar esses leitores. A comunidade se faz presente no nosso app exclusivo para assinantes, onde eles podem conversar, trocar dicas de leitura e avaliar as experiências enviadas”, afirma.

“Também promovemos encontros para discussão das obras (durante a pandemia, de forma virtual), eventos com os autores dos livros, campanhas especiais e produtos exclusivos. No fundo, esse senso de comunidade torna o clube muito mais do que um serviço de assinatura e permite que a leitura deixe de ser uma atividade solitária, seja para aqueles leitores ávidos ou para os que buscam retomar o hábito”, acrescenta o executivo.

De acordo com isso, a Grow, clube de compra spin-off da TAG, realiza diversas ações para manter sua base de clientes ativa. “Já tivemos esforços de marketing que contemplavam um kit extra para quem assinasse nosso plano anual, como uma forma de complementar a experiência de um novo assinante. Além disso, estamos lançando um espaço de debates, no qual estaremos constantemente promovendo discussões propositivas em torno da obra do mês. Em breve teremos essa novidade para anunciar”, revela Adriano Borner, gerente de marketing da empresa.

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As vantagens dos clubes de compra variam conforme o segmento, mas para Gustavo Lembert, o forte da TAG é, novamente, a formação da comunidade | Foto: Shutterstock

O futuro da personalização

As vantagens dos clubes de compra variam conforme o segmento e a proposta de cada produto, mas para Gustavo Lembert, o forte da TAG é, novamente, a formação da comunidade.

“Além disso, há a comodidade de receber as caixinhas em casa, a tranquilidade de contar com uma curadoria especializada e a facilidade de conversar com outros consumidores e com a própria empresa, tornando a relação mais próxima, clara e transparente”, elenca.

Em consonância, o profissional da Grow reforça que assinar um clube de livros proporciona uma experiência de mergulhar em determinada temática dentro do mês e se conectar com milhares de pessoas interessadas por temas similares, o que provoca o sentimento de pertencimento. Isso faz com que o usuário saia da zona de conforto e desperte sua atenção para temas que muito provavelmente não estaria pensando em consumir naquele momento.

“É válido ressaltar que a Grow vai além da obra do mês, proporcionando um aprofundamento com materiais complementares, fazendo com que nossos associados consumam nosso podcast, nossa plataforma com vídeos e guia e também nossas pílulas de aplicação prática da temática do mês”, explica Adriano Borner.

Segundo o executivo, a companhia atende uma parcela bem ampla de público, já que possui como missão promover o aprendizado contínuo através de bons livros. “Não se trata de um produto nichado, afinal, grande parte das pessoas gostaria de se sentirem em constante aprendizado. Estamos discutindo formas de personalizar ainda mais essa jornada do nosso cliente aqui dentro da Grow, porém, ainda não podemos anunciar nada para o mercado neste formato no momento”, pontua.

Já para a TAG, é difícil considerar, de forma geral, que os clubes de compra são o futuro da personalização, pois isso depende do posicionamento de cada organização.

No caso da empresa, as modalidades de assinatura propõem a seleção de um livro por mês para toda a base de associados, tornando a experiência do cliente única e não personalizada. Mas isso não quer dizer que o clube não leve em consideração as demandas específicas dos associados para o desenvolvimento dos produtos no futuro.

“Estamos em constante trabalho de pesquisa com nossos assinantes para entender os pontos de dores e de satisfação. Mas vemos, sim, que existe a possibilidade de aumentarmos cada vez mais a personalização, assim como alguns clubes já permitem que os clientes flexibilizem suas caixinhas”, exemplifica Gustavo Lembert.

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Tendência para 2022?

Para este ano, pode ser que a quantidade de clubes de compra disponíveis em diferentes áreas de atuação cresça ainda mais no país. Esse é um movimento que tem sido notado pelo CEO da TAG, juntamente da popularização de iniciativas nesse sentido por parte de grandes produtores de conteúdo e celebridades, como a Reese Witherspoon, nos Estados Unidos.

“Ano passado, no Brasil, vimos surgirem clubes como o da Gabriela Prioli e do Leandro Karnal. Então, acredito que é um segmento que deve ficar em alta este ano”, finaliza citando os nomes de duas celebridades da mídia que também falam sobre literatura e estimulam a leitura.

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