O jeitinho brasileiro de trocar cheque no boteco está com os dias contados?

Ideia dos bancos centrais é cortar os custos de impressão e trazer mais controle e segurança sobre as operações financeiras

Foto: Shutterstock

Os saques no Brasil responderam por 3,2% do que foi transacionado em dinheiro no segundo semestre de 2021, segundo dados obtidos pelo Banco Central. Se compararmos com o movimento do Pix, o percentual foi de 5,9%. Estamos falando apenas de uma solução digital de transferências e pagamentos lançada em novembro de 2020.

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Quando analisamos o meio circulante, é possível notar que o dinheiro em espécie teve sua primeira queda desde a criação do Plano Real, idealizado em 1994. As cédulas encolheram cerca de R$31 bilhões na comparação de 2020 com 2021. A tendência é que essa queda se acentue cada vez mais, entretanto, não podemos desconsiderar as cédulas tão logo. É um processo que leva tempo, maturidade da sociedade e principalmente empresarial. A queda do meio circulante está atrelada a diversos fatores.

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Nos últimos dois anos, o varejo vivenciou uma transformação exponencial na área de pagamentos e, na maioria das vezes, as novas soluções acabaram substituindo o papel moeda. Podemos nos questionar: o dinheiro ainda tem uma função importante na era digital?

No meu entendimento, sim, mas com ressalvas. O real em espécie ainda possui um papel importante para a sociedade, especialmente, em segmentos sob perspectivas da geolocalização onde a tecnologia ainda não é realidade e empreendedores e varejistas estimulam pagamentos em dinheiro para driblar as taxas de compensações de crédito e débito, geralmente incômoda para pequenos pagamentos, aqui trago apenas um exemplo.

O Brasil possui dimensões continentais e quando olhamos para fora das grandes metrópoles, especialmente para o interior do país, o dinheiro ainda é muito pulsante. Para se ter ideia sobre o impacto do dinheiro físico, basta olharmos para os micropagamentos nas gigantescas filas das tradicionais casas lotéricas espalhadas em cada esquina onde o consumidor, por vezes, não se adequa às inovações das transações digitais.

Leia mais: Os impactos do consumo das classes C e D em 2021 no varejo brasileiro

Dito isto, o dinheiro em espécie continua com seu papel relevante para população das classes C, D e E. Esse é um cenário favorável para o Pix, que tende a crescer exponencialmente.

Você lembra que quando o Pix surgiu, em meados de 2020, tínhamos mais de 30 milhões de brasileiros desbancarizados? Hoje essa galera recebe e paga via Pix por conta do acesso via Caixa Econômica para recebimento de auxílios na época.

Nos últimos quatro anos o dinheiro encaminha-se para sua maior reinvenção global. A Europa caminha de forma mais eficaz nesse sentido, a moeda digital na Suécia é realidade e a meta por lá é emissão zero de francos suíços num futuro próximo.

O Brasil, os EUA e a China serão os próximos a adotarem essas mudanças. A ideia dos bancos centrais é cortar os custos de impressão e trazer mais controle e segurança sobre as operações financeiras. Essas inovações nos levam para um caminho sem volta, a digitalização. E um ponto importante, o lastro digital. Quanto o Brasil ganha com a transparência no rastreamento do dinheiro? Muito!

Para o varejista brasileiro, acostumado a colocar tudo na ponta do lápis para manter margem de lucro, existe uma equação semipronta que representa o custo monetário do dinheiro em espécie em torno de 0,3 a 0,5% do negócio. Já para os consumidores que possuem quatro saques mensais gratuitos nos caixas 24h, assegurados por lei, essa transformação chega como benefício de atratividade dentro do ecossistema financeiro. O “jeitinho brasileiro de trocar cheque no mercado ou no boteco” está com os dias contados.

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*Por Luiz Coimbra,  sócio e cofundador da Shipay, fintech de meios de pagamentos digitais.


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