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Descentralização, metaverso e privacidade: as visões de futuro abordadas no SXSW

Um festival no presente que celebra, verdadeiramente, o futuro. Esta é uma das propostas do South by Southwest, o tão falado SXSW. A mistura de temáticas que vão desde inovações tecnológicas, educação, música, cinema e até o uso de psicodélicos, é um prato cheio para o fomento de tendências que podem (e vão) mudar o mundo.

Nomes como Amy Webb, fundadora do FutureTodayInstitute;Scott Galloway; Maëlle Gavet ativista da “Tecnologia Empática”; Michael Dell, fundador e CEO da Dell Technologies; e muitos outros compõem um board diverso de palestrantes chave do evento.

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Léo Brazão, co-fundador da Hub 1601, que acompanha o evento presencialmente, comenta sobre a experiência. ‘’Acredito que, mais do que a variedade incrível de temas e palestrantes, o que torna o SXSW tão especial é a diversidade e pluralidade de pessoas, ideias e pensamentos, que convivem juntos, se transformam e se enriquecem ao longo do evento. Uma experiência singular de colaboração, aprendizado, conexão e empatia – pilares fundamentais da inovação’’ reflete.

O viés tecnológico da inovação ganhou força este ano no evento, discutindo por exemplo, os rumos da web que ainda gera dúvidas nas cabeças pensantes do evento. Alguém pode ser o “CEO” da internet? Vamos viver em dois mundos, um digital e outro físico? Será o fim da nossa privacidade? A era 3.0 não “ está chegando”, como muitos pensam, ela já estava aqui!

“Estar aqui no SXSW é algo muito importante para nós brasileiros, é nossa forma de deixar nossa marca e disseminar nossa cultura inovadora para o mundo, além de estar presente nas grandes discussões que regem o futuro da inovação global” afirma Beatriz Bachert, head de estratégia na Hub 1601, que separou ainda três tendências discutidas no festival, regadas por inúmeros diálogos informais e análises profundas, em busca de uma resposta para as questões acima e tantas outras.

Descentralização desde a web até cidades inteiras

A descentralização, conceito abstrato e explorado por muitos futurologistas, é o que guiará diversos âmbitos da nossa sociedade no futuro. O grande exemplo é a tão comentada Web 3.0. Nela, seremos “sócios” de tudo, nossas informações serão apenas nossas, e caberá a nós mesmo compartilhá-las e até vendê-las as empresas.

Já as DAOs (Organizações Autônomas Descentralizadas) estão chegando para mudar a forma com que nos organizamos empresarialmente. Um grupo de pessoas com um interesse em comum cria uma comunidade ao redor de um produto ou serviço e administrar suas tarefas – baseadas em ‘smart contracts’ e registradas no blockchain. O “salário” vem em um formato de criptomoeda através da valorização (ou desvalorização) da “empresa”.

Hoje, a utilização do blockchain ainda é pequena e limitada a arte, roupas “híbridas” e música. A grande vantagem para os artistas é que a tecnologia possibilita o que chamamos de “peer-to-peer” ou “par-a-par”, operações sem intermédio de outros. Ou seja, o criador do conteúdo não precisa passar pelo crivo ou intermédio de nenhuma produtora ou distribuidora. Além disso, é também uma forma de garantir a originalidade das peças visto que, quando no blockchain, o conteúdo não pode ser replicado. Tudo isso promove a ideia de descentralização da internet e do conteúdo gerado nela.

Por fim, veremos a descentralização em sua forma mais bruta, onde cidades inteiras funcionarão como DAOs e caberá aos seus cidadãos decidirem no que querem investir: um novo parque, uma nova escola e etc. O conceito foi criado por Marc Lore, empresário e atual proprietário da NBA, que apresentou no festival seu mais novo empreendimento – a cidade de Telosa. A ideia é criar uma cidade futurista, totalmente automatizada e sustentável, baseada nos princípios de descentralização do poder, e força da comunidade.

Os futuros incertos do tão comentado Metaverso

Outra tendência que se mostrou extremamente comentada no festival foi o Metaverso. O termo criado por Neal Stephenson nos anos 90 só tomou a atenção do público quase 30 anos depois, quando o Facebook realizou seu reposicionamento e passou a chamar-se de Meta. As muitas opiniões distintas sobre os futuros dessa “realidade paralela”, e até a presença de Mark Zuckerberg no SXSW, deixam claro as incertezas sobre o uso dessa tecnologia.

Hoje em dia, o metaverso é entendido como um espaço digital onde pessoas se encontram e interagem. O formato é gamificado e desenvolvido por plataformas como o Decentraland e o Horizon Worlds, que usam “mundos abertos” e permitem que o usuário crie seu avatar e navegue pelo espaço. A grande questão do formato atual é que ele ainda tem sérios problemas de acessibilidade e usabilidade. Ou seja, não é fácil e intuitivo navegar nas plataformas.

O que tem sido muito comentado no SXSW é que os rumos dessa tendência provavelmente serão outros. Parafraseando uma fala de Amy Webb, futurologista a frente do Future Institute e palestrante do evento, “O metaverso é um tema guarda-chuva para tecnologias que fazem uma ponte entre o mundo digital e virtual”. Isso significa que para vivermos o metaverso não necessariamente precisamos estar à frente de uma tela, ou com um óculos de realidade virtual nos olhos. A essência do metaverso é apenas estar inserido em realidades diferentes e/ou complementares simultaneamente e sem fricções.

O tão temido Metaverso já está em nossas vidas. Quando estamos em casa, entrando em uma reunião pelo Google Meet, Zoom, ou qualquer outro programa similar, estamos habitando “um mundo novo”. Não estamos mais “só em casa”, mas também no local de trabalho. Outro exemplo é o uso de fones de ouvido sem fio. Sem usar as mãos estamos ao vivo em um lugar, porém em outro totalmente distinto através do som.

Desse modo, obtemos a constatação de que não é (somente) sobre nos “recriarmos” em um avatar ou ter uma interação realista usando óculos de VR. É não esquecer de ser quem já somos, dentro do que já estamos inseridos e acrescentar a essa receita uma nova camada digital.

O fim da privacidade em um mundo conectado
por inteligência artificial

Por fim, um assunto sensível dessa revolução das máquinas é a nossa privacidade, ou o fim dela. Com os grandes avanços da inteligência artificial, fica cada vez mais difícil se tornar “invisível” em uma sociedade digitalmente controlada. Em um cenário catastrófico, Amy Webb prevê um grande mercado futuro de maquiagens para a pele, mas não as bases corretoras de poros e espinhas que estamos acostumados. Esses ‘claims’ dão lugar a novas features do produto, que prometerão conter tecnologia especializada em confundir câmeras de reconhecimento facial.

Brincadeiras à parte, o futuro do reconhecimento é inevitável e será impossível se esquivar dele.

Novas tecnologias – que sim, já existem! – são capazes de reconhecer um indivíduo não apenas pelo seu rosto, mas utilizando sensores de batimento cardíaco a metros de distância. Outro formato é o reconhecimento via composição celular da pele. Basta um simples escaneamento de qualquer área da superfície corporal para que seja possível mapear exatamente quem é quem.

Essa enorme quantidade de dados mapeados, cruzados com informações de consumo e saúde pode ser, de fato, o fim dos nossos tempos de privacidade. Mas, o grande problema é ainda a falta de cibersegurança que paira pelo universo digital. Essas informações nas mãos erradas podem gerar grandes danos a sociedade e seus indivíduos.

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*Por Beatriz Bachert, head de estratégia na HUB, e Léo Brazão, co-founder da HUB.


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