BNPL: democratização ou endividamento?

BNPL, o pagamento a prazo voltou a fazer parte das discussões do setor financeiro: há a democratização do consumo ou o endividamento das classes C e D?

Foto: Pexels

Recentemente a empresa de serviços financeiros norte-americana, American Express, anunciou a adesão ao recurso de pagamento de crédito a prazo, também conhecido como BNPL (compre agora e pague depois), onde seus clientes passaram a realizar o parcelamento das contas durante o checkout no site da Delta Air Lines.

A ação, apesar de ser muito comum no Brasil, pegou muita gente de surpresa nos Estados Unidos e vem caindo no gosto popular, já que o setor do turismo sofreu um novo impulsionamento após o afrouxamento das restrições sanitárias e as formas de pagamentos flexíveis tendem a aumentar ainda mais a procura por viagens.

De acordo com o Conselho Mundial de Viagens e Turismo, a expectativa é que os gastos domésticos com passeios dos estadunidenses aumente 11,3% com relação a 2019 e chegue a US$ 1.1 trilhão, o que reforça a importância do BNPL para o ramo, uma vez que quase 30% dos americanos assumem o interesse no parcelamento das dívidas durante as transações de alto valor nas férias.

Leia mais: Quais as tendências de CX do setor de turismo para 2022?

Democratização ou endividamento?

Nesse sentido, com o aumento do interesse da população pelo BNPL, principalmente a Geração Z e os chamado Millennials, surge uma série de dúvidas a respeito das vantagens e desvantagens do parcelamento à prazo: será mesmo que tal ferramenta possibilita a democratização do consumo para as classes C e D ou será que este tipo de pagamento só aumenta o número de pessoas endividadas?

De acordo com o especialista em soluções financeiras e CEO da Brainstorm Soluções, Enzo Ribeiro, “um pagamento parcelado pode significar custos maiores, pois o dinheiro tem valor no tempo e assume forma de juros. Por isso, é comum que o pagamento à vista seja mais barato, enquanto o pagamento parcelado apresente algumas taxas”, explica o representante da Brainstorm Soluções.

Para a especialista em estratégia de negócios, Priscila Guskuma, o parcelamento ou não das dívidas gira em torno dos objetivos e das condições de planejamento de cada pessoa, já que o investimento para uma pode significar dívida para a outra.

“Para explicar esse raciocínio, vamos tomar como exemplo o financiamento estudantil. Isso porque este formato de pagamento pode ser considerado um investimento para uma pessoa que sempre sonhou em ter uma formação superior, mas não tem os recursos para pagar a faculdade. Assim, quando aparece a oportunidade de financiar/parcelar o curso, o estudante adquire conhecimento e experiência e, ao final da graduação, ingressa na carreira e consegue quitar a dívida”, afirma a profissional.

“Em contrapartida, o financiamento estudantil pode ser visto como uma dívida para os casos onde o aluno ingressa na faculdade apenas pelo desejo de obter um diploma superior, não se prepara ao longo dos estudos e não consegue colocação no mercado de trabalho, o que gera a frustração e arrependimento que ter adquirido a dívida”, argumenta Priscila Guskuma, que complementa: “tudo é questão de ponto de vista: a pessoa precisa se perguntar antes de parcelar: ‘essa decisão é uma dívida ou investimento?’”.

Leia mais: iPhone por assinatura? Apple estaria cogitando essa possibilidade

BNPL é acessível e democrático

Apesar do pagamento à vista ainda ser uma das opções mais indicadas para a aquisição de qualquer produto ou serviço, o BNPL também pode ser encarado como uma ferramenta acessível e democrática, já que não possui acumulação de juros sobre os pagamentos diferidos e oferece prazos mais curtos e transparentes, o que evita os riscos de endividamento comuns nas compras com cartões de crédito.

De acordo com uma pesquisa elaborada pela Finder, o “compre agora e pague depois” também vem ganhando cada vez mais adeptos por conta da facilidade, tendo em vista que não ocorre uma análise de crédito demorada, tampouco interrompe o fluxo de compras com solicitações de financiamentos em vários lugares.

O sucesso deste formato de compras é tão grande que a sua ausência ou presença já exerce influência na experiência do cliente. Segundo o estudo da Finder, 40% dos britânicos afirmaram o interesse pelo BNPL e quase 10 milhões deles disseram que não compram de varejistas que não oferecem essa opção de pagamento.

Ainda de acordo com este relatório, as compras online que recorrem a BNPL estão crescendo a uma taxa de 39% ao ano na Inglaterra, o que representa um aumento da aquisição dos consumidores e, consequentemente, uma elevação do número de vendas e das taxas de conversão para o varejo.

Com isso, é possível fazer uso deste formato de transferência para recuperar o prejuízo de vendas causado pela pandemia, melhorar o atendimento ao cliente e ajudar no processo de fidelização do público-alvo.

Assine a nossa newsletter e fique atualizado sobre as principais notícias da experiência do cliente 


+ Notícias

Open Finance e o empoderamento definitivo do consumidor 

Portabilidade bancária: saiba como usar esse direito 




Acesse a edição:

MAIS LIDAS

VEJA MAIS

ÚLTIMAS

VEJA MAIS