É tempo de quebrar o tabu: empreendedora cria sex store para mulheres

Bruna Leal, de 28 anos, criou a PPK para revolucionar a experiência de consumo feminino para produtos eróticos

Foto: Shutterstock

Alguns negócios têm mais… bem, mais dificuldades do que outros, digamos assim. Especialmente no varejo, nem todo tipo de produto é facilmente comercializado e, a depender do setor, é necessário um cuidado especial com a embalagem e até mesmo com os anúncios. Mas no caso das sex stores — que vendem produtos voltados ao prazer sexual —, demanda-se uma atenção mais especial, já que falamos de um setor coberto de tabu.

É de se esperar, dessa forma, que as sex stores atuem com mais dificuldade no e-commerce. Afinal, são várias etapas diferentes, sobretudo pela discrição: as embalagens precisam ser discretas, bem como os nomes das lojas que constarão nas faturas dos cartões. Além de tudo isso é preciso também ir contra a maré do tabu, especialmente se os produtos forem destinados às mulheres, que passam por um processo cultural muito mais delicado do que os homens no que diz respeito ao prazer sexual.

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Contestar essa diferença na tratativa de gênero para quem consome esses produtos foi o que levou Bruna Leal, de 28 anos, a lançar a PPK, primeira sex store voltada exclusivamente para o público feminino. “Me questionei: por quê um dos mercados que mais cresce no país é tão estigmatizado?”, destaca a executiva.

Ela explica, ainda, que a criação veio justamente por causa desse incômodo. “Sentia que estava cometendo um crime, e acredito que muitas mulheres consumidoras de produtos eróticos também passam por isso. Na maioria das vezes você tem que ir até uma rua escura e pouco movimentada para encontrar um sex shop, sem falar no atendimento, rápido e totalmente discreto”.

Criando uma experiência bem mais positiva e livre de tabu para o público feminino

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Bruna Leal, criadora do PPK / Foto: Reprodução Bruna Leal

Sex stores não são, a bem da verdade, novas no País. Elas existem há anos e comercializam produtos a ambos os gêneros. No entanto, sobretudo após a pandemia, o setor notou um crescimento expressivo. Dados da Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico e Sensual (ABEME) destacam que o mercado brasileiro chegou a faturar mais de R$ 2 bilhões anualmente — um aumento de mais de 10%.

E atender o público feminino de maneira honesta, satisfatória e rompendo as barreiras culturais, mesmo com aumento das vendas, ainda era um desafio. Assim, a PPK que foi lançada ao mercado em 10 de fevereiro deste ano, criou produtos que vão desde sex toys discretos, delicados e até “fofos” a itens mais comuns.

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Para Bruna, o principal caminho de mudança foi focar na experiência do cliente. “A experiência de comprar em um sex shop sempre me pareceu algo clandestino. E a questão que mais me afeta é por quê? Já chegamos tão longe e conquistamos tantas coisas, o prazer feminino precisa ser pluralizado”.

Discrição, prazer e uma experiência libertadora nas sex stores

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Foto: Reprodução PPK

Para fazer com que os negócios caminhem bem, no entanto, a PPK teve que aplicar inteligência de mercado para se sair na frente e proporcionar, de fato, uma boa experiência às consumidoras.

Além disso, a PPK também está entre as empresas que foi pensada para ter uma comunicação mais amigável, um dos pilares da marca. “Atuo como executiva de marketing, este ano irei completar 10 anos atuando na área e nas empresas sempre exerci um perfil hands on. E usei toda essa experiência para a criação da PPK”, acrescenta Leal.

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Assim, a loja seguiu um novo tipo de atendimento e segue um estilo mais voltado a uma experiência livre de culpa e tabu. “A ideia é que você entre no site e compre produtos para o seu bem-estar, por isso, além de sex toys selecionados, temos parceria com marcas como a Bluèsi e a Lubs que são marcas super alinhadas com o propósito da PPK. São aqueles produtos que você compra quando quer chegar em casa, acender uma vela e ter o seu momento. Nosso posicionamento é inteiro focado para elas”, complementa a executiva.

Além dos 22 produtos do catálogo, a loja também conta com embalagens discretas e bem receptivas para trazer uma experiência mais satisfatória e libertadora às clientes. Bruna explica que todos os produtos são inclusive enviados com uma visão positiva do consumo em sex shops, mas tudo feito com discrição.

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“Desenvolvemos uma linha de embalagens que também são discretas, em nenhuma delas está escrito: ‘tem um brinquedinho erótico aqui, vizinho curioso (risos)!’. São fofas, bem receptivas e possuem um pequeno ‘O prazer nosso!’, de uma forma delicada e que valorize as nossas clientes como elas merecem”, finaliza a executiva.


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