E-commerce sustentável vira tendência no Brasil e se torna pré-requisito para alcançar o sucesso da marca

Baseado em ações ecológicas, o e-commerce sustentável aumenta a reputação da empresa e atrai olhares de investidores e consumidores finais

Foto: Shutterstock

A agenda ESG vem ganhando espaço no mundo dos negócios e empresas nacionais e multinacionais já apostam em ações voltadas para as causas ambientais, como a Ambev, que reduziu o consumo de água nas produções, e o Boticário, que eliminou o descarte de resíduos na natureza. Mas como fica a sustentabilidade no e-commerce? É possível adotar práticas ecológicas nas famosas lojas virtuais?

A resposta para ambas as perguntas é “sim”! O e-commerce sustentável chegou para ficar e já é um pré-requisito para as empresas que desejam se consolidar no mercado, ser respeitada no segmento em que atua e, claro, aumentar a prospecção de clientes.

O termo, em alta no Brasil, diz respeito a um modelo de negócio virtual que adota uma série de medidas ecológicas para proteger o meio ambiente e minimizar os impactos negativos causados pelo consumo desenfreado e pela geração de poluentes.

A empresa estadunidense de comércio eletrônico, Ebay, por exemplo, é conhecida pelo programa eBay Green Team, que incentiva a compra e venda de artigos usados e recondicionados para reaproveitar os produtos já fabricados.

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Redução da emissão de carbono e selo eureciclo são metas de vários e-commerces brasileiros

No Brasil, o e-commerce sustentável também já atraiu os olhares de muitos investidores e tem criado raízes no ambiente corporativo, conforme explica Anderson Rodrigues, o fundador da Vida Veg, empresa referência no segmento Plant Based: “antigamente a sustentabilidade e a Agenda ESG eram consideradas grandes diferenciais para as empresas, mas hoje são pré-requisitos para o sucesso e o reconhecimento no setor”, afirma o CEO da Vida Veg.

“Fizemos uma série de práticas sustentáveis na empresa ao longo dos anos, como o investimento no processo de neutralização de carbono e o selo eureciclo, onde todas as embalagens geradas são compensadas através do pagamento de cooperativas de reciclagem. Para se ter uma noção, reciclamos 92 toneladas de plástico e papel neste ano”, revela Anderson Rodrigues, que complementa: “além disso, temos o selo Polen, onde o consumidor final pode escolher para qual instituição deseja doar parte da compra: uma ONG de proteção animal ou uma ONG ambiental”, finaliza.

Sustentabilidade deve fazer parte de todas as etapas de produção

Outro e-commerce brasileiro que também tem se destacado neste aspecto é a Start Química, uma empresa especializada em soluções de limpeza e higienização.

Segundo o gerente comercial da Start, Vinicius Meneguin, a produção dos produtos é um dos carros-chefe na busca por ações organizacionais mais ecológicas: “ a Start hoje tem o foco do seu e-commerce em trabalhar produtos concentrados, em que apenas 1 litro pode render até 10 litros de produto. Dessa forma, você reduz a quantidade de plástico no ambiente e diminui a emissão de CO2 com o transporte. Então, pensar em produtos que podem ser diluídos, reaproveitados ou que possuem uma durabilidade maior, pode ser uma das alternativas quando falamos em sustentabilidade”, pontua o representante da empresa.

“Ser sustentável também está ligado à produção dos itens vendidos. Medir os impactos que causam no planeta, como os maus tratos aos animais, a poluição e o desmatamento está diretamente ligado à sustentabilidade do e-commerce. Hoje, há uma crescente demanda por produtos de empresas que tenham os chamados “selos sustentáveis”, certificações que comprovam que uma empresa adote processos sustentáveis em sua operação, em diversas categorias: eficiência energética e gestão da água e de resíduos. Logo, o e-commerce dessas empresas, com tais certificações, já passa a ser bem visto por uma grande parcela dos consumidores”, pontua Vinicius Meneguin.

O gerente da Start Química também comenta sobre a questão da entrega, já que a demanda é cada vez maior e mais urgente e, para isso, é necessário o aumento do volume de transporte e, consequentemente, a geração de poluentes: “no caso do e-commerce da Rede Unishop, os pedidos feitos na plataforma são direcionados para as lojas físicas mais próximas. Dessa forma, o tempo e a distância de entrega são menores e, além do tempo de viagem, é possível reduzir a emissão de poluentes”, pontua.

Ser sustentável faz bem para o meio ambiente e para o seu bolso

A partir de tais medidas, Vinicius Meneguin afirma que, além de contribuir para um ambiente mais sustentável, as empresas conseguem melhorar a sua reputação e melhorar o atendimento ao cliente: “o consumidor passou a enxergar isso, não como um diferencial, mas quase como uma necessidade das empresas. As que estão em desacordo com práticas ambientais, que não têm uma estrutura de ESG interna, podem não ser mais a principal opção do consumidor antenado. Logo, se o consumidor estiver em dúvida em consumir os produtos de duas empresas, mesmo no digital, mas uma delas trabalhar a sua comunicação com o apelo sustentável, e comprovar essas ações, muito provavelmente será ela a opção de compra do cliente”, argumenta.

Em consonância com essa linha de pensamento está a CEO da produtora de vinho, Veroni, Livia Marques, que explica sobre as ações sustentáveis da sua empresa: “a sustentabilidade pode ser buscada em todos os aspectos do e-commerce. Aqui, fazemos algumas ações como a associação ao Polen, onde 1% do faturamento das vendas do e-commerce é destinado para ONGs que apoiam o trabalho da mulher e do meio ambiente”, inicia a empresária, que complementa: “outra questão é com embalagens e como vamos fazer para que a mercadoria chegue ao cliente de uma forma apresentável, mas sem prejudicar o meio ambiente. Por isso, compramos embalagens que são menos prejudiciais ao meio ambiente”, finaliza Livia Marques.

De forma geral, os marketplaces e e-commerces brasileiros vêm apresentando bons resultados na busca por ações sustentáveis, apesar da corrida contra o tempo para atender o aumento das demandas com a pandemia.

“Hoje, tanto os marketplaces, como os demais e- commerces estão sofrendo com demandas exageradas dos consumidores, em um mercado cada vez mais acirrado. Não basta você ter um canal digital de vendas. Para ser competitivo, você precisa ter um canal digital, preço abaixo dos concorrentes, frete grátis e entrega rápida para se manter competitivo. Dessa forma, para poderem proporcionar isso, é necessário focar as operações e os esforços para atender tal demanda. O Mercado Livre, por exemplo, que utilizava a estrutura dos Correios, no Brasil, passou a ter frota própria para entrega dos pedidos. Porém, pensando na questão ambiental, uma parte dessa frota foi de veículos elétricos. Assim, conseguem equilibrar o impacto”, encerra o gerente comercial da Start, Vinicius Meneguin.

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