Consumo não é só um ato de compra, é uma solução de vida, destaca CEO da W Futurismo

Durante A Era do Diálogo, Jaqueline Weigel ainda apontou que cibersegurança, metaverso e a falta de acesso à saúde são os desafios de 2022

Jaqueline Weigel, CEO da W Futurismo e futurista (Fotos Douglas Luccena)

“É muito gostoso estar de volta ao palco e ao relacionamento interpessoal”, destacou Jaqueline Weigel, CEO e Futurista Global & Foresight Expert W Futurismo, durante a abertura do simpósio dos 10 anos de A Era do Diálogo realizado no Hotel Renaissance com transmissão simultânea pelo Portal Consumidor Moderno. Ela abordou uma visão ampla que contempla o ponto de vista do ser humano nas relações de consumo, do planeta em transformação, de empresa que precisa atender o consumidor e dos gestores, que estão preocupados todos os dias em atender cada vez melhor.

“Isso vai muito além da jornada do cliente. Não existe uma visão de curto prazo, sem uma visão de longo prazo robusta. Consumo não é só um ato de compra, é uma solução de vida. A nossa consciência é convidada a ser ampliada”, chamou a atenção ao lembrar que, atualmente, estamos indo do atendimento para a experiência. “A liderança, a governança e a gestão, agora, precisam ser antecipatórias. O consumo tem de resolver problemas que sequer existem e ainda estamos correndo atrás de gestão de crise. O tamanho do nosso salto é gigante”, completou.

Segundo ela, ao olhar para o futuro de longo prazo, é possível entender porque o consumo atual está mudando. “Falamos de futuro para ter ideias no presente, não é para viver no futuro. Ainda vejo empresas tentando manter o passado e impor o consumo. A sociedade já não aceita isso”, chamou a atenção.

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Jaqueline Weigel, CEO e Futurista Global & Foresight Expert W Futurismo / Foto: Douglas Lucena

Qual é a nova regra de consumo?

O mundo está em total transformação, com a pandemia causada pela covid-19 e a guerra entre Rússia e Ucrânia, no Leste Europeu, por isso, ela lembrou: “Se não entendermos as mudanças do mundo, não vamos entender qual é a nova regra de consumo”.

Agora, precisamos construir um planeta verde, pois não será sustentável em 2050 vivermos como hoje. “O consumo verde, responsável, consciente, sustentável. É isso que o consumidor quer. A transição do mundo é verde, o consumo é verde e precisamos entender isso”.

Ela ainda lembrou que, ao olharmos para o futuro, não adianta só falar de tecnologia e jornada do cliente. A CEO da W Futurismo destaca que existe muita coisa no entorno do que estamos vivendo hoje.

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Quando olhamos o mundo presenciamos uma cultura em mutação acelerada e a formação de uma nova cultura que se forma muito mais ligada à sustentabilidade. “A economia entrará num processo de desaceleração. A educação já mudou e será radicalmente diferente. No futuro, talvez as universidades se tornem clubes de aprendizados. A jornada educativa tradicional não atende mais”, prevê.
Ela ainda lembrou que não adianta esperar pelo governo, é necessário legislar junto ao governo. “Nós somos os protagonistas do País”.

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Foto: Douglas Lucena

O futuro do trabalho é verde

As maiores oportunidades estão na energia, na sustentabilidade e na nova cultura do planeta, na saúde, assim como as oportunidades de consumo estão nessas áreas.

“A visão de longo prazo a nossa missão. Somos conhecidos em algumas rodas como um país imediatista. O presente não tem sentido algum se não tiver o futuro como destino. O velho jeito de atender está sendo rechaçado pelo consumidor. Os negócios tradicionais começam a perder mercado. As startups estão aí, são disruptivas e estão cada vez com mais volume e dinheiro”.

Por que inovar e para onde ir?

O atendimento e a experiência do cliente são as amostras de como a sociedade mudou. “Se não olharmos para o futuro e voltarmos para o presente, estaremos olhando de forma errada. O futuro não pode ser visto do presente. Não é lógico. É necessária uma jornada explorativa”.

Segundo ela, a grande pergunta a ser feita é por que estamos inovando e para onde estamos indo?

Leia a edição 269 da Revista Consumidor Moderno

Humanidade nas relações digitais de consumo

Consumo é relacionamento e entrar na vida do outro. Estamos no mundo digital, mas ser digital não é viver o dia inteiro conectado no computador ou no celular.  “O que o consumidor quer agora a humanidade nas relações digitais. Está na hora de humanizar as experiências digitais mais do que nunca. O ato de compra define o meu estilo de vida. Como você quer vender se não conhece o meu estilo de vida?”

O consumidor no pós-pandemia e em um cenário de guerra, quer viver bem acima de tudo. Dessa forma, o produto ou serviço precisa ajudar as pessoas a viverem bem. “O mundo está mais integrado. Podemos integrar consumo, natureza e sustentabilidade. ESG é a toada da próxima década, e agora é para valer. Precisamos ser sustentáveis”.

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Foto: Douglas Lucena

Experiência completa

Já vivemos a época da experiência e estamos indo da experiência para o relacionamento. “Precisamos aprender a nos relacionar com o cliente, independente da venda. Isso potencializa a venda. Uma experiência completa tem foco na vida do cliente e em como o produto pode fazer com que a vida do cliente melhore”.

Jaqueline aproveitou para contextualizar a cultura do futuro que vai permear o consumo a partir de 2030. Afinal, o que for construído agora é o que vai acontecer lá.

De acordo com ela, saímos do antropocentrismoecocentrismo e, agora, entramos no biocentrismo, em que todas as formas de vida são importantes. “Vida no centro do debate é a coisa mais importante. O capitalismo está mudando aos poucos e vamos experimentar um novo tipo de economia”.

O respeito a todas as vidas, por exemplo, reflete em atitudes como as empresas não realizarem animais em testes de cosméticos.

Jaqueline também falou do conceito de neo humanismo, desenvolvida pelo indiano PR Sarkar, que prega o fim dos sentimentos separatistas e o andar em uníssono para a harmonia entre todas as espécies e o planeta. “Temos cerca de 3 milhões de ucranianos andando por aí, sem-terra, sem raiz e sem casa. Talvez, no futuro, não tenhamos mais fronteiras e passaportes”.

A economia do futuro é progressiva. “É não acumular e limitar o acúmulo de riqueza. Só serão ricos aqueles que a sociedade permite. Utilização máxima do recurso sem desperdício, variação progressiva de produtos e serviços, produzir o que precisa”.

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Riscos em 2022

Cibersegurança, Metaverso e falta de acesso em saúde. “Temos inúmeros desafios de saúde pelas frente. Se não tivermos acesso à saúde, o que resta?”, refletiu.

No consumo, também é necessário entender que tudo o que ocorre no mundo nos afeta. “A guerra da Ucrânia nos afeta de várias maneiras. Já vivemos uma escassez de recursos desde a pandemia. A parte boa é que vai acelerar, como a pandemia acelerou, a criação de novas fontes. Por isso, o consumo precisa se conectar a tudo o que está acontecendo no mundo”, exemplificou.

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