Como os países têm agido para regularizar as criptomoedas?

As criptomoedas movimentam debates no mundo dos negócios e faz com que países do mundo todo entrem na corrida para a sua regularização

Foto: Pexels

As criptomoedas têm chamado a atenção do mundo nos últimos tempos. No início de março, o presidente norte-americano, Joe Biden, assinou uma ordem executiva que autoriza a revisão da regulamentação dos ativos digitais no país. Com isso, a Casa Branca pretende delimitar os benefícios e riscos trazidos pelas criptomoedas e reforçar a liderança dos Estados Unidos no mercado financeiro e uma área que movimenta, hoje, cerca de US$ 1,85 trilhão.

O movimento de Joe Biden é um passo importante no processo de organização do sistema financeiro mundial em relação as moedas virtuais, pois sinaliza a preocupação da maior economia do mundo com o tema e também mostra um posicionamento. A ordem executiva norte-americana visa garantir a estabilidade financeira, a proteção dos investidores e a inclusão financeira acessível. Além disso, espera-se que a ação contribua para o combate do uso ilícito dos ativos na nação.

Após o anúncio sobre o documento, houve um salto nos preços do bitcoin, já que o mercado encarou de forma positiva a decisão norte-americana e ficou ainda mais confiante quanto ao investimento na moeda. Apesar da boa notícia, o setor ainda sofre instabilidade e espera o fim do conflito entre a Ucrânia e a Rússia para analisar novamente o ramo e dar o veredito sobre os rumos da criptomoeda.

As criptomoedas têm desempenhado um papel fundamental para suprir as necessidades da Ucrânia quanto ao abastecimento de comida, combustível e até coletes à prova de bala. Isso porque foram doados, através dos ativos, cerca de US$ 100 milhões ao fundo ucraniano, que inclusive, se manifestou favorável ao avanço desta moeda no mercado global. Na Rússia, por outro lado, muitas pessoas estão buscando bitcoins como forma de proteção contra uma inflação que pode assolar o país caso o conflito se arraste e as sanções impostas por outros países abalem ainda mais a economia local.

Leia mais: Geração Z e gestão financeira, na visão do Digio

Proibição e regularização dividem opiniões e agitam o mercado

Atualmente, muitos países vêm implementando medidas legais para este setor, regularizando ou proibindo tais transições em seus territórios, como é o caso da China, de El Salvador e da Alemanha.

No início de 2021, por exemplo, a China passou a combater a mineração e a transação de bitcoin, alegando o caráter altamente especulativo da moeda. A decisão – como não poderia deixar de ser – impactou diretamente a cotação das principais criptomoedas do mundo, que sofreram uma queda, assustando investidores.

A movimentação, no entanto, era parte do plano do país asiático para lançar sua própria criptomoeda oficial, o yuan digital, usado pela primeira vez em fevereiro deste ano durante a realização dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Pequim, depois de ter sido testada em várias cidades chinesas em transações de mais de US$ 8 bilhões no segundo semestre de 2021.

Já El Salvador, na América Central, se tornou a primeira nação a considerar o bitcoin como uma moeda legal em seu território, no início de 2022. A economia salvadorenha é pequena e já é dolarizada e a decisão do governo muda pouco a situação do país no cenário global. A Alemanha, apesar de mais tímida que o , também passou a considerar esta criptomoeda como forma de pagamento, assim como a Coreia do Sul e o Canadá.

Em 15 de março, uma proposta que poderia resultar no banimento do bitcoin em países da União Europeia foi rejeitada em uma votação apertada no Comitê de Assuntos Econômicos e Monetários do bloco. O texto questionava o processo de mineração da moeda e pedia uma regulação mais rígida. A decisão do Parlamento Europeu reforçou o poder do bitcoin.

De acordo com a Biblioteca do Congresso norte-americano, que realizou uma pesquisa sobre a regulação de bitcoins no mundo em 2021, 103 países orientam e incentivam a criação de regulamentos em torno da criptomoeda, enquanto que 42 proíbem, implicitamente, algumas ações relacionadas aos pagamentos virtuais. Ademais, 9 nações proíbem completamente as criptomoedas em seus territórios, sendo eles: Marrocos, Tunísia, Bangladesh, Argélia, Iraque, Egito, Catar e a já citada China.

O Brasil, apesar de não ter nenhuma regulamentação, vem apresentando sinais de uma possível legalização dos tokens e já existem mais de 5 projetos de lei que tentam, de alguma forma, facilitar o uso dessa modalidade de transação financeira.

Crescimento da criptomoeda é caminho sem volta

Para a gerente de vendas da empresa do ramo da administração condominial, OMA, Léa Saab Faggion, toda movimentação em torno das moedas digitais reforça que as criptomoedas apresentarão um alto índice de crescimento e consolidação no mercado financeiro nos próximos anos. “Podemos esperar uma ampliação do uso das moedas virtuais para a sociedade em geral, já que na medida em que o conhecimento e a confiança aumentar, as pessoas passarão a utilizar a cripto para pagar despesas diárias, por exemplo”, afirma.

O CEO da plataforma para negócios digitais, Ticto, Guilherme Petersen, endossa a mesma linha de raciocínio e sobre o futuro das criptomoedas: “os rumos são incertos por conta da dificuldade de regulação e de sua distribuição descentralizada. Apesar disso, acredito que a moeda virtual vai continuar crescendo e sendo cada vez mais adotada nos casos de transações digitais”, afirma.

Assine a nossa newsletter e receba os melhores insights sobre experiência do cliente  


+Notícias

Turismo do futuro: quais são as cidades mais promissoras às criptomoedas? 

A empatia pode existir no metaverso? 

 




Acesse a edição:

MAIS LIDAS

VEJA MAIS

ÚLTIMAS

VEJA MAIS