Uma bolsa linda de morrer?

Entenda o motivo do Procon São Paulo ter notificado um e-commerce de bolsa após uma nota de falecimento da fundadora da marca

Crédito: Unsplash

Contar uma falsa história sobre uma determinada marca não é um recurso muito original no universo da publicidade. Em 2014, o Conar (órgão autorregulador da publicidade no País) recomendou que a marca Dilleto “fizesse alterações em todos os conteúdos sobre a história da marca”. Em outras palavras, a ideia seria interromper a narrativa sobre o fundador da marca, “Nonno Vittorino” – um sujeito que nunca existiu de verdade.

Esta semana, consumidores foram apresentados a outros caso de uma marca que utilizou um storytelling com jeitão de fake e ainda adicionou uma generosa pitada mórbida.

Após denúncias de consumidores, o Procon São Paulo intimou a Triade Empreendimentos em Vendas Digitais, empresa responsável pela marca Netbags, a dar explicações sobre a suposta morte da fundadora da empresa.

Câncer

A história seria a seguinte. A marca, famosa por vender bolsas de luxos a preços acessíveis, publicou um comunicado no site informando a morte da fundadora da marca, Marcilene Fernandes Freitas. Ela teria falecido no dia  14 de fevereiro deste ano, após 5 anos de luta contra o câncer de mama.

“Aos seus 50 anos Dona Marcilene havia prometido aos seus pais, Sr. Aldo e Dona Mariana, que transformaria o mercado de luxo e alto padrão, tornando-o acessível para grande parte da população brasileira. O que não sabíamos é que essa promessa se tornaria uma missão e um grande propósito de vida”, afirma trecho da nota.

A nota é precedida de asterisco que detalha que a história possui elementos de  storytelling, o que não necessariamente significa que a tal morte seria verdadeira ou falsa. Até por conta disso, sequer é possível afirmar se Marcilene existe ou existiu.

Aliás, a nota de falecimento ainda está disponível para leitura. Veja AQUI.

O fato é que a história chegou aos ouvidos do Procon, que acabou notificando a empresa. Agora, a empresa deverá esclarecer o objetivo da peça publicitária e se consumidores reclamaram diretamente com a marca.

“Houve uma tentativa de criar comoção com uma história que não é real que pode ter levado muitas pessoas a decidirem pela compra”, afirma o diretor executivo do Procon-SP, Guilherme Farid.

Para Farid, a prática de contar uma história fictícia para atrair o consumidor é abusiva, além disso a empresa deve dar explicações para outros problemas e questionamentos apontados por consumidores.

Autenticidade dos produtos

Ocorre que um problema poderá resultar em outro para a companhia. Além de contar se a história seria verdadeira ou não, a marca precisará comprar até mesmo a autenticidade dos produtos vendidos no e-commerce da Netbags. O Procon-SP pediu a apresentação de documentos de aquisição junto aos fabricantes nos últimos seis meses.

A Triade deverá informar ainda quem são os representantes legais da empresa. As explicações deverão ser prestadas até o dia 25/4.


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