Quais tendências vão orientar as cadeias de suprimentos e logística?

O mercado está em constante transformação e as tecnologias não param de avançar, como aponta o relatório do Future Today Institute

Levar o produto de quem fabrica até quem precisa não é uma tarefa simples. A cadeia de suprimentos é um organismo vivo e dinâmico que precisa estar atento a todas as oportunidades que existem para tornar a entrega ao cliente cada vez mais rápida e barata.

O relatório Tech Trends 2022 do Future Today Institute elenca algumas tendências que o mercado apresenta e desenvolve para melhor experiência ao cliente e logística das empresas que compõem a cadeia. Acompanhe.

Robôs como serviço, colaborativos e autônomos

A robótica e a automação na nuvem já estão permitindo o escalonamento rápido de aplicativos robóticos e dando aos desenvolvedores a chance de testar, aprender, simular e compartilhar códigos com mais velocidade em uma plataforma eficiente. O robô como serviço – robot as a servisse ou RaaS – é uma realidade em empresas como a Amazon e tende a ganhar mais espaço no mercado nos próximos anos.

A versão mais recente do AWS RoboMaker, por exemplo, possui imagens de contêineres, permitindo que os clientes usem as ferramentas que estão mais familiarizados para fazer a gestão dos mesmos.
Os robôs colaborativos – os cobots – aqueles que auxiliam em atividades comuns, também seguem sendo uma tendência e devem ganhar cada dia mais espaço uma vez que têm se tornado mais leves e ágeis para a realização de todo tipo de tarefa ao lado dos humanos.

O uso de diversos robôs autônomos programados para atuar juntos de forma coordenada é uma tendência quando as tarefas são mais complexas. Há, segundo o relatório, um número crescente de startups desenvolvendo programas para organizar “enxames” de robôs para trabalhar em uma dinâmica de rebanho, principalmente na área ambiental e também para fins agrícolas.

Quando o assunto é automação, o desenvolvimento tecnológico não para e envolve outras formas de concepção física do que é um robô.

Tentativas de criação de robôs automontáveis, por exemplo, estão em andamento, como o projeto Roombots, criado pelo Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Lausanne, e o SMORES-EP do Laboratório de Robótica Modular da Universidade da Pensilvânia. A ideia é que a própria máquina possa se auto-reconfigurar fisicamente, fazendo a substituição de partes modulares.

Além disso, há também a chamada robótica suave – soft robotics – concebida através do uso de matérias flexíveis e capazes de se manter de forma fluída, se adaptando ao ambiente e detectando mais situações do que um robô tradicional. Máquinas com essa tecnologia poderão lidar com itens delicados com mais segurança no futuro.

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Poeira Inteligente

Conhecida também como microelectromechanical systems, ou MEMS, a poeira inteligente representa um novo método de engenharia de materiais em um nível atômico e é uma forte tendência para os próximos anos.

Os MEMS podem coletar dados como a aceleração, altitude, pressão e muito mais. Hoje em dia essa tecnologia já é usada no controle de drones, controladores de jogos, câmeras digitais, smartphones, wearables e sensores e telas de pressão, entre outros.

É provável, de acordo com o relatório, que nos próximos anos, a poeira inteligente seja usada nos mais diferentes tipos de dispositivos, não apenas capturando informações sobre o ambiente, mas também tomando decisões sobre como responder às situações.

A fragilidade da cadeia de suprimentos

O Tech Trends 2022 aponta que a pandemia expôs a fragilidade da cadeira de suprimentos a nível global. De semicondutores a contêineres, hoje um único componente pode lançar uma cadeia de suprimentos inteira no caos. Em seu World Economic Outlook, o Fundo Monetário Internacional (FMI) mostrou que as questões de transporte reduziram o crescimento econômico global de meio ponto percentual para um.

As empresas de tecnologia estão desenvolvendo soluções para enfrentar essas condições desafiadoras. A Oracle desenvolveu um novo sistema de gerenciamento de logística que incorpora previsões inteligentes de tempo de trânsito, recursos de remessa, assistentes digitais multilíngues e análise comercial global avançada. Já a Attabotics, segundo o relatório, fornece um sistema de armazém robótico 3D que pode ajudar as organizações a armazenar a mesma quantidade de mercadorias em uma fração do espaço físico.

A importância da verificação

O rastreio e verificação de proveniência dos produtos vem se tornando um componente crítico para a cadeia de suprimentos. É cada vez mais necessário manter a transparência diante do consumidor e localizar rapidamente os produtos recolhidos. Isso significa que as empresas precisarão garantir que tenham uma solução para atender aos requisitos de conformidade em constante mudança.

O Walmart, por exemplo, usa a tecnologia blockchain para rastrear as origens de mais de 25 tipos de produtos. Incluindo todas as verduras que são vendidas em suas lojas. Mas não é só o varejo comum que está se movimentando. Para fornecer verificação de um item específico individual, marcas de luxo como Prada e Gucci criaram NFTs (tokens não fungíveis) exclusivos que permitem ao cliente final visualizar o histórico de um produto desde a criação até a venda

Sustentabilidade, economia circular e cadeia de produtos frios

Hoje em dia não há como falar sobre cadeia de suprimentos e não pensar também em sustentabilidade. As mudanças e expectativas no mercado estão levando as empresas a tomarem hábitos mais sustentáveis, aponta o relatório do Future Today Institute.

Um exemplo disso é o uso do QR Code. Muitas empresas estão aproveitando os códigos em suas embalagens para se conectar com os consumidores oferendo informações sobre a origem e o histórico dos produtos relacionadas à sustentabilidade.

 

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Neste aspecto, o relatório aponta a tendência de crescimento da economia circular, o avanço de startups dessa área está tão em alta que novos modelos estão surgindo, principalmente na indústria da moda. Um exemplo disso é a empresa de roupas Circos, que reduz o impacto ambiental de acordo com o vestuário já nos primeiros anos de vida de uma criança, fornecendo tamanhos maiores conforme a pessoa cresce e reciclando itens que não a servem mais.

De mantimentos a vacinas e terapias genéticas, a cadeia de produtos frios está se tornando uma parte maior da cadeia de suprimentos diária, demandando cada vez mais investimentos em transportes seguros que mantenham a temperatura estável para que os produtos não estraguem.

De acordo com o Biopharma Cold Chain Sourcebook 2020, a estimativa de gastos globais em logística de cadeia de frios biofarmacêutica atinjam US$ 21,3 bilhões até o ano de 2024, um aumento que já é perceptível nos dias de hoje.

Impressões 3D e análise de dados usando a internet industrial

Conhecida popularmente como impressão 3D, a manufatura aditiva (MA), um método de fabricação que permite produzir objetos de forma rápida através de um modelo digital e sem uso de moldes tem se expandido com o uso de metal, cerâmica e matérias biológicos.

Os próximos anos devem trazer grandes novidades, com novas tecnologias indo além das limitações geométricas, de qualidade de superfície e de materiais para criar elementos moldáveis e componentes auto-reparáveis. Os avanços na MA já estão até abrindo novas possibilidades na medicina e na ideia de produção fora do planeta, uma área atualmente pesquisada pela NASA.

Drones e transporte

O mercado de drones, segundo o Future Today Institute, deve crescer de US$ 15 bilhões em 2020 para mais de US$ 90 bilhões em 2030, reforçando suas ações em setores como agricultura, defesa, segurança pública, monitoramento climático e empresas em geral.

E se um drone já é de grande utilidade, um “enxame” de drones pode ser ainda mais. Os drones em maior quantidade permitem que a funcionalidade coletiva traga melhores resultados para agilizar as entregas, por exemplo.
À medida que os drones e aeronaves especializadas forem se desenvolvendo serão cada vez mais necessárias as pistas áereas para dar suporte à esses equipamentos.

O uso e a ideia de taxis voadores ainda levanta discussões e questionamentos, mas já vem ganhando investimentos, um exemplo disso é a NASA, que lançou sua Campanha Nacional de Mobilidade Aérea Avançada, com o objetivo de estabelecer parcerias com empresas e agências governamentais.

No chão, o desenvolvimento de veículos autônomos para entrega na “última milha” deve crescer muito nos próximos anos tornando as compras online em experiências muito mais completas na medida em que o tempo de espera para o recebimento do item comprado é muito pequeno.

Já os automóveis devem ganhar cada vez mais dispositivos de segurança e navegação, se transformando em verdadeiras biosferas veiculares. Tudo isso de forma sustentável. Além disso, o desenvolvimento de baterias mais eficientes e também a expansão de redes de abastecimento alternativas deve mudar as rotas e tornar a cadeia de suprimentos mais limpa sem que haja perda de eficiência.

*Por Giovanni Witzler.

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