Web 3.0: ameaça ou aliada? Você está preparado para as mudanças que estão por vir?

“Não quero ser o cavaleiro do apocalipse, mas a sociedade vai mudar, assim como mudou com a web 2”, alerta especialista em inovação digital e redes sociais, Juliano Kimura, CEO da Trianons

Juliano Kimura, CEO da Trianons (crédito: Douglas Luccena)

Você já parou para pensar em quanta coisa mudou com os empreendedores de aplicativos? E no quanto as redes sociais transformaram as nossas vidas? “Essas mesmas mudanças vão acontecer de novo com a web 3”, prenuncia Juliano Kimura, CEO da Trianons, especialista em inovação digital e redes sociais e autor de “O livro secreto das redes sociais”.

Mais conhecida como a Terceira Onda da Internet, a Web 3.0 é construída sobre os conceitos centrais de descentralização, abertura e maior atuação do usuário e é uma evolução da versão atual, web 2.0. Confira o bate-papo com o especialista em redes sociais, em que falamos sobre blockchain, web 3.0 e o uso saudável das redes.

Consumidor Moderno – Como deixar as redes sociais menos tóxicas e aproveitá-las melhor?
Juliano Kimura – As redes sociais são uma espécie de espelho do que as pessoas consomem e usam. Todos os algoritmos notam o que você viu e gostou, e começam a mostrar cada vez mais daquilo. Se as redes sociais, de forma geral, mostram muita violência, provavelmente é porque você viu uma notícia violenta e ele começa a te bombardear com informações parecidas. Se você quiser mudar isso, tem que sair da bolha, procurar páginas em que, por iniciativa própria, você começa a seguir ou interagir. Aí você vai perceber que as redes sociais vão ficar menos tóxicas e mais saudáveis porque será o reflexo de cada uma das escolhas que você está tendo. Essa educação – netiqueta – ainda é algo embrionário. As pessoas precisam ter um pouco mais de educação e fazer um uso consciente da tecnologia. Vilanizar a tecnologia não é a melhor forma. Ela traz coisas tão legais que precisamos aprender a usá-la da melhor forma possível.

CM – Quais dicas você dá para usar as redes sociais de forma saudável de forma pessoal e para o negócio?

JK – São cinco:

  1. Existe um botão que quase ninguém usa que é “não quero mais ver coisas sobre isso”. As pessoas usam muito os botões de curtir e os comentários, mas esquecem do não quero ver mais.
  2. Se você tem assuntos de mais interesse, comece a frequentar grupos e a se conectar com pessoas que falam sobre o tema para você cultivar essas conexões.
  3. Perfeccionismo: se você está na rede, está para se molhar, ou seja, se você publicar algo, esteja preparado para ter pessoas que discordam. Respeitar essa pluralidade de ideias é a coisa mais importante e bonita da internet. Trate as pessoas como você gostaria de ser tratado.
  4.  Se você for compartilhar algo, verifique antes os fatos.
  5. Não leia só o título. Vá a fundo para tirar as suas próprias conclusões. Não falar bobagem é mais importante do que popularidade.

CM – Qual rede você mais acha interessante?
JK – A rede social de live stream Twitch tem despontado muito. O TikTok ainda está tomando forma. As pessoas que estão lá são aquelas que não encontraram seus lugares nas próprias redes. A rede que mais gosto é a Discord, um aplicativo de bate-papo. As virtudes são o controle, a inteligência por trás, a colaboração e por ser algo realmente criado para a comunidade. Entre as redes populares – LinkedIn, Instagram e Facebook, prefiro o LinkedIn, além do Medium, que é uma rede de conteúdo com altas qualidades, em que as pessoas escrevem artigos. É gostoso ler o que está lá, faz bem.

CM – Em termos de tendências, o que temos? Você já viu uma rede social em blockchain?
JK – Em termos de tendências, está em voga a cultura de descentralização total, que envolve blockchain e web 3. Esse é o fantasminha que está assombrando o que acontece agora. Já vi uma rede social e um site em blockchain. O fantasma consiste em tudo o que está na blockchain virar uma tecnologia que torna sites invioláveis ou incensuráveis.

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CM – O que é a tecnologia descentralizada?
JK – É uma base de dados distribuída, ou seja, não existe um banco de dados único. Você pode hospedar algo na blockchain, que é impossível de ser retirado. Uma vez colocado lá, não pode ser retirado. Essa tecnologia emergente tem sido a base do metaverso e da web 3. É uma tecnologia que torna possível um site ser incensurável porque a base de dados existe em milhares de lugares simultaneamente.

CM – É possível editar?
JK – A única pessoa que consegue editar é o proprietário daquela chave. É como se fosse um cofre, em que a pessoa entra lá e edita as informações. As informações são públicas na rede e dá para ver o que foi editado.

CM- Em quanto tempo isso tende a chegar no Brasil?
JK – Isso deve pegar no Brasil em dois anos, pois a mudança está em ritmo acelerado e atingirá o ápice entre sete a dez anos.

CM – Em que isso implica para quem está na rede?
JK – Tendo poder sobre a rede em si, muita coisa vai mudar: sistema financeiro, sistema jurídico, contratos, organizações. Hoje temos um estudo sobre as organizações automatizadas descentralizadas conhecidas como DAO.

CM – Pode dar um exemplo?
JK – Imagine um sistema público que é gerido através de votações e regras, onde os votos são arquivados na blockchain. Por exemplo, essas regras podem ser programadas, ou seja, posso criar uma regra de que uma licitação pública vai passar por votação e, se tiver mais de 60% dos votos, é aprovada e o dinheiro é disparado automaticamente por sistema. E a operação não pode ser revertida. Apertou o botão, já era. Não quero ser o cavaleiro do apocalipse, mas a sociedade vai mudar, assim como mudou com a web 2.

CM – E qual é o nosso desafio?
JK – A tecnologia não pode ser freada. O maior desafio é a educação, a capacitação e a compreensão para tudo isso chegar na massa e ela entender que isso beneficia toda a sociedade. Tudo sem medo. Em um primeiro momento parece um negócio apocalíptico, mas os benefícios da tecnologia para a sociedade são maiores do que os danos.

 


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