Apps de delivery: inimigos ou facilitadores dos restaurantes físicos?

Pesquisa mostra que os serviços de entrega têm aumentado a base de clientes dos estabelecimentos gastronômicos de rua

Desde antes da pandemia, os aplicativos de delivery já davam sinais de que realizariam uma mudança considerável no comportamento do consumidor: ao invés de sair para o restaurante, um movimento de trazer a comida até em casa ficou cada vez mais frequente. E isso provocou um novo perfil de consumo para o segmento gastronômico, especialmente para os estabelecimentos físicos.

Afinal, é fato que, após dois anos de isolamento social, o setor de entregas cresceu e muito: dados da pesquisa Consumo Online no Brasil, realizada pela Edelman e PayPal, mostram que, na pandemia, ao menos 66,1% dos brasileiros pediam um serviço de delivery ao menos uma vez na semana.

O que surpreende em toda essa movimentação dentro do segmento gastronômico, no entanto, é que o efeito do delivery na verdade não desbancou completamente os restaurantes físicos: o que ocorre agora é que, motivados pelo próprio delivery, os consumidores têm saído mais de casa para conhecer o estabelecimento físico de restaurantes que já conheciam apenas pelo serviço de entregas.

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“Essa é uma mudança estrutural para esse setor tão relevante da economia, principalmente nas capitais do país. As pessoas continuam comendo fora e valorizando muito esse hábito, mas agora utilizam os aplicativos também como um meio de ter a experiência primeiro em casa — e só então satisfazê-la na rua”, explica Daniela Malouf, diretora-geral do QualiBest.

A convergência do físico com o digital no setor gastronômico

De acordo com um estudo do Instituto Qualibest, que pesquisou o perfil de consumo em estabelecimentos gastronômicos, essa ascensão do setor de delivery não só foi importante para manter o funcionamento dos restaurantes como, agora, funciona bem para a aquisição de novos consumidores.

Segundo o relatório, seis em cada 10 pessoas que escolhem um restaurante para sair já experimentaram o menu em casa, via aplicativo. “Ao mesmo tempo que levam os pratos prontos para os clientes, os aplicativos parecem estar fazendo, assim, o trabalho de conectar preferências gastronômicas aos restaurantes que são capazes de dar conta delas”, completa Malouf. “É um efeito de antecipação da experiência”.

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Fonte: Instituto Qualibest.

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Outro ponto importante, relatado no estudo, é que cerca de 70% dos entrevistados afirmaram que preferem conhecer novos estabelecimentos e preparos alimentícios pelas plataformas de delivery mais conhecidas, como o iFood e o Rappi.

E vale destacar que esse número, concretizado após pesquisa com 1.200 pessoas entre os dias 10 de fevereiro e 22 de março deste ano, já representa um aumento de 12 pontos percentuais em relação ao mesmo período em 2020.

“Nossos dados mostram que o serviço não é apenas de entregar comida: ele fornece conhecimento sobre o que há de disponível no ambiente gastronômico da região do cliente e antecipa a experiência dele. É assim que os aplicativos se tornaram plataformas de experimentação e de validação dos restaurantes por parte dos consumidores”, analisa Malouf.

Mas ainda há quem prefira pedir o delivery para comer em casa

Ainda que o retorno às atividades presenciais esteja mais forte em 2022, ainda existem consumidores dispostos a experimentar novos estabelecimentos apenas no conforto de casa. O estudo da Qualibest mostra que 68% dos entrevistados estão saindo menos para comer fora desde que descobriram os aplicativos de delivery.

Esse marco também mostra o quanto esses aplicativos têm se tornado influentes, posto que 50% das pessoas ouvidas pela pesquisa destacam que gastam mais dinheiro no serviço de delivery desde que começaram a utilizá-lo. Para se ter ideia, o ticket médio de consumo nesses serviços saltou de R$ 43,78 em 2020 para 59,20 em 2022, um acréscimo de 35%.

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“Esse é o principal impacto da facilidade que essas plataformas oferecem – até porque nosso estudo também mostra que os pedidos não são feitos apenas em momentos comuns, como finais de semana, mas também porque as pessoas querem acessar novos gostos gastronômicos”, finaliza Daniela Malouf.


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