O futuro do coliving estudantil no Brasil

Modelo de moradia universitária que faz sucesso nos Estados Unidos cresce no Brasil e ganha adeptos

Foto: Shutterstock

Quem precisou deixar a cidade natal para cursar uma faculdade em outra localidade conhece bem os perrengues da vida universitária. E a moradia, certamente, é responsável por alguns deles. Encontrar um lugar para morar; selecionar pessoas com propósitos e rotinas em comum para dividir o espaço e ‘rachar as contas’; negociar o aluguel com imobiliárias; aguardar o conserto de um cano que estourou, de um azulejo que despregou… tudo isso faz parte de uma imensa lista das dificuldades relacionadas à moradia, típicas da vida universitária. Porém, problemas como estes podem ficar para trás com o crescimento do coliving estudantil.

Sucesso em países como Estados Unidos, Reino Unido e China, prédios de moradia estudantil que oferecem quartos coletivos ou individuais e ambientes comuns ganham espaço no Brasil e representam inovação para o setor imobiliário.

Assine a nossa newsletter e fique atualizado sobre as principais notícias da experiência do cliente

Coliving estudantil ganha espaço no Brasil

Se você assiste filmes com certa frequência, certamente já deve ter visto algum enredo que se passa em universidades norte-americanas e mostra aventuras de estudantes que vivem em moradias compartilhadas nos arredores da faculdade.

O coliving estudantil faz sucesso em diversos países – tanto que, segundo o relatório Global Coliving Report 2020, este mercado movimentou 7,9 bilhões de dólares em investimento no ano passado, um crescimento impressionante se comparado com 2019, que registrou 3,75 bilhões de dólares.

Apesar do sucesso – e da tradição – em outros países, no Brasil, o coliving sempre perdeu para as tradicionais repúblicas – organizadas e administradas pelos próprios estudantes. Agora, este cenário pode mudar.

Com mais de 8 milhões de estudantes universitários, o mercado de moradias estudantis vem chamando a atenção de investidores do setor imobiliário. Recentemente, a Uliving, a VBI Real Estate e o Grupo Ânima anunciaram que nos próximos sete anos devem construir até 15 prédios de residências, com cerca de 5 mil camas. O investimento pode totalizar 800 milhões de reais.

“Somos a primeira empresa no país a fazer esse tipo de empreendimento, conectando a moradia dos estudantes ao campus. Assim como já existe em diversos países do mundo, haverá muito crescimento desse setor no Brasil, pois a moradia representa uma parte importante na formação do aluno, potencializando sua experiência universitária”, justifica Juliano Antunes, fundador e presidente da Uliving, startup de moradia estudantil fundada em 2012 que, atualmente, administra seis empreendimentos do tipo com um total de 1500 camas.

Mas, considerando que o Brasil sempre teve um número grande de universitários, porque o coliving não fez sucesso até agora? Ou mesmo, porque não houveram investimentos neste modelo de negócios até então?

Para Juliano Antunes, a resposta engloba um conjunto de fatores, entre eles, o histórico atraso do país no que se refere a inovações, o cenário econômico e a ausência de investidores estrangeiros.

“O Brasil sempre esteve alguns passos atrás de outros países em alguns setores, mas, nós da Uliving, olhamos o que o mercado estava fazendo e trouxemos o conceito para cá. Além disso, antes, o cenário econômico também não era favorável, pois tínhamos um histórico de juros altos, o que não permitia desenvolvimentos voltados para renda”, enumera o fundador da startup.

Outra mudança elencada pelo presidente da Uliving é a presença de investidores institucionais. “A vinda recente de investidores institucionais para o Brasil e o fluxo de capital estrangeiro ajudou bastante, principalmente com a queda de juros no país, somando a isso o crescimento no setor de educação superior”, avalia o presidente da Uliving.

Outro obstáculo típico deste modelo de negócio que pode ter atrasado a presença dos coliving no país, segundo Juliano Antunes, é a necessidade de capital intensivo para ganho de escala, uma vez que, por se tratar de um negócio com base imobiliária, cada empreendimento requer um grande volume de capital, além do tempo necessário para o desenvolvimento de cada empreendimento.

“Cada novo empreendimento requer um tempo de desenvolvimento grande, desde a prospecção, projetos, aprovações e construção”, explica.

As características do coliving

Um estudante que decide viver em um coliving pode escolher entre um apartamento individual ou mesmo dividir quarto com outros estudantes. Além disso, pode usufruir de áreas comuns para estudo e lazer, como coworking, salas de estudo, sala de tv, cozinhas compartilhadas e outros espaços de convívio.

Os perrengues relacionados ao aluguel e ao compartilhamento de espaço também não são problema neste modelo de moradia compartilhada. No coliving, universitário não precisa se preocupar com questões burocráticas para o aluguel do espaço, como fiador, por exemplo, e o imóvel já vem mobiliado, sem necessidade de mudança.

As contas – como internet, energia, água e gás – e a limpeza dos espaços também já estão todas inseridas no aluguel, que começa em R$ 1 mil, dependendo do tipo de moradia e do local escolhido. A manutenção dos espaços, como trocas de lâmpadas e chuveiros queimados e reparos na estrutura também está incluída nos pacotes.

“Outro ponto que vale destaque é que os empreendimentos são projetados com objetivo de favorecer o convívio em comunidade, para que se aproveite ao máximo a experiência universitária”, explica Juliano Antunes, que completa:

“A diferença entre nossos empreendimentos e um apartamento convencional está na gestão da comunidade, onde criamos diversas atividades para fomentar a integração entre todos os moradores”.

Confira, a seguir, uma lista com as principais características do coliving, elaborada pelo fundador e presidente da Uliving:

  • Gestão profissional do espaço, com equipe presente 24 horas, disponível para oferecer suporte e promover atividades dentro dos prédios;
  • Facilidade de contratação – com contratos digitais, sem burocracias e sem necessidade de fiador;
  • Conforto e praticidade – todos os apartamentos são mobiliados e todas as despesas estão previstas e inclusas no valor do aluguel;
  • Especialização e credibilidade – por atuar em um nicho específico, com estudantes universitários, as empresas de coliving mantém relacionamento de proximidade com as universidades, o que permite entender as demandas dos moradores, conseguindo, assim, agregar valor ao aluguel da moradia;
  • Segurança – os ambientes são controlados e monitorados 24 horas, oferecendo mais tranquilidade e segurança aos pais que estão distantes e aos estudantes.

Assine a nossa newsletter e fique atualizado sobre as principais notícias da experiência do cliente


+ Notícias

Mudanças no setor imobiliário após a pandemia 

Millennials estão voltando para a casa dos pais




Acesse a edição:

MAIS LIDAS

VEJA MAIS

ÚLTIMAS

VEJA MAIS