Metaverso pode repetir os mesmos erros das redes sociais?

O metaverso sob as lentes ESG (Environmental, Social and Governance) estaria fadado a cometer os mesmos erros já vivenciados nas redes sociais?

Foto: Pexels

As redes sociais convivem há algum tempo com vários pontos de tensão em ESG. O maior deles: fake news. A criação, reprodução e compartilhamento de notícias falsas gerou (e ainda gera) um grande desserviço para a sociedade e inúmeros debates sobre responsabilidades. Com o avanço da implementação do metaverso, é possível que a nova realidade digital repita os mesmos erros cometidos nas redes?

Mas este é apenas um dos aspectos do mau uso das redes sociais quando pensamos em ESG. Com essa agenda ganhando importância na sociedade e nas diretrizes de empresas, essa preocupação se estende para novas tecnologias, e com a penetração do metaverso na vida digital de empresas e consumidores uma questão emerge:

Metaverso pode repetir os erros das redes sociais?

Nesse “mundo paralelo” criado através do metaverso, todos nós corremos os mesmos riscos das redes sociais. Riscos estes que o mercado parece ainda não ter trazido à luz de uma análise mais apurada: o metaverso sob as lentes ESG.

Para Maria Silvia Monteiro, Head de ESG na Bravo GRC, empresa de tecnologia e consultoria, o modelo que temos de rede social é como uma “fase anterior” do metaverso, fase essa, que já não vinha cumprindo com os temas conectados ao ESG.

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Para a especialista, sem uma governança consciente há um potencial concreto para o metaverso já nascer com os vícios e erros do modelo de rede social que conhecemos.

“Isso significa que estamos tendo uma oportunidade única de criação de uma plataforma mais consciente. Olhar para as redes sociais, entender a matriz de riscos, e criar o metaverso com as lentes da boa governança que coloca o ser humano como centro”, reflete Maria Silva.

Sem esse cuidado, a especialista avalia que além de fake news, o metaverso poderá colocar em práticas diversas outras questões já vivenciadas nas redes sociais. “Essa convergência de diferentes plataformas que temos atualmente facilita a ação criminosa, por exemplo. Um ambiente que simule com maior precisão a realidade possibilita que as pessoas estejam mais suscetíveis à desinformação”, completa.

Sem dúvida, a insegurança digital que já vivenciamos, o aumento de crimes virtuais e ciberataques, roubo de dados pessoais e de empresas, tudo isso e muito mais pode ganhar novos contornos no metaverso se as experiências neste novo ambiente não estiver sob a ótica de empresas e marcas atentas às práticas ESG.

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Maria Silva ressalta que problemas crescentes com saúde (mental e física), já associados ao uso excessivo de equipamentos digitais e horas e horas em frente a telas, podem ser agravados com o metaverso. Neste sentido, a evolução das tecnologias não se traduz em uma evolução mais humana, diz Maria Silva.

“Ela mostra que precisamos debater e aprofundar as questões de ESG e Governança dentro deste novo ambiente virtual para que não estejamos caminhando para uma sociedade mais doente e endividada, cega por compartilhar pontos de vista duvidosos e nos distanciarmos da realidade”.

Nesse sentido, o psicólogo e professor de Harvard, Daniel Scharter diz que o metaverso poderia causar o que ele classifica como “erro de atribuição”. “Parece ter o potencial de causar certas confusões mentais entre o que acontece no ambiente real e no ambiente digital. Se eu fosse estudar sobre esse tema, teria interesse em pesquisar esses efeitos especificamente”, diz Scharter.

Um metaverso para o bem

Por outro lado, o contrário também pode acontecer. As ações criadas no metaverso – assim como em outras redes sociais – determinam aquilo que esperamos como resultado.

Porém, no metaverso, o poder da imersão e suas interações semelhantes ao mundo real, pode despertar sensações e sentimentos que podem ser um atalho para ações construtivas em ESG.

Caso do “efeito Proteu”, fenômeno de como as pessoas mudam seu comportamento em mundos virtuais com base nas características de seu avatar. Um estudo publicado na Nature, por exemplo, demonstrou que homens que haviam praticado violência doméstica e colocados em uma experiência metaverso no lugar de corpos virtuais de mulheres, vivenciando um cenário de agressão, passaram a ser mais capazes de reconhecer o medo e a infelicidade nos rostos das mulheres.

Tal descoberta é de extrema importância para tratamentos, uma vez que ser capaz de reconhecer as emoções dos outros é considerado um problema bastante ligado ao comportamento agressivo.

Para Tati Gracia, analista comportamental e diretora de Excelência de Marketing na Mondelēz Brasil, quem nos conta esse exemplo, o metaverso tem hoje o desafio de uma “reinvenção de um Marketing cada vez mais empático, inclusivo e digital”. “O metaverso é uma oportunidade de construirmos um mundo, ainda que digital, melhor”, destaca Tati.

Não há dúvidas sobre o poder do metaverso. Mas, o metaverso também tem seu inverso. Um poder que pode criar uma cortina para muitas desigualdades, interesses e outros problemas bem reais. O metaverso pode ser compreendido como entretenimento, um subterfúgio da realidade, ou ainda um potencializador de ações significativas para a evolução da sociedade. E, por enquanto, essa escolha ainda é humana.

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