Por que o mercado de usados cresceu tanto? CEO da Precifica responde

Inflação, aumento da taxa de juros e sustentabilidade enriquecem o mercado de segunda mão

Foto: Pexels

Na hora de buscar por um produto novo, você considera escolher algum que seja de “segunda mão”, ou seja, itens usados? Se a resposta é quase sempre negativa, saiba que você faz parte de uma ínfima estatística.

De acordo com um estudo da ThredUP, produzido em maio deste ano e realizado nos Estados Unidos, considerando todas as faixas etárias, 93% dos compradores norte-americanos já estão mais abertos a comprar produtos usados, sobretudo quando os itens são mais voltados a roupas, calçados, eletrônicos e eletrodomésticos. O resultado apresentou inclusive um crescimento desmedido desde antes na pandemia (2019), quando esse desejo de consumo compreendia apenas 70% dos entrevistados.

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O mercado brasileiro, vale destacar, também tem seguido a mesma onda do norte-americano. Cada vez mais o segmento de usados cresce por aqui, um resultado não apenas da descoberta de sites e aplicativos que anunciam esse tipo de produto, como também de uma ressignificação na forma de consumir.

Em entrevista exclusiva à Consumidor Moderno, o CEO da Precifica, Ricardo Ramos, comentou sobre o assunto. Para ele, esse aumento na demanda por parte do consumidor também é resultado da crise econômica do País. “O mundo todo vive um cenário de altíssima inflação. No Brasil, estamos encostando na máxima histórica dos últimos 20 anos”, explica.

Mercado de usados tende a evoluir no mesmo ritmo da inflação

É evidente que a maior motivação do brasileiro é comprar um produto mais barato, ainda que de segunda mão. O mercado por si só é aquecido por vendedores e consumidores: uma oportunidade de conseguir renda extra com produtos que já não são tão interessantes para um lado da operação, e outra para quem deseja aquele item em específico por um preço mais amigável.

E esse motivador monetário, comenta o CEO, está muito alinhado com a alta da inflação, mas não é de todo ruim: instiga a melhora de um mercado próspero. “O cenário explica o aumento da procura por alternativas de consumo e o surgimento de novos modelos de negócio voltados para os menos endinheirados. São exemplo a venda de produtos usados, a compra coletiva de itens de supermercado e a venda de produtos próximo a validade”, complementa o Ricardo.

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Ele também destaca que essa redução do poder de compra do brasileiro está muito relacionada à compra de bens duráveis, que já são tradicionalmente mais caros. “Itens de necessidade básica estão ficando muito mais caros, como alimentação, e assim, sobra menos dinheiro da renda para consumo de produtos de necessidade não básica, como vestuário e bens para casa”, acrescenta.

Se o produto fica mais caro, como tem acontecido com a inflação e com a taxa de juros, que está retornando ao patamar de cinco anos atrás, o mercado de usados ganha mais destaque. E se os juros são muito altos, o consumo comum começa a cair.

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“O Brasil possui mais de 80% da população enquadrada nas classes C, D e E. Logo, é de se esperar que a aquisição destes produtos seja através de parcelamento, que está cada vez menos atrativo. Isso aumenta o consumo de usados”, completa.

Para além do dinheiro: um valor estratégico e sustentável

Embora o principal motivador da compra de usados seja o dinheiro — de acordo com o estudo da ThredUP —, o preço da operação não corresponde ao motivo total da busca por produtos usados. A pesquisa inclusive destaca 2 em cada três entrevistados acreditam que seus hábitos individuais de compra têm um impacto significativo no planeta, e compram itens usados pelo viés sustentável.

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Não obstante, o estudo também revela que 82% dos entrevistados sentem uma emoção positiva quando compram produtos de segunda mão e 74% deles disseram que as roupas usadas já são mais aceitas pela sociedade do que eram cinco anos atrás.

A sustentabilidade, dessa forma, aparece como um motivador tão importante quanto o dinheiro, sobretudo quando o público é voltado para a Geração Z.


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