O que podemos aprender com empresas que cresceram na pandemia?

Visão centrada no cliente é necessário para inovar, oferecendo o que as pessoas precisam mesmo em tempos de instabilidade econômica

Fonte: Shutterstock

É certo que a pandemia de covid-19 foi bastante prejudicial para muitos empreendedores. Segundo dados do Ministério da Economia, em 2021, 1,4 milhão de negócios formais fecharam, especialmente do comércio varejista, promoção de vendas e lanchonetes. Em 2020, foram 1,04 milhão de negócios fechados. Por outro lado, também houve empresas que cresceram na pandemia e muitas se tornaram grandes cases de sucesso sobre empreendedorismo mesmo em tempos de instabilidade.

O relatório do Ministério da Economia aponta para a necessidade de avaliar os dados com cuidado, uma vez que muitas das empresas fechadas nesse período encerrariam suas atividades mesmo sem pandemia. Isso dificulta a análise do motivo desses fechamentos, que podem envolver, além da própria crise, problemas de gestão e administração. Então, o que será que as empresas que cresceram nesse período fizeram? E o que podemos aprender com elas?

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Empresas que cresceram na pandemia se adaptaram
às novas demandas

A digitalização, sem dúvida, foi um fator que ajudou a alavancar os negócios em 2020 e 2021. Um levantamento da Neotrust, empresa que monitora o e-commerce brasileiro, mostrou que esse setor apresentou faturamento recorde no ano passado, crescendo 26,8% comparado com 2020. O número de pedidos cresceu 16,9% e o ticket médio aumentou 8,6%.

Principalmente durante os períodos de restrições mais intensas, o brasileiro precisou se adaptar e adotar novos hábitos de consumo. Por exemplo: em 2020, 13 milhões de pessoas fizeram compras online pela primeira vez. E, no pós-pandemia, 23,5% pretendem continuar fazendo compras online diárias e 32%, semanais, segundo um estudo realizado pela Edelman.

Ou seja: a primeira lição é estar preparado para atender às novas necessidades dos consumidores. No contexto da pandemia, saíram na frente as empresas que já vinham investindo em digitalização.

“Engana quem pensa que só pequenas empresas tiveram que se adaptar à pandemia e mudar seu modelo de negócio. A própria Disney sofreu alguns problemas e quedas nas ações durante o início da pandemia – quando falamos da marca, logo lembramos o parque de diversões e também o cinema que foram afetados na pandemia por conta do isolamento. Porém a marca também se adaptou e lançou sua plataforma de streaming Disney+, que foi ao ar no final de 2020 no Brasil. Uma das maiores marcas do Brasil, a Magazine Luiza também passou pelo processo de transformação digital de seu modelo de negócio, onde precisou fortalecer a logística e serviços da sua loja on-line”, comenta o CEO da agência de marketing Camelo Digital, Saulo Camelo.

Um exemplo de empresa que resolveu surfar na onda do digital é a Carol Coxinhas, que já estava em expansão em 2020 e fazia vendas por aplicativos de entrega. Assim, quando a pandemia chegou, a empresa já estava bem posicionada no mercado de delivery e, neste ano, atingiu a marca de 80 franquias.

Além de investir em digitalização (vale lembrar que a Carol Coxinhas é assídua nas redes sociais com personagens, memes, influenciadores e muito conteúdo), a CEO Carol Martineli também aposta em inovação. Com sabores que saem do comum, como coxinha de bacon, vegana, de chocolate e morango, a rede reinventa a maneira de servir um produto que já é muito popular entre os consumidores brasileiros.

Como ser visto e lembrado?

Ainda no assunto digitalização, o marketing digital foi o que fez muitas empresas conquistarem clientes antes mesmo de abrir uma loja física. Afinal, se quase ninguém estava saindo às ruas, o jeito era chegar até os consumidores pelas telas.

A hamburgueria Eai Burguer, do casal Larissa Tosi e Lucas Menon, de Jundiaí (SP), começou em 2020 como delivery e take away. Fez tanto sucesso que logo virou uma lanchonete física em local privilegiado da cidade. Hoje, já são 40 franquias vendidas para inaugurar em 2022. Para chegar a esse número, os empreendedores investiram os lucros em marketing e contrataram uma empresa especialista em expansão e franchising. O perfil oficial do Instagram tem quase 80 mil seguidores e a empresa continua investindo em fotos bem produzidas, parcerias com influenciadores e anúncios.

Mas não foram só os fast foods que foram entregues nas casas dos consumidores durante a pandemia. Segundo dados da Euromonitor Internacional, em 2020 o consumo de alimentos saudáveis ganhou força e a venda desses produtos no Brasil atingiu R$ 100 bilhões, o maior valor desde 2006, quando o segmento começou a ser monitorado pela consultoria.

Entre as empresas que cresceram na pandemia, está a Fazenda do Futuro, produtora do futuro burger, vegano e feito 100% com ingredientes naturais. No começo de 2021, a marca que produz carnes à base de plantas divulgou uma mudança na fórmula e diversos influenciadores digitais geraram visibilidade com vídeos de “react” ao experimentar o hambúrguer. No final do ano passado, a Futuro Burger recebeu um aporte de 300 milhões de reais.  Neste ano, a novidade que promete alavancar ainda mais o crescimento da marca é a chegada de Anitta como sócia da empresa.

Anitta é a nova sócia da Fazenda do Futuro| Foto: Reprodução

Empresas que enxergaram o que o consumidor precisa

Até aqui, falamos do ramo alimentício, mas não foram apenas as empresas desse setor que cresceram na pandemia. A Housi, plataforma de moradia por assinatura, foi lançada em 2019 registrou aumento de 327% nos contratos de moradia durante a pandemia e já está presente em mais de 100 cidades. Assim como as marcas que citamos, a Housi investiu em marketing digital e parceria com influenciadores com altas taxas de engajamento.

Parte do sucesso pode ser explicada pelos novos hábitos adquiridos pelos brasileiros. Especialmente com a popularização do trabalho remoto, as locações flexíveis vêm fazendo sucesso por permitirem que o morador fique por quanto tempo quiser ou achar necessário, diferentemente dos aluguéis tradicionais, cujos contratos geralmente são de um ano. Os aluguéis da Housi já contam com taxa de condomínio, IPTU e gastos como água, luz e internet, além de oferecer limpeza e manutenção das moradias, tudo ofertado por aplicativo.

“A covid-19 mudou completamente nossas vidas e acelerou a necessidade de mobilidade e flexibilidade da população como um todo. Apressou exponencialmente tendências que vinham se estabelecendo no comportamento das pessoas. De uma hora para outra, um percentual enorme da população estava trabalhando remotamente e morando em locais alternativos. Agora, o sonho da casa própria também está em xeque”, diz o CEO da Housi, Alexandre Frankel.

Que aprendizados ficaram?

Então, quais as lições que as empresas que cresceram na pandemia deixam para os próximos anos? Para o CEO da agência de marketing Camelo Digital, Saulo Camelo, o maior desafio para a gestão de empreendimentos no período da pandemia foi a adaptação deles à situação que o mundo estaria prestes a entrar. Para digitalizar-se, por exemplo, criar perfis nas redes sociais ou um e-commerce não foi suficiente.

“Nos dias de hoje um dos maiores desafios é humanizar a marca e conversar com os clientes de forma calorosa, já que não estamos no físico. Além disso, é necessário utilizar do marketing digital para conseguir gerar vendas, anunciando seu produto ou serviços de forma assertiva na internet”, pontua.

Alguns aprendizados destacados por Saulo Camelo são aproveitar a tecnologia e o que ela dispõe para a sua empresa; montar um planejamento estratégico e alinhar o modelo de negócio com os próprios funcionários; trabalhar a confiança na equipe e focar na produtividade. “Nos dias de hoje um dos maiores desafios que as empresas possuem é humanizar sua marca e conversar com seus clientes de forma calorosa, já que não estamos no físico. Além disso, é necessário utilizar do marketing digital para conseguir gerar vendas, anunciando seu produto ou serviços de forma assertiva na internet”, completa.

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