Conheça a rede BeReal: plataforma promete não te tornar famoso

App se apresenta como um “anti-Instagram” e já se popularizou entre a geração Z americana e europeia

Tempo de leitura: 4 minutos

9 de julho de 2022

Foto: Shutterstock

A qualquer momento do dia, uma notificação chega no seu celular. Então, você tem até dois minutos para postar uma foto, tirada simultaneamente da câmera frontal e traseira do aparelho. O post não conta com edições, filtros e nem dá muito tempo para fazer pose ou modificar o cenário. Uma vez no ar, só quem também postou consegue ver a sua foto do dia. Aliás, há também este limite de uma postagem diária, que é igual para todo mundo.

Esta é a proposta central da rede social francesa BeReal, que traz o slogan “real como seus amigos”. Lançada em 2020, só este ano ela começou a chamar a atenção por buscar mostrar exatamente o que anda em falta em outras redes sociais dominadas por influenciadores: a vida como ela realmente é.

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Como a BeReal funciona

Os criadores da nova rede social, Alexis Barreyat e Kévin Perreau, incentivam que seus usuários sejam mais autênticos e, por isso mesmo, garantem: “a BeReal não irá te tornar famoso”. Não são permitidas publicidades, seguidores nem curtidas, o máximo que existem são RealMojis, ou seja, reações que as pessoas podem ter às fotos.

A dinâmica do aplicativo, que já é chamado de um anti-Instagram, é centrada na espontaneidade. Não há tanto tempo para pensar na produção da foto ou torná-la glamourosa demais. “A BeReal é vida, vida real, e esta vida não tem filtros”, traz em sua descrição.

Ele também avisa: “BeReal não vai deixar você trapacear”. Ou seja, quem perder o aviso e deixar de postar nos dois minutos seguintes, até pode tirar a foto depois, mas o aplicativo acusa esse tempo atrasado para todos.

Além disso, não tem como carregar fotos externas – elas são tiradas diretamente do aplicativo – há o limite de uma postagem por dia e só é possível ver as fotos dos outros usuários se você postar também.

Com o acesso somente às postagens do dia, o feed principal é atualizado diariamente. No entanto, cada usuário vai construindo um calendário pessoal com o que já postou, que se transforma basicamente em um arquivo de memórias.

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Vida real é mais legal?

A popularização do BeReal vem em um movimento contrário às redes como Instagram e TikTok, que são dominadas pelas lógicas de seus próprios algoritmos, incentivando que influencers e criadores de conteúdo tentem mostrar uma “realidade” cada vez mais inalcançável, em uma frequência que exige profissionalização.

O assunto fica mais grave ao lembrar que pesquisas recentes comprovaram que o Instagram é nocivo à saúde mental e à autoestima, principalmente de jovens meninas. O estudo foi feito internamente pelo próprio Facebook e publicado no The Wall Street Journal. Segundo o documento, 32% das adolescentes se sentem pior com seus corpos ao ver o Instagram.

A assessoria de imprensa do BeReal, inclusive, afirmou ao portal americano de notícias tecnológicas Protocol que o incômodo com este cenário esteve na raiz das motivações para a criação do app: “toda vez que eles abriam o Instagram, era lotado de anúncios e influenciadores e a vida perfeita de todos. Sua vida não era tão perfeita como eles sempre mostravam”, relatou.

Para a especialista em marketing, Rafaela Pacheco, a sacada da nova rede é justamente ser atrativa às pessoas comuns, que não utilizam as plataformas como locais de negócio, resgatando uma premissa inicial do que se esperava das redes sociais.

“No início, as redes sociais eram um lugar de compartilhamento, era sua amiga, vizinha, colega de trabalho mostrando algo legal. Com o passar do tempo, se tornaram um negócio e agora seguimos influencers que aparecem com mais frequência na nossa timeline. São pessoas que nem conhecemos e muitas vezes nos decepcionamos quando descobrimos que exibem coisas que não são reais”, explica.

Com a nova proposta de blindar a rede de candidatos a celebridades, os usuários também podem se sentir mais à vontade para compartilhar seu dia a dia sem a pressão da perfeição. “As pessoas ficam mais livres para mostrar o que de fato está acontecendo”, fala a especialista.

BeReal: moda passageira ou tendência?

Disponível para Android e iOS, o novo aplicativo já foi instalado em mais de 7 milhões de aparelhos, de acordo com dados do SensorTower. No entanto, o crescimento maior aconteceu este ano: segundo o Apptopia, que analisa o desempenho de aplicativos, os usuários mensais ativos do BeReal aumentou mais de 315% em 2022.

A popularidade vem crescendo principalmente entre a geração Z estrangeira e houve um boom de utilização nas universidades americanas. A especialista em marketing, Rafaela Pacheco, acredita que há dois pontos principais para o sucesso maior entre os jovens.

“O primeiro é a otimização do tempo, pois o BeReal não toma muito tempo para fazer a postagem e você não precisa ficar com ele aberto sempre, pois vão ter horas específicas para postar e para ver o que as outras pessoas postaram. E o mais importante é que tudo é bem próximo do real”, explica.

Ela acredita que a plataforma criou uma inovação de valor, mas ainda é cedo para dizer se veio para ficar. Afinal, ela tem uma funcionalidade bastante específica, ao contrário das redes duradouras, que normalmente ampliam as suas possibilidades de uso. Basta resgatar a história do SnapChat, que teve sua proposta básica incorporada na dinâmica dos stories do Instagram e acabou ficando para escanteio.

“O BeReal viu a necessidade dos usuários e soube usá-la de uma forma autêntica. Mas é, antes de tudo, uma empresa e, como toda empresa, visa ao lucro que pode ganhar. Vamos ter que acompanhar para ver seus próximos caminhos”, fala.

Por aqui no Brasil, o destino da rede social é ainda mais incerto, até porque o boom de popularidade sequer começou. Resta especular se este momento vai chegar.

Para Rafaela Pacheco, algumas características dos brasileiros como a espontaneidade e a curiosidade podem ajudar a plataforma a cair nas graças do país. “Ele pode se tornar um companheiro do cotidiano por ter esses ganchos e pela facilidade do uso, fugindo da necessidade de agradar aos outros e, sim, fazer algo por si”, finaliza.

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