Aprendizado “self-service” é uma das tendências globais da educação, diz estudo

Pesquisa com 11 mil pessoas de 19 países mostra como a população está aprendendo e quais as tendências da educação para o futuro

Foto Pixabay

Usar a internet, mais especificamente o YouTube, para estudar para o vestibular ou para complementar as informações da aula antes de uma prova já não são nenhuma novidade.
Mas a plataforma de compartilhamento de vídeos também está sendo usada para reforçar o aprendizado e a qualificação de profissionais altamente técnicos, como médicos cirurgiões.
Segundo uma reportagem da CNBC, médicos e estudantes de medicina estão recorrendo ao YouTube para aprender como executar procedimentos cirúrgicos.
Uma pesquisa da Universidade de Iowa com seus cirurgiões, incluindo estudantes do quarto ano e residentes, descobriu que a plataforma era a fonte de vídeo mais usada para preparação cirúrgica.
Esse novo cenário de aprendizagem “self-service” é uma das tendências da transformação global da educação, segundo o estudo Global Learner Survey, que ouviu milhares de estudantes ao redor do mundo.

educação

Foto Unsplash


De acordo com o levantamento, os avanços tecnológicos permitem que as pessoas complementem o estudo formal a partir de um leque de opções online.
O estudo aponta uma tendência global das pessoas assumirem o controle sobre o próprio aprendizado, complementando a educação formal com cursos de curta duração e ensino autoguiado com base em conteúdos e materiais disponíveis online.
No Brasil, 29% dos entrevistados afirmaram que buscam ferramentas gratuitas, como o YouTube, quando precisam aprender de forma rápida alguma habilidade nova para a carreira.
O estudo, publicado pela empresa britânica de educação Pearson, ouviu 11 mil pessoas com idades entre 16 e 70 anos em 19 países, incluindo o Brasil.
educação

Foto Pixabay

Veja abaixo outras tendências de transformação na educação identificadas pela pesquisa:

A CARREIRA DE 40 ANOS ACABOU E FOI SUBSTITUÍDA POR UMA VIDA DE APRENDIZAGEM

A carreira tradicional e linear como conhecemos já é coisa do passado. As pessoas estão moldando a educação de acordo com o que precisam para o mercado de trabalho a curto prazo, o que significa que é necessário continuar aprendendo ao longo de toda a vida para se manterem atualizadas. Segundo a pesquisa, 88% dos brasileiros abraçam essa ideia (resumida pelo termo inglês “lifelong learning”), afirmando que a aprendizagem não termina na escola. Essa crença chega a 96% das pessoas na China e a 94% na África do Sul.


É ESPERADO QUE O APRENDIZADO DIGITAL E VIRTUAL SEJA O NOVO PADRÃO DA PRÓXIMA DÉCADA

A tecnologia já é presente em todos os aspectos das nossas vidas, inclusive na educação. De cursos à distância (EAD) à ferramentas de inteligência artificial, as pessoas vêem o futuro do aprendizado facilitado e mais engajador com o uso intenso da tecnologia. Segundo a pesquisa, 71% dos brasileiros acreditam que livros didáticos impressos estarão obsoletos daqui a cinco anos, e 77% afirmam que a inteligência artificial terá um impacto positivo na educação.


A CONFIANÇA NAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO ESTÁ DIMINUINDO

Muitos ao redor do mundo acham que a educação não está preparando as novas gerações para o mercado de trabalho. A pesquisa mostrou que 61% dos brasileiros não acreditam que as faculdades e universidades estejam ensinando as habilidades corretas para o trabalho no mundo de hoje.


JOVENS JÁ ACHAM QUE É POSSÍVEL SE DAR BEM NA VIDA PROFISSIONAL SEM DIPLOMA UNIVERSITÁRIO

A força de trabalho que começa a chegar ao mercado em muitos países está aberta a caminhos alternativos à faculdade. Globalmente, 68% acreditam que poderiam ter o mesmo tipo de sucesso por meio de ensino profissionalizante, diz a pesquisa.


BRASIL, CHINA E ÍNDIA LIDERAM EM REQUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL

Trabalhadores no Brasil, China e Índia estão se requalificando em taxas mais altas do que americanos e britânicos. Dois terços dos respondentes desses países têm buscado se requalificar nos últimos dois anos, contra apenas 31% dos norte-americanos e 24% dos britânicos. Segundo a pesquisa, trabalhadores em busca de qualificação estão se matriculando em cursos de curta duração, fazendo treinamentos oferecidos pelos empregadores ou por associações profissionais, cursando ensino superior ou aprendendo por conta própria.


HABILIDADES COMPORTAMENTAIS SÃO MAIS IMPORTANTES

Embora as habilidades em ciência e tecnologia não sejam esquecidas, as pessoas entendem que as habilidades que nos tornam exclusivamente humanos, como criatividade, empatia e originalidade, como as mais difíceis de aprender. Segundo a pesquisa, 87% dos brasileiros acreditam que as universidades precisam aumentar o foco no ensino dessas habilidades ao prepararem os estudantes para o mercado de trabalho.


+ NOTÍCIAS RELACIONADAS

Educação é a terceira causa mais apoiada pelos jovens, diz estudo
Educação financeira: o papel do bancário mudou
Educação para um mundo dominado por IAs
A TV dos anos 90 e a educação contemporânea: o que elas têm em comum?
EdTechs: 7 Startups que estão atuando na mudança da educação no Brasil

 

MAIS LIDAS

VEJA MAIS

ÚLTIMAS

VEJA MAIS

Vídeos

VEJA MAIS

Revista Consumidor Moderno

VEJA MAIS