Os exemplos de gestão pública no enfrentamento ao coronavírus

Uruguai, Nova Zelândia e Coreia do Sul são considerados exemplos de gestão de crise. Países conseguiram controlar a curva de contaminação e até erradicar a doença

Há uma enorme discussão sobre a gestão da crise do novo coronavírus no Brasil. Este é, sem dúvidas, o assunto mais debatido no Brasil atualmente, seja em esfera federal, estadual ou municipal. Várias estratégias foram testadas por aqui, tendo os governadores dos estados e prefeitos das maiores capitais como protagonistas. Rodízio ampliado, lockdown e abertura do comércio em cidades menos afetadas são algumas das medidas debatidas.

Enquanto a curva de contaminação não para de crescer e o número diário de mortes bate recordes no Brasil, outros países conseguiram controlar o avanço da doença e já têm planos concretos para voltar à normalidade – um deles, a Nova Zelândia, começou hoje (08/junho) mesmo esse processo.

A NOVAREJO separou três países que se tornaram exemplo no enfrentamento da COVID-19 e explica quais estratégias foram usadas para isto. Confira:

Uruguai e o isolamento voluntário

No Uruguai, o sucesso do combate ao coronavírus começou bem antes da pandemia.

O País tem um dos melhores sistemas de saúde da América Latina e Caribe: um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) coloca o Uruguai em quarto lugar quando o assunto é eficiência de gastos com saúde, sendo que o sistema também é o quarto maior em investimento na região.

Em fevereiro, quando os casos de coronavírus começavam a crescer pelo mundo, o Ministério da Saúde Pública do Uruguai já tinha um plano de contingência.

Semanas após os primeiros casos no país, foram fechados teatros, museus e shoppings. Depois, houve a suspensão das aulas, apoiadas pelo Plan Ceibal, de 2007 – programa que, entre outras medidas, estabelece a entrega de laptops para alunos da rede pública.

As ações rápidas do governo local, unidas a políticas já existentes de saúde e educação, permitiram que as autoridades locais flexibilizassem as regras para abertura do comércio. O resultado foi uma adesão voluntária ao isolamento.

As farmácias limitaram o acesso a quatro clientes por vez e os supermercados passaram a permitir a entrada de apenas um membro de um grupo, para evitar compras feitas em família, por exemplo. Além disso, também foram criados horários exclusivos para idosos, a exemplo do que fez o Pão de Açúcar no Brasil.

Para conter a crise econômica, o governo uruguaio criou o Fondo Coronavírus (Fundo Coronavírus), alimentado por impostos que incidem sobre os salários de funcionários públicos maiores que 120 mil pesos (R$ 14.256, na cotação de 04/junho). A medida terá efeito até o fim de junho, mas pode ser estendida até agosto, se necessário.

Até o fechamento desta reportagem, no dia 8 de junho, o Uruguai registrou 828 casos de contágio pelo novo coronavírus e 23 mortes causadas pela doença.

Novo coronavírus erradicado na Nova Zelândia

O país da Oceania não esperou centenas de casos confirmados para impor um isolamento rigoroso. No dia 16 de março, quando o número de infecções era inferior a 10, o governo neozelandês proibiu reuniões com mais de 500 pessoas, isentando apenas escolas e universidades da medida.

No dia seguinte, o governo anunciou US$ 500 milhões em financiamento para serviços de saúde para combater a doença. A medida fazia parte de um pacote econômico de US$ 12,1 bilhões para combater a COVID-19.

No dia 19 de março, quando 28 casos foram registrados, as medidas foram mais duras: estavam proibidas aglomerações de mais de 100 pessoas. Locais de trabalho, escolas, transporte público e supermercados estavam isentos.

Mais tarde, no dia 25 de março, quando 205 pessoas estavam contaminadas pela COVID-19 no país, escritórios, escolas, calçadões à beira-mar, lojas, bares e restaurantes estavam fechados.

Crédito: Leonardo Guimarães e Melissa Lulio

Para efeito de comparação, a primeira grande medida para achatar a curva de contaminação no Brasil partiu do governador de São Paulo. João Doria sugeriu o fechamento de shoppings da capital paulista no dia 18 de março, quando 240 casos da doença foram registrados no estado e, em todo o País, 372 já estavam infectadas pelo vírus.

Jacinda Ardern, primeira-ministra da Nova Zelândia, disse que estudos indicam que o país poderia ter mais de mil casos diários se as ações fossem tardias.

O último caso de coronavírus em solo neozelandês foi registrado no dia 22 de maio. Na quinta-feira (4), o governo local disse que espera erradicar o vírus em suas fronteiras até o dia 15 de junho.

Até o dia 5 de junho foram registrados 1.504 casos de coronavírus na Nova Zelândia; 22 pessoas morreram por causa da doença no país da Oceania.

Coreia do Sul: testes rápidos e comércio aberto

No país asiático considerado um dos exemplos de controle da doença no mundo, a solução foi testar a população rapidamente e em grande escala.

No dia 20 de janeiro houve a confirmação do primeiro caso de coronavírus no território sul-coreano. Oito dias depois, já havia sido feitos 116 testes para detectar a doença. O País testa pessoas mesmo que elas não apresentem sintomas, ao contrário do que acontece na maioria dos países mais afetados pelo coronavírus, como o Brasil.

A Coreia do Sul não apenas se tornou autossuficiente na produção de kits de testes para coronavírus como também começou a exportar o produto, inclusive para o Brasil.

Os Estados Unidos, que se tornou o epicentro da pandemia, nos dão uma boa base para comparação da rapidez dos testes. O país norte-americano registrou o primeiro caso de coronavírus um dia depois do primeiro paciente na Coreia do Sul. Com uma população seis vezes maior que a sul-coreana, os Estados Unidos levaram 57 dias para superar o número de testes feitos pelo país asiático. Até o fim de maio, porém, o país liderado por Donald Trump aplicou 17 vezes mais testes para o novo coronavírus que a Coreia do Sul.

Veja a comparação entre os países, levando em consideração que os Estados Unidos têm 328 milhões de habitantes, enquanto a população sul-coreana é de 51 milhões.

Além da eficiência em testar a população, a Coreia também se preocupou em reduzir a taxa de mortalidade pela COVID-19. E foi feliz nisto.

Park Neunghoo, ministro da Saúde do país, disse à CNN que detectar o vírus em seus estágios iniciais permitiu “planejar adequadamente os cuidados de saúde, porque apenas 10% dos infectados precisam de hospitalização”.

A Coreia do Sul chegou a ser o segundo país mais afetado pela pandemia. Mas, com as ações de controle e informação, é agora apenas a 52ª nação em número de casos, com 11.814.

Hoje, o país comandado por Moon Jae-in, tem 2,29 mortes por milhão de habitantes. Os Estados Unidos têm 330,28. Os países com a maior taxa de mortalidade por milhão de habitantes são Bélgica, Reino Unido e Espanha.

Mas, se você já leu sobre o combate ao coronavírus na Coreia do Sul, deve se lembrar que o país optou por não fechar todos os seus estabelecimentos, como aconteceu na China, Itália e Espanha.

Ao invés disso, o governo sul-coreano apostou em muita informação para combater a propagação do vírus.

Os parentes de todas as pessoas que testaram positivo para o vírus são procurados para realizar o teste.

A estratégia ainda levantou muitos debates sobre privacidade, já que o País começou a monitorar os deslocamentos dos pacientes antes mesmo de serem diagnosticados com a doença.

Foram usados dados de cartão de crédito, imagens de câmeras de vigilância e dados telefônicos para rastrear o deslocamento das pessoas que carregavam o coronavírus. A administração pública dispara mensagens por SMS a pessoas que estão perto de onde um caso foi detectado.






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