Como a pandemia de Covid-19 mudou o futuro das grandes cidades

Mais gente nos subúrbios, fim da hora do rush e valorização dos bairros estão entre as apostas. Será que elas pegam no Brasil?

Se você tivesse que apostar no que veio para ficar na vida de quem vive, especialmente, nas grandes cidades, após a experiência do confinamento e da contaminação em massa, o que seria? Diversos especialistas em mobilidade urbana, urbanismo e arquitetura, entre outras áreas, estão em um momento de estudos e apostas para mapear os comportamentos de massa após uma pandemia. E  alguns cenários já estão mais definidos. Acompanhe abaixo um raio-x desses highlights publicados pela “Fast Company”.

Fuga para o interior (ou para os subúrbios)

Um dos movimentos já mapeados é a saída em massa de pessoas dos grandes centros em direção à cidades médias e até pequenas. As razões são muitas, como econômicas, de busca por espaço e mudança de estilo de vida. Essa movimentação também foi favorecida pela decisão de grandes empresas mundiais de decretarem a permanência (indefinida) do trabalho em home office. Sem a obrigatoriedade de ir para o trabalho e as entregas sendo feitas de qualquer lugar que tenha internet para suportar a comunicação em diversos campos, um novo mundo se abriu profissionalmente.

No ramo imobiliário, se prevê uma onda de desvalorização de imóveis comerciais, em detrimento do aumento na busca por casas maiores e longe dos centros urbanos – no caso dos Estados Unidos, nem que seja nos subúrbios. Uma rede de corretoras imobiliárias estadunidense revelou, ao site, que as pesquisas de imóveis nesse perfil aumentaram mais de 164% no mês de junho. E os números mostram que os mais jovens puxam esse interesse a começar pelos millennials, mas continuando com a Geração Z.

Moradores das grandes cidades devem começar a optar mais por transportes como a bicicleta. Foto ilustrativa: Pexels.

Adeus hora do rush

A ida diária para o escritório, todo mundo no mesmo horário, provocando um gargalo de congestionamento é passado. Pelo menos é o que se acredita de agora em diante. Isso porque o trabalho remoto mais acessível deixará muita gente em casa indefinidamente. Já havia uma movimentação de questionamento do chamado horário de rush – que em cidades como São Paulo bate recordes de engarrafamento.

Essa mudança foi acelerada de maneira vertiginosa. Ao invés de 5 dias no escritório, o modelo deve mudar para 4 dias em casa e apenas 1 de deslocamento; ou 3 dias em casa e apenas 2 no local de trabalho. A aposta desse novo modelo de idas e vindas é do McKinsey Global Institute. E, com isso, os bairros de tipos comerciais também devem mudar de personalidade. O escritório deve se tornar apenas o ponto de encontro para se solucionar problemas que necessitem de colaboração em grupo ou para brainstorms de inovação. O trabalho-solo e diário ficará na mesa de casa mesmo.

Fim dos shoppings

falamos por aqui que a derrocada dos grandes centros de compras – sejam magazines ou mesmo prédios inteiros – era algo previsto para acontecer em alguns anos por causa do aumento das compras online. Mas essa realidade foi imensamente acelerada com chegada da Covid-19. Há até uma expressão para esse acontecimento: o “mallpocalypse”, ou seja, o apocalipse dos malls, dos centros de vendas.

O fato de reunir muita gente em um mesmo lugar, trazendo dificuldade em evitar uma onda de contaminação dificulta essa sobrevida dos shoppings. Pesquisas do banco suíço Credit Suisse preveem que até 2022, um quarto de todos os conglomerados desse tipo fecharia nos Estados Unidos.

Amazon e Wallmart, por sua vez, devem aumentar sua importância – algo que já se verifica desde a pandemia. É a hora e a vez dos e-commerces, como já  ficou claro. Mas as lojas familiares também não resistirão: nos EUA, espera-se que cerca de 25 mil comércios fechem enquanto as vendas online aumentaram 44,5%.

Os dados foram publicados pelo site da “Fast Company”, em parceria com diversos institutos de pesquisa, como o McKinsey Global Institute. E mais um fenômeno que pode mudar nos centros urbanos: sabe aquelas ruas cheias de lojas? Talvez elas se tornem, novamente, apenas endereços comuns. E quem resistir deve colocar o ato da compra como uma experiência de lazer. Do contrário, o consumidor estará mais acostumado a penas seguir os cliques.

Mais vida nos bairros

Curtir o bairro, aquele programa que se fazia muito com os avós, vai voltar a ser tendência. E nesse cenário, tende a crescer lojas ou comércios que oferecerem produtos exclusivos e característicos de onde estão localizados. Vai ter mais importância comprar na mercearia do bairro ou conhecer o dono da padaria, como nos tempos mais antigos, porque todo o resto do que for consumido poderá, facilmente, vir via online, de qualquer lugar do mundo, até a casa do comprador.

Quem defende essa ideia é da escritora Diana Lind, autora do livro “Brave New Home: Our Future in Smarter, Simpler, Happier” (algo como Bravo Novo Mundo: Nosso futuro é mais inteligente, simples e feliz). Ela também reforça que restaurantes e varejo devem usar mais a calçada do que antes. Como se diz na Espanha, as famosas “terrazas” estarão em alta.

Cidades de 15 minutos

O conceito publicado pela “Fast Company” traz também algo que está acontecendo nas cidades europeias como Paris e Milão. Trata-se da ideia de que, em 15 minutos, a pessoa poderá chegar onde precisa ou fazer o que deseja seja a pé ou de bicicleta. O futuro é local, definitivamente. “Cruzar Paris de leste a oeste de carro é algo que você terá que esquecer”, disse a prefeita parisiense Anne Hidalgo. Ainda que esse não seja um “sonho” acessível a todas as cidades, será possível criar o que se deve chamar de “ilhas urbanas”, lugares em que as pessoas convivem mais dentro desse limite de 15 minutos. Será que isso seria possível no Brasil?


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