Em qual normalidade você escolherá viver após a pandemia?

“Para evitar um cenário socioambiental sombrio, faz-se necessária uma imediata correção de rumo. Um novo normal. Novas relações, atitudes, formas de pensar”

Conforme a pandemia parece chegar a um momento que nos permite ter mais esperança, ainda não dá para saber quais transformações irão perdurar em nossas vidas, mas para mim está claro que o “novo normal” não é feito de máscaras, distanciamento e álcool em gel. Este período de cuidados extremos e necessários vai passar.

Quando isso acontecer, o que será normal?

O novo normal, na falta de um termo melhor, tem que ser um período em que reconciliar a prosperidade dos negócios com o futuro do planeta seja prioridade máxima para todos, indivíduos e organizações, independentemente da área de atuação. Em que inclusão e diversidade tornem-se políticas estratégicas de geração de valor, ampla e definitivamente adotadas tanto na esfera pública quanto na privada. Onde ideias e visões de mundo distintas, mesmo que conflitantes, possam coexistir de maneira pacífica e respeitosa.

Há motivos mais do que suficientes para isso.

Se quase dois anos de crise e restrições impostas por uma pandemia nos levaram à beira do colapso, o que aconteceria com décadas de desequilíbrio, fenômenos meteorológicos extremos, terríveis secas e inundações, elevação do nível dos oceanos e extinções em massa? Estes são alguns dos aspectos de uma iminente crise climática, que irá afetar todo o planeta caso não sejam tomadas medidas profundas e urgentes para evitar que ela aconteça.

O Holoceno, época de estabilidade que sucedeu o último período glacial da Terra há aproximadamente 12 mil anos, proporcionou as condições necessárias para a civilização humana florescer neste planeta. Sem suas formidáveis condições de moderação e constância ecológicas, o surgimento da agricultura estaria seriamente comprometido.

Contudo, desde meados do século XX, passaram a ocorrer pressões excessivas sobre alguns dos mais relevantes ciclos biogeoquímicos, como o do carbono e do nitrogênio, exercidas exclusivamente por uma espécie: a humana.

Para ilustrar a dimensão disto, três quartos de todo o dióxido de carbono estocado hoje em nossa atmosfera foram emitidos apenas nos últimos setenta anos – uma fração de segundo na escala geológica. Nesse mesmo espaço de tempo, o número de veículos motorizados passou de 40 milhões para 850 milhões. A quantidade de nitrogênio sintético, usado principalmente na fertilização agrícola, foi de quatro milhões de toneladas para mais de 85 milhões. A produção de plásticos foi de um milhão de toneladas para 350 milhões. A este surto de progresso material os historiadores ambientais deram o nome de “A Grande Aceleração”. É ela que marca a nossa entrada naquilo que está sendo considerada por um grande grupo de cientistas como uma nova era – o Antropoceno, um período até este momento marcado por crescente desequilíbrio ambiental, erosão da biodiversidade e acidificação dos oceanos.

Neste mesmo período de 70 anos, ainda que este avanço da atividade humana tenha trazido acesso a mais recursos e melhores condições de vida e saúde para boa parte dos países do mundo, ainda não conseguimos superar sérias questões étnico-raciais, sociais, religiosas e políticas. Fome, miséria e conflitos de toda magnitude são sombras impossíveis de se ignorar – pelo menos não sem sérias consequências.

Para evitar um cenário socioambiental sombrio, faz-se necessária uma imediata correção de rumo. Um novo normal. Novas relações, atitudes, formas de pensar. Não dá mais para continuar fazendo tudo como antes, esperando alguma mágica que traga resultados diferentes. Os sinais estão aí, para quem quiser ver.

“Diga-me eu esquecerei, ensina-me e eu poderei lembrar, envolva-me e eu aprenderei”

A frase, atribuída a Benjamin Franklin, ilustra como o setor de eventos pode ter papel fundamental na construção deste desejável novo normal, deixando para trás o lugar de vilão ou de atividade supérflua geralmente atribuído a ele no noticiário durante a pandemia.

Eventos são lugares de encontro, de celebração, de troca e aprendizado, que envolvem completamente o público. Mais do que falar sobre uma mudança hipotética, nos eventos podemos prototipar, testar e divulgar mudanças possíveis, criando contextos em que é possível vislumbrar e experienciar um futuro melhor, mais diverso, sustentável e humano.

Este novo normal dos eventos não pode ser apenas do backstage para fora. Há uma boa lição de casa a ser feita, revisitando toda a cadeia de valor do setor. Eu não enxergo desafio mais interessante para abraçarmos na retomada – e nos anos que se seguirão.


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