Home office, presencial ou híbrido: qual é o próximo modelo de trabalho?

Painel do CONAREC 2021 debate como a escuta do colaborador é fundamental para definir um bom modelo de trabalho

Foto: Free Pik

Se teve algo que mudou o cotidiano das pessoas na pandemia foi, sem dúvidas, o home office. Antes taxado de improdutivo e pensado como o verdadeiro terror das empresas nos primeiros meses de isolamento, esse modelo de trabalho está entre as surpresas que a quarentena proporcionou ao mundo corporativo: ir ao oposto do que o esperado.

Segundo estudo da Fundação Dom Cabral, em parceria com a Grant Thornton e a Em Lyon Business School, mais de 58% dos brasileiros acreditam ser mais produtivos no home office, em comparação ao que eram antes da pandemia — e esse número é ainda maior entre as mulheres, posto que trabalhar de casa reduziu uma série de estresses e imprevistos pelos quais elas passavam.

No entanto, ainda que o home office tenha melhorado boa parte da experiência do colaborador e até mesmo corroborado com uma economia de despesas por parte das empresas, já se nota que ele talvez não seja o mais eficiente. Uma parte considerável dos trabalhadores que destacam produtividade também aponta que há alguns receios, como falta do convívio social e maior carga e volume de horas de trabalho, o que leva a crer que a mais eficiente forma de se trabalhar é de maneira híbrida.

Esse foi o tema do painel “Home office, bem-estar e expectativas: como equilibrar esses fatores?” do CONAREC 2021, que contou com a presença de Flávia Neves, superintendente de Desenvolvimento Organizacional da SulAmérica; Paula Molina, diretora de Recursos Humanos da WMcCANN e Fabio Boucinhas, CEO da Home Agent, sob mediação de Alexandre Texeira, co-fundador da ODDDA.

Foto: Grupo Padrão, Conarec 2021

A tecnologia a favor do home office

Sem dúvidas, a primeira barreira para alcançar um bom trabalho remoto eram os recursos. As empresas notaram dificuldades na hora de gerenciar seus colaboradores de casa, seja pela falta de uma boa internet ou de provedores e facilitadores do home office.

Nessa hora, as consultorias alavancaram seus processos, como foi o caso da Home Agent “Sempre existiu uma barreira cultural muito forte em relação ao home office. Mas no fim, o problema não era exatamente tecnológico e sim cultural. É claro que a tecnologia ajuda, nós preparamos tudo para que as empresas funcionem de forma remota de maneira simples, em todos os aspectos. Lançamos uma plataforma que dá todos as funcionalidades necessárias para apoiar um processo de home office”, salienta Boucinhas.

Ele comenta, ainda, que as empresas passaram a entender que o modelo trabalho caminha com o colaborador — e é isso que gera produtividade. “Agora que estamos voltando, ter o modelo híbrido dá a oportunidade de se atentar à individualidade de cada um, ao perfil de cada um. Quando você manda uma pessoa sinestésica para casa, ela vai ter um problema de saúde mental talvez, porque elas estão fora da zona de conforto. É entender quem é esse colaborador, saber como a produtividade funciona para cada um”, completa o executivo.

A escuta do colaborador como ponto de partida

“Sempre houve muita resistência e um certo temor por parte das empresas, gestores e muitos RHs, porque se acreditava que o nível de dedicação das pessoas e de entrega talvez não fosse o mesmo se as pessoas estivessem dispersas geograficamente e longe dos olhos dos chefes”, explica Teixeira. “Mas aí veio a pandemia e fomos forçados a isso. Aquele medo se mostrou infundado, a produtividade até cresceu. Do lado dos trabalhadores, deu para descobrir que trabalhar de casa tem um monte de coisas positivas e um monte de coisas negativas”.

Entre as positivas, há uma série de apontamentos que se destacam: a maior qualidade de descanso, o menor impacto no bem-estar pelo trânsito da mobilidade urbana — em especial às grandes capitais —, a maior facilidade de conciliar as tarefas de casa. No entanto, o modelo remoto também apontou problemas que o digital ainda não consegue suprir.

Para a SulAmérica, foi preciso estudar, aprender e testar novos modelos para adaptação. Para Neves, agora, no momento de pós-pandemia, o segredo é continuar a testagem “Chegamos à conclusão de montar um modelo híbrido, com 70% de remotização. Já começamos a mapear quais são os momentos importantes para se estar presente e adaptamos os nossos escritórios a essa nova realidade, mas percebemos que os indicadores agora já são outros: é preciso avaliar a performance dos negócios e não o minuto a minuto das pessoas, precisamos ver os resultados, essa relação de monitorar o colaborador mudou muito”, comenta.

O diferencial, portanto, foi a capacidade de estar pronto a uma nova mudança em um curto período de tempo. “O que percebemos foi que esse modelo totalmente remoto, de contingenciamento por causa pandemia, ele já não teria volta, quando a gente voltasse à vida normal, não seria assim”, completa a executiva.

A verdade é que o próximo modelo de trabalho é mais puxado ao híbrido, mas isso não indica certeza. Como comenta Molina, a melhor forma de adaptação depende da escuta ativa do colaborador. “Começamos a olhar para dentro, nós temos algumas reuniões com toda a equipe para averiguar como a nossa comunicação interna pode ser mais eficiente e todos os colaboradores disseram que sentiam muita falta dessa interação presencial. Adaptamos nossa empresa para um regime híbrido de trabalho que acreditamos ser o melhor formato. Mas não é simples, vai ter gente que não consegue ainda, então a flexibilidade vai ser uma coisa muito importante. Essa escuta do colaborador é fundamental”, conclui a executiva.

 

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