Além do sustentável: a agenda ESG na visão do cliente

Preocupação com o futuro já norteia as decisões de consumo e exigem adaptações das empresas

Foto: Free Pik

Zerar emissão de carbono, ter uma produção sustentável, ser mais transparente com os clientes. Essas são algumas das preocupações que vem mudando a maneira como as empresas se posicionam no mercado nacional e mundial. Para se ter ideia, de acordo com um estudo da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), 95% das empresas brasileiras afirmam se nortear a partir dos valores ESG (Environment, Social and Governance ou Meio Ambiente, Social e Governança, em português) na hora de criar estratégias de negócios.

A sustentabilidade é um dos valores mais discutidos não apenas no mercado, mas também entre os consumidores. Por isso, a maneira como uma empresa age sobre o meio ambiente, a sociedade e sua governança se tornaram relevantes para a relação entre marca e cliente, sobretudo após a pandemia.

Os valores ESG nas empresas

Como o próprio nome sugere, os valores ESG estão relacionados a uma visão mais sustentável do planeta e da sociedade. O termo foi criado em 2004 e buscou definir o que seriam os principais valores futuros, esperados tanto pelo mercado quanto pelos consumidores. Considerando as mudanças que ocorreram de lá para cá, o ESG ganhou ainda mais força.

De acordo com a pesquisa da Aberje, a pandemia foi uma grande impulsionadora deste movimento, uma vez que o momento acendeu um sinal de alerta sobre as ações humanas no meio ambiente e o que seria do planeta no futuro, conforme os consumos e usos de recursos pela humanidade. Segundo o estudo, 58% das organizações que responderam a pesquisa afirmam que a pandemia mostrou a elas a importância de se tornar sustentável. Além disso, 62% afirmam que o objetivo é causar impacto na sociedade, enquanto 24% esperam atender expectativas de investidores, que buscam cada vez mais empresas preocupadas com o futuro.

No caso do Brasil, a questão ambiental é uma das mais discutidas, parte da cultura do País. Um levantamento da KPMG mostrou que, na América Latina, 30% das empresas reconhecem o risco das mudanças climáticas para os negócios, sendo que em território brasileiro, quase metade (46%) enxerga a necessidade de se preocupar com isso.

De acordo com as pesquisas, isso também se reflete no mercado consumidor, principalmente entre as gerações mais jovens. Assim, o público começou a repensar as formas de consumo e seus impactos no mundo e na sociedade.

Como os valores ESG mudam a experiência do cliente

Além do posicionamento no mercado, os valores ESG também influenciam na maneira como os clientes enxergam a empresa. Para Anderson Rodrigues, CEO da Vida Veg, tanto a pandemia quanto outros eventos ambientais e sociais fizeram com que, nos últimos anos, as pessoas ficassem mais atentas a essas questões. “As pessoas têm se preocupado mais com o futuro dos filhos e dos netos. Isso gera uma pressão nas empresas, que passam a sentir essa demanda diferente de pessoas que buscam por produtos mais corretos ambientalmente e por ações sociais mais presentes”, explica.

A partir disso, segundo o CEO, é possível notar um movimento no mercado de empresas adaptando seu modo de produção, valorizando fornecedores locais e investindo em uma cadeia que minimize o uso de recursos naturais. E o desejo dos consumidores por um consumo mais limpo e consciente não é “da boca para fora”. Para o executivo, é cada vez mais comum perceber que os clientes estão tão preocupados com isso que fiscalizam e acompanham as ações das empresas em que consomem, para ver se, de fato, a imagem que a companhia construiu sobre valores ESG é real.

“Junto aos esforços das empresas, os consumidores também passaram a acompanhar certificações, notícias e outros dados. Agora, temos várias certificações de nível nacional e mundial que mostram se a companhia é, de fato, sustentável e se impacta a sociedade de alguma forma”, explica Rodrigues.

Leonardo Mencarini, CEO da Veroni, marca de vinhos veganos, também percebe que os valores ESG estão cada vez mais em pauta entre os clientes, sendo que, na visão dele, manter um bom relacionamento com os consumidores também faz parte desse movimento. “Partindo do entendimento de que empresas são feitas por pessoas e para pessoas, se tornou indispensável criar estratégias que colocam o consumidor no centro das ações de uma organização, focando na experiência do cliente, e, consequentemente, em sua satisfação”, explica.

A partir desse respeito e valorização do público interno e externo, Mencarini acredita que é natural conquistar mais clientes e melhorar sua experiência. “Isso acontece tanto por estarem alinhados com as boas práticas empresariais esperadas no contexto atual, quanto por se destacarem positivamente no mercado, e consequentemente, ultrapassarem as expectativas do consumidor”, afirma.

Adaptação das empresas

De acordo com os profissionais que atuam em empresas com propósitos alinhados aos valores ESG, a adaptação das empresas frente a esse novo momento é imprescindível para todos os setores. Como as pesquisas indicam, não apenas os consumidores estão preocupados com o tema, mas também o mercado investidor, o que faz com que as empresas busquem mudar suas realidades com inovação.

Como explica Rodrigues, essa pauta é importante no mercado de investimentos, porque muitos investidores optam por colocar seu dinheiro em empresas com o selo ESG. “Também existem fundos de investimentos que investem apenas em empresas que tenham essa preocupação ambiental, social e de governança. Um exemplo é X8, que investiu na Vida Veg, e outro é o Bill Gates, que hoje em dia tem investido muito em empresas ESG. Na minha visão, isso só vai aumentar”.

Mencarini também enxerga o mercado como promissor para quem se preocupa com o futuro. Segundo ele, as empresas já têm buscado se nortear pela sustentabilidade para conseguirem mais investimentos e melhorarem sua imagem com os consumidores, mas precisam olhar de maneira mais ampla para a sigla ESG.

“No caso da Veroni, nós trabalhamos em várias frentes. Além dos vinhos serem veganos, a bebida é produzida seguindo princípios de comércios justo, com o selo Fairtrade, cumprindo com uma série de responsabilidades sociais, econômicas e ambientais”, afirma, completando que acredita no avanço desses valores na sociedade.


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