O metaverso e o marketing de influência: como nova realidade influenciará setor em 2022

Com experiências imersivas de conteúdo, o metaverso promete um mundo novo com possibilidades infinitas para gerar relacionamento e consumo

Foto: Shutterstock

Os últimos anos têm sido particularmente movimentados para a indústria do marketing de influência e também para o metaverso. Um estudo da Business Insider Intelligence estima que neste ano, o investimento global em influenciadores deve atingir valores entre 5 a 10 bilhões de dólares.

Já a Bloomberg Intelligence calcula que a oportunidade de mercado para o metaverso pode atingir US$ 800 bilhões até 2024. E o Bank of America incluiu o metaverso na sua lista de 14 tecnologias que revolucionarão a nossa vida.

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Trazendo essa realidade para o contexto das empresas, a situação é que, vivendo o quase pós-pandemia, as marcas ainda estão se adaptando para atender o novo consumidor phygital.

Segundo Vanessa Costa, diretora de influencer marketing para a América Latina da another, agência de comunicação regional independente, devido ao fechamento das lojas físicas durante a pandemia, grande parte da população se viu obrigada a experimentar novos formatos de consumo.

Neste contexto, as empresas que já estavam estruturadas para uma demanda omnichannel saíram na frente, fidelizando clientes e ganhando novos públicos.

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Com isso, muitas barreiras foram quebradas, possibilitando que o consumidor fosse em busca da melhor solução para ele, seja no ambiente online ou no offline.

“O consumidor phygital pede muito mais interação e determina como quer se relacionar com o produto. Para ele, o conteúdo é importante e quanto mais experiências imersivas viver, maior será o vínculo emocional com a marca e o interesse de compra. Sua busca por agilidade exige maior personalização nos canais de vendas. Ele está em todos os lugares, em todas as redes sociais e a marca precisa acompanhá-lo nesta rotina”, esclarece a especialista.

Dessa forma, a necessidade de validação é suprida por recomendações da rede de contatos desse consumidor, e também por influenciadores nos quais confia. Validação esta que vem em forma de conteúdo dinâmico, vídeos curtos, caixas de perguntas, lives com caráter exclusivista e formatos inovadores, ainda pouco explorados, como o metaverso, por exemplo.

Para Vanessa Costa, este novo consumidor também pede uma sinergia entre o seu contexto social e o posicionamento da marca. Ele não busca apenas soluções, mas também suporte para ganhar voz em busca de mudanças estruturais.

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O papel do metaverso no marketing de influência

De acordo com a executiva, o metaverso proporciona uma experiência imersiva de conteúdo, que tem a capacidade de impactar muitas pessoas ao mesmo tempo, criando desejo de consumo online ou físico, vínculo emocional e, em alguns casos, sensações físicas.

A oportunidade de viver experiências, como um provador virtual que permite ao cliente experimentar a roupa digitalmente ou uma experiência imersiva, na qual a sensação de diversão possa ser replicada por jogos de realidade virtual, serão cada vez mais frequentes e necessárias para gerar interesse e presença de marca.

“Estamos falando de uma nova economia, baseada no direito e não na posse, que incentiva experiências criativas e o retorno da imaginação. Exige interação social em tempo real, incentivando o mercado de cripto ativos em um espaço simultâneo e permanente, um mundo novo com possibilidades infinitas para gerar relacionamento e consumo”, considera.

Tendências de consumo no metaverso

A união entre o universo virtual e o físico ganha novos contornos no metaverso, como concertos exclusivos com artistas virtuais e ingressos limitados ou coleções inteiras sendo criadas virtualmente por designers de moda para atender um público cada vez mais exigente e em busca de criatividade.

Há ainda lojas virtuais que permitem compras no metaverso e se comunicam com canais físicos ou, ainda, collabs entre marcas offline e jogos virtuais são algumas das possibilidades que a plataforma traz para marcas e usuários.

“Influenciadores virtuais, que oferecem uma experiência 100% controlada para a marca promovem um maior vínculo com seu público, pois permitem que sua história seja escrita por muitas mãos. A co-criação de conteúdo passa a ser agora, não apenas com os influenciadores, mas também com os consumidores.

O live streaming e o social commerce vão permitir uma maior integração entre marca e consumidor, na qual a compra do produto pode ser feita sem precisar sair da plataforma. E os influenciadores, virtuais ou físicos, são peças-chave nesta dinâmica para gerar confiança, promover engajamento e vendas”, prediz a executiva.

5 tendências de marketing de influência para 2022

1. A performance será analisada com uma lupa

Embora se saiba que muitas marcas têm um orçamento alocado para a ativação de influenciadores, em 2022 veremos uma maior exigência em relação aos resultados individuais dos influenciadores, qualquer que seja o objetivo. “Algo que notamos com alguns de nossos clientes é que eles são cada vez mais críticos em relação às métricas e aos resultados entregues, por isso, esperamos que métricas, como o alcance potencial se tornem obsoletas e o foco se volte para o engajamento ou o alcance verdadeiro”, conta Maricarmen Alcocer, gerente de influencer marketing na another.

2. Nano e microinfluenciadores ganharão mais relevância

Os perfis de nicho, como os microinfluenciadores, estão se tornando mais atraentes para as marcas devido às comunidades que eles influenciam, à criatividade de seu conteúdo e aos baixos custos de ativação. Além disso, os nanoinfluenciadores (perfis com mil a 10 mil seguidores) também têm chamado a atenção por seu conteúdo, que reflete experiências autênticas e reais, o que geralmente se traduz em seguidores que confiam em tudo o que publicam.

Segundo Isis Mendoza, gerente de influencer marketing na another, além da autenticidade do conteúdo, certas atualizações, como o desaparecimento do “arrasta para cima” (substituído pela “figurinha de link”), deram a estes perfis ferramentas valiosas para conduzir o tráfego para outros sites fora da rede social.

3. Regras claras para todos

Uma das previsões mais importantes para 2022 é a profissionalização do setor. Já temos os casos da Federal Trade Commission (FTC) nos Estados Unidos, da Advertising Standards Authority (ASA) no Reino Unido e da Ley General de la Publicidad na Espanha, mas a América Latina ainda tem muito a aprender e regular quando se trata de influenciadores.

Embora nos últimos anos o uso de hashtags como #AD e #Publi tenha se tornado mais prevalente em alguns países, ainda não há regras claras para os influenciadores, portanto, a previsão para 2022 é que os influenciadores serão muito mais transparentes e levarão a consumidores informados, muito provavelmente acompanhados por políticas ou leis ditadas por cada país.

4. Lives e social commerce

As lives estão se tornando rotina nas redes sociais. Existe uma demanda crescente por esta tendência nos últimos meses e, em 2022, ela virá com muito mais força e acompanhada de características de social commerce para garantir as vendas dos produtos.

O live streaming eCommerce é um recurso já incorporado em muitas redes sociais, como o TikTok ou o Instagram, que permite às marcas adicionarem links de compras em vídeos ao vivo para que o público possa comprar sem sair do aplicativo.

Embora esta tendência, que é vista como a evolução dos infomerciais, esteja em uma etapa inicial na América Latina, sem dúvida ela se fortalecerá em 2022, ajudando a impulsionar a decisão de compra.

5. NFTs, metaverso e influenciadores digitais já não são ficção científica

Desde que a nova onda de realidade virtual foi revelada, termos como metaverso e inteligência artificial têm atraído a atenção para serem integrados em estratégias de influenciadores. Portanto, até 2022 podemos prever um grande número de campanhas neste mundo virtual e uma maior demanda e inovação entre os criadores, pois agora eles já não competem mais só entre si. Eles também terão de competir com os influenciadores virtuais que, embora já estejam ativos em várias redes sociais, dominarão o futuro do metaverso, de acordo com as tendências que temos observado.

Da mesma forma, os influenciadores começarão a experimentar os tokens não-fungíveis (NFTs), liberando colecionáveis, vendendo seu conteúdo mais viral ou desbloqueando experiências exclusivas. “As empresas começarão a colaborar com os influenciadores para produzir coleções NFT”, afirma Mayra Alcántara, diretora de influencer marketing na another.

Da mesma forma, as práticas nascidas em 2021 continuarão sendo aplicadas, tais como a preferência pelo formato de vídeo curto, a inclusão e diversidade de influenciadores, o apoio a causas sociais e a preferência por personagens que geram conteúdo criativo e relacionamentos de longo prazo. Mas eles devem ser verdadeiros amantes da marca, não se esqueça.

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