Conheça o primeiro jeans 100% rastreado por blockchain

Blockchain permitiu que Renner e Youcom dessem ao consumidor acesso a informações sobre a origem do algodão usado no jeans e todo o processo de produção antes de chegar às lojas; um salto significativo sobre moda e sustentabilidade

Foto: Fabiano Panizzi – Lojas Renner

Moda e tecnologia sempre caminharam juntas. Hoje, com o avanço de inovações tecnológicas, o mundo da moda ganha novos contornos – sobretudo com a questão da sustentabilidade. Prova disso é a utilização da tecnologia blockchain para auxiliar o consumidor sobre as informações e origem de um produto.

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A Lojas Renner e a Youcom  são exemplos desse avanço. Recentemente as marcas lançaram as primeiras peças em jeans do país 100% rastreadas usando blockchain. A tecnologia permite o acompanhamento de todo o ciclo produtivo, do cultivo do algodão à fabricação das roupas.

Nesta etapa do projeto, a Renner lança três modelos de calça jeans feminina. No caso da Youcom, são dois modelos de calça jeans feminina que começam a ser vendidos na segunda quinzena de junho. As duas marcas terão as peças no e-commerce e também em lojas físicas.

Os lançamentos são resultado de uma parceria com a Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) por meio do programa SouABR (Sou de Algodão Brasileiro Responsável), que rastreia desde as fazendas certificadas, onde a matéria-prima é produzida, até a entrega do produto final ao consumidor. A entidade ainda foi responsável, junto com a startup Ecotrace, pelo desenvolvimento desta solução de rastreabilidade digital voltada ao setor têxtil, incluindo fiação, tecelagem, confecção e varejo.

Para o diretor de Produto da Lojas Renner, Henry Costa, o projeto mostra que é possível conciliar moda, inovação e sustentabilidade para dar maior transparência ao processo produtivo, ao mesmo tempo em que permite engajar e influenciar positivamente os fornecedores e parceiros. “Reforçamos nosso compromisso com a moda responsável e permitimos que os clientes façam escolhas cada vez mais conscientes”, pontua Costa.

Os lançamentos integram a estratégia de sustentabilidade da Renner e Youcom que, desde 2019, já desenvolviam testes de rastreabilidade com resultados animadores quanto ao potencial de engajamento do setor.

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Selo do programa SouABR (Sou de Algodão Brasileiro Responsável), que rastreia as fazendas certificadas, onde a matéria-prima é produzida. Foto: Fabiano Panizzi – Renner

Mais transparência e confiança para o consumidor

O presidente da Abrapa, Júlio Cézar Busato, explica que em 2012, foi criado um protocolo único de certificação para as fazendas produtoras de algodão do Brasil. Um salto para a transparência e confiança junto ao consumidor. “É uma jornada longa conseguir levar essa certificação até a palma da mão do consumidor, que está mais exigente. Com o programa SouABR, entregamos o que ele pede: responsabilidade socioambiental e rastreabilidade”, declara Busato.

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Quais as vantagens da tecnologia blockchain?

A tecnologia blockchain criptografa e registra os dados sobre a peça de forma distribuída, garantindo a sua autenticidade e impedindo qualquer alteração. Isso significa que as informações inseridas por todos os fornecedores envolvidos na cadeia têxtil daquela peça são digitalizadas e auditáveis.

A partir daí, essa trajetória pode ser acessada por meio de um QR Code impresso nas etiquetas dos jeans, que irá remeter a uma landing page.

Além das fazendas produtoras de algodão, as empresas que participaram do projeto junto à Renner e à Youcom são a Vicunha Têxtil, nas etapas de fiação e tecelagem, e a Ease Confecções, na fabricação do produto final.

“Com esta ação pioneira, não só garantimos que a peça foi produzida em linha com boas práticas socioambientais, como também damos ampla visibilidade ao nosso cliente. Antes de chegar ao guarda-roupa das pessoas, cada peça já terá toda sua história devidamente registrada”, comenta Henry Costa.

A certificação fornecida pela Abrapa às fazendas de algodão possui 183 itens de verificação, distribuídos em oito frentes, incluindo, por exemplo, contrato de trabalho e condições dignas; veto a qualquer tipo de discriminação; segurança e saúde dos trabalhadores; e boas práticas de preservação ambiental.

Os próximos passos da estratégia de sustentabilidade da Renner

Agora, a Lojas Renner S.A. tem a ambição de, até o ano de 2030, alcançar 100% de rastreabilidade dos produtos de algodão, além de avançar na rastreabilidade das demais matérias-primas têxteis. O objetivo é parte do novo ciclo de compromissos públicos da companhia, que já conquistou resultados significativos nos últimos anos na área de sustentabilidade, implementando soluções inovadoras para o desenvolvimento e a geração de valor de todo o seu ecossistema de moda responsável.

Como parte desta evolução, a Renner atingiu, no final do ano passado, a marca de 81,3% das suas peças de vestuário com menor impacto ambiental e 99,15% dos produtos de algodão com matéria-prima certificada. Desde 2018, a Renner conta com o selo Re e, desde de 2020, a Youcom tem o selo YC Change, para estimular o consumo consciente e identificar os itens fabricados com algum atributo de sustentabilidade.

Benefícios por trás da tecnologia blockchain na rastreabilidade

O blockchain consiste em uma cadeia de informações que são validadas por todos os players participantes, portanto, uma das características principais dessa tecnologia é a segurança das informações.

Da mesma forma acontece no processo de rastreabilidade, quando ele é protegido via blockchain. Você tem informações de toda o ciclo produtivo e jornada do produto. Desde a origem da matéria-prima, transportadora até o destino. Ao final desse processo, todas as informações estão documentadas e não deve haver divergências. Essa jornada apoiada em blockchains é que garante segurança e transparência.

As possibilidades do blockcahin para o metaverso

Para o metaverso, o papel das blockchains é justamente garantir segurança para que o usuário detenha posse sobre seus ativos virtuais. Ou seja, se no metaverso você precisa das criptomoedas (NFTs) para que essa imersão virtual se torne transacional e comercializável, a NFT só é segura porque por trás dela existe a tecnologia blockchain. No entanto, mesmo com todo o avanço da blockchain, ainda existe muitas incertezas em torno do valor desses tokens não fungíveis (NFTs) para o metaverso.

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Por outro lado, para a moda o metaverso já é uma realidade. Muitas marcas já estão realizando ofertas, ações e projetos. Basta lembrarmos o exemplo da Decentraland, a plataforma de realidade virtual que sediou a primeira Metaverse Fashion Week em março deste ano com mais de 60 marcas participando. Sem falar nos inúmeros lançamentos de grandes marcas em produtos para o metaverso.

Por fim, blockchains e metaverso inspiram marcas e, sobretudo, a curiosidade do consumidor. Para as marcas, é a tecnologia dando mais oportunidade delas evoluírem na comunicação de seus valores, caso da Renner e da Youcom com blockchains e o compromisso com a moda responsável.

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