Pandemia faz surgir a era do e-commerce de carros – e já disponível no Brasil

O novo coronavírus e o distanciamento social impulsionaram a oferta de carros pela internet, incluindo o financiamento e até mesmo “lives” na internet. Veja

Há alguns meses, seria difícil imaginar um consumidor realizando a compra de um carro pela internet, incluindo até mesmo a contratação de um financiamento. O que muitos clientes tinham à disposição eram portais ou sites que customizam carros por algum canal digital, tais como a cor, o tipo de mecânica e até incluir itens que proporcionam algum conforto.

No entanto, o coronavírus desafiou a ordem analógica do negócio do setor automotivo ao redor do mundo e impôs uma nova realidade, digamos, virtual. Agora, já é possível realizar uma compra do início ao fim pela internet.

Em queda

Para o mercado de autos, a impressão é que a internet se tornou uma salvação de um mercado praticamente parado por causa do distanciamento social imposto pelo COVID-19. No entanto, há poucos meses a internet tinha uma finalidade quase que exclusivamente voltada para a divulgação de um veículo. Redes sociais e sites eram vistos como ótimos canais de informações e dúvidas sobre um carro. A venda, por outro lado, era realizada pela concessionária ou loja de carros.

Evidentemente que a venda física ainda é decisiva para o setor automotivo. Mas o consumidor decidiu mudar um pouco a lógica da jornada de compra a partir de uma visão mais digital. Uma recente pesquisa recente do Google, por exemplo, mostra mais de 95% dos consumidores buscam a internet como fonte de informação sobre um carro. Mais: 91% iniciam a jornada de compra de um carro por meio digital, ou seja, escolhem cor, modelo, definem as especificações técnicas e os itens de série por esse meio.

A mesma pesquisa, no entanto, trouxe um dado ainda mais curioso e que confirma a mudança de comportamento do consumidor. De acordo com o estudo, a internet não é apenas uma fonte de informação do consumidor, mas seria um lugar onde o consumidor forma a sua convicção sobre o que gostaria em um carro. A loja apenas validaria a convicção do cliente.

O próprio estudo do Google mostra que 41% dos entrevistados disseram que foram a uma concessionária apenas para confirmar a escolha feita na internet. Nesse sentido, ao menos por enquanto, ainda a vale a famosa lógica de São Tomé: só acredite vendo.

Pandemia

O fato é que todo esse cenário acima é anterior a pandemia do coronavírus. Em em uma situação normal dificilmente a jornada de compra seria totalmente digital – ao menos neste momento. Teríamos, na melhor das hipóteses, teríamos uma ou outra venda feita pela internet. Tanto é verdade que o estudo da Anfavea, entidade patronal do setor automotivo, sequer possui dados de vendas de carro pela internet.

Mas o coronavírus acelerou esse processo de transformação digital em uma proporção ainda difícil de mensurar, mas, ao mesmo tempo, com uma convicção: ela veio para ficar. Em uma recente entrevista a revista Exame, Luiza Trajano, presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, resumiu o momento: “A pandemia forçou empresas a evoluir 20 anos em 20 dias”.

Montadoras, assim como outros negócios, não tiveram muita escolha: migraram às pressas para a internet, pois viram o negócio despencar quase do dia para noite. Sem as concessionárias, fechadas pelo poder público, o setor simplesmente não vende carros e isso se compra por meio de outro estudo.

Um levantamento feito pela LCM Automotive, consultoria especializada no mercado de autos, afirma que o novo coronavírus resultou em uma diminuição de 13% na quantidade de veículos fabricados ao redor do mundo. Se em 2019 o mundo o setor construiu 88,8 milhões de carros, este ano a expectativa é de 76,9 milhões. Em tempo: antes da pandemia, a expectativa era fabricar mais de 90 milhões de carros.

EUA: de financiamento digital a “live” no show room

Em outras palavras, a aposta no digital virou um meio de sobrevivência – e talvez o único neste momento. Mais do que isso, tornou-se um símbolo de esperança do setor automotivo.

Em países como os EUA, por exemplo, já existem montadoras e até concessionárias oferecendo uma experiência de compra pela internet do início ao fim pela. Para alguns, esse fenômeno teve como ponto de partida o chamado “efeito Amazon” e que foi potencializado com o COVID-19. O resultado dessa mudança ainda em curso se traduz em vendas on-line que incluem desde o financiamento pela internet até uma “live” em show room por meio de um vendedor. Além disso, lojas pequenas e concessionárias americanas se tornaram clientes de última hora de empresas de tecnologia dispostas a oferecer chatbot ou modelos transacionais pela internet.

A Jeep Dodge South Oak Chrysler Ram, em Illinois, nos Estados Unidos, é um exemplo. Uma recente reportagem da CNN mostrou que a loja já era conhecida por seu modelo de venda de carro por telefone ou e-mail. No entanto, recentemente, a empresa mudou a sua experiência para um sistema totalmente on-line, incluindo a seleção do carro, a negociação e até mesmo o financiamento. Ou seja, se o cliente quiser, nem precisa pisar na loja. Conheça o site da loja aqui.

As novidades que surgem em vendas de carro pela internet não param por aí. Mais do que apenas vender e financiar o carro pela internet, há empresas que entregam o veículo em casa. General Motors (GM), Fiat, Chrysler, Ford e Toyota possuem sistemas de compra e entrega em domicílio.

No entanto, o que tem encantado alguns fãs de carros é o site exclusivamente dedicado a venda de Cadillacs, da GM. Recentemente, a marca lançou o chamado Cadillac Live, um site em que os compradores podem assistir apresentações ao vivo dos carros e utilitários esportivos da marca em tempo real.Veja aqui.

“Se você atualmente possui uma concessionária que possui 10% de suas vendas baseadas em um sistema on-line, talvez, agora, isso possa chegar a um terço”, afirmou, em tom profético, Jack Hollis, responsável pelo marketing da Toyota na América do Norte, em uma entrevista para a CNN.

Brasil também aderiu ao digital

Acontece que esse movimento não ocorre exclusivamente nos EUA. As montadoras brasileiras também oferecem experiências digitais de compra, sendo que algumas delas incluem até a possibilidade de contratar um financiamento. Sim, é possível comprar um carro na internet por aqui.

A Renault, por exemplo, afirma que é a primeira montadora no Brasil a vender todos os seus veículos pela internet. “Sabemos que os clientes estão cada vez mais conectados e fazem diversas atividades e compras on-line. O nosso e-commerce é mais uma forma prática, simples e segura de adquirir um Renault”, afirma Ricardo Gondo, presidente da Renault do Brasil em comunicado.

Segundo a empresa, o site da Loja Renault inclui as etapas da aquisição de um automóvel, incluindo financiamento, pré-avaliação do usado e pagamento por boleto.

Outro caso recente é o da Ford no Brasil. A marca também passou a oferecer a venda do veículo pela internet por causa da pandemia do novo coronavírus, uma iniciativa chamada de “Compre Sem Sair de Casa”.

Segundo a empresa, o cliente da marca precisa preencher um cadastro no site da montadora, no campo “Compre Sem Sair de Casa”. Todas as demais etapas do processo são feitas remotamente: desde o financiamento, avaliação do carro usado, seguro, emplacamento e test-drive até a entrega do veículo em domicílio.

“Nesse momento, sabemos que as atenções estão totalmente voltadas para a proteção e saúde das pessoas. Mas também percebemos que alguns clientes mantiveram suas compras, pois precisam de um carro para se locomover com mais segurança”, diz Antonio Baltar Jr., diretor de Marketing, Vendas e Serviços da Ford. “O objetivo desse novo canal é oferecer comodidade e conveniência para que ele possa fazer todo o processo de compra do veículo sem precisar sair de casa.”

A Nissan também disponibilizou um serviço de oferta por meio de uma ação excepcional de venda por causa da pandemia. No site, o consumidor escolhe o veículo, preenche o formulário e afirma que tem a intenção de comprar um carro. A GM possui o chamado Shop, Click and Drive, cuja ideia é também oferecer uma jornada completa de compra por meio do site.

Ao que tudo indica, as montadoras também devem seguir na direção de um modelo mais digital de compra. Uma boa notícia em tempos tão difíceis.






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