Os impactos do distanciamento social nas tendências de consumo

A pandemia do novo coronavírus impulsionou tendências que já vinham sendo observadas. Como as empresas devem se posicionar diante desse cenário?

“Grandes tendências costumam levar um pouco de tempo para que as organizações efetivamente as enxerguem e tenham coragem de efetivamente mudar.” Com essa frase, Carlos Caldeira, sócio e professor da KC&D/INSPER, deu início à mediação do painel “Os impactos do distanciamento social nas tendências de consumo”, do CONAREC 2020.

Para o especialista, o distanciamento social acelerou tendências de consumo e de marketing que já estavam surgindo antes da pandemia e impulsionou empresas a buscarem entender melhor outras. Sobre isso, Carlos conversou com Diego Pagura, chief cliente officer da IPSOS, e com Fabio Neto, diretor de marketing do brMalls.

Empresas com propósito

Cada vez mais as pessoas buscam por propósito e as estão imbuídas nessa questão. Esta é uma das tendências levantadas por Carlos, e comentada por Diego Pagura. “Estamos em um mundo que muda e é impactado por diferentes coisas, somos sempre forçados a pensar o futuro em questões humanas. A questão do propósito tem a ver com a autenticidade e com a sustentabilidade. As marcas que eu consumo têm que refletir naquilo que eu acredito, é uma questão de valores muito forte”, afirma o chief cliente officer da IPSOS.

Diego afirma que o propósito vem como resposta à pandemia, no momento em que as empresas se colocam à disposição e atendem ao que o consumidor busca. “As pessoas trazem esses temas de autenticidade e sustentabilidade na pauta dia a dia e as empresas mergulham nisso”, diz. “A grande questão agora é como isso continua. Então estamos vendo dilemas em relação ao posicionamento de marca e reavaliação do propósito”, acrescenta.

Fabio Neto, diretor de marketing da brMalls, considera que as relações com o varejo têm sido cada vez menos transacionais e mais relacionais, e outros fatores devem ser pontuados antes mesmo imaginar o futuro das tendências no mercado de consumo. “Devemos identificar caminhos embrionários e comportamentos emergentes”, diz.

Há ainda uma necessidade de não generalizar a tendência de propósito. Fabio explica com um exemplo: “Reabrimos dois shoppings em uma mesma cidade, os dois mostraram comportamentos muito diferentes. Temos que entender de fato qual é o nosso cliente e tomar cuidado para não mudar tudo que a gente vinha fazendo porque talvez o meu consumidor não mudou na mesma intensidade que tudo aponta. Vamos entender como o consumidor se conecta à marca e encontrar nessa relação a melhor jornada para ele”.

O comportamento do consumidor

A pandemia trouxe muitas mudanças para o dia a dia, mas quem de fato foi impactado ou o que realmente irá perdurar? Fabio raciocina: “Quando a gente fala de hábitos ou mudanças, eu gosto de separar em duas colunas. Tem as mudanças que foram impostas, ou seja, não aglomerar, não ir ao cinema, e não quer dizer que a gente nunca mais vai fazer isso. E tem os hábitos que nasceram de dentro de nós, um deles é o balanço da vida profissional com a pessoal. É preciso distinguir para entender o comportamento”.

“Eu preciso entender o que vai impactar no comportamento além do dado que eu já tenho. Entendendo que hoje o consumidor é levado por questões motivacionais”, diz Diego Pagura. O chief client officer da IPSOS, empresa de pesquisa e de inteligência de mercado renomada mundialmente, traz os dados de uma pesquisa onde 55% das pessoas responderam estar dispostas a mudar de hábitos após a pandemia e outros 45% não se mostraram disponíveis às mudanças.

Nesse sentido, o desafio das empresas é saber interpretar as tendências e agir de acordo com o seu consumidor, para sempre atender às necessidades dele.


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