Habilidades e comportamentos dos líderes do futuro já são o presente

As novas lideranças estão focadas no ser humano, na capacidade de exercitar a empatia e compartilhar

Tive a oportunidade de estar no painel do Whow Festival 2020 para discutir esse tema, em uma imersão de três dias de inovação, disrupção e vivência digital. Mas, afinal, quais são os comportamentos e as habilidades necessárias para os líderes do futuro?

É incrível constatar que, finalmente, as características impulsionadoras das novas lideranças, nas suas mais diversas áreas de atuação, estão agora focadas no ser humano, na capacidade de exercitar a empatia e compartilhar. E o exercício do ouvir, por meio de uma escuta ativa, nos faz refletir sobre a importância da horizontalidade nas decisões.

Esse novo comportamento que se estabelece como modelo de liderança empática reflete diretamente na longevidade de marcas e na prosperidade dos negócios.

Começamos a notar mais líderes altruístas, vulneráveis e assistentes. Sim, esses são os que têm a capacidade de priorizar o ser humano no centro do negócio.  Aceitar a vulnerabilidade não como uma medida de fraqueza, mas como a melhor definição de coragem, já dizia Brené Brown, e que tem a legítima humildade para compreender que existimos porque estamos à serviço para auxiliar alguém, seja o consumidor da sua marca, a sua equipe ou o conselho diretivo da sua empresa.

Nova cultura

CMO 2025: O futuro da Liderança de Marketing, o estudo mais recente da “SpencerStuart”, uma das maiores consultorias para lideranças do mundo, aponta as características dos Líderes de Marketing dessa nova era em que estamos incluindo a visão do pós-pandemia.

Entre as evidências está o envolvimento da liderança por meio da visão colaborativa com a equipe; além disso, a chamada de atenção para a necessidade de aprendizado contínuo e da motivação constante, por meio do reconhecimento. É preciso unificar os discursos, remover os ruídos de comunicação entre a equipe e, principalmente, levantar a bandeira da diversidade sem deixar de ser autêntico.

“Essas características não podem ser forçadas e dependem de um estilo de liderança inclusivo e de ego inerentemente baixo; aquele que define um tom cultural importante, bem como demonstra o valor de capacitar, mentorar e inspirar.” – estudo da SpencerStuart.

Esses são fatores impulsionadores das lideranças na Nova Economia, que compõe a chancela da transformação cultural, da mudança de mindset, para a transformação digital. Em entrevista exclusiva à StartSe, o italiano Andrea Iorio, referência em transformação digital, falou sobre os princípios da mudança de mindset em empresas e pessoas, suas experiências como diretor da L’Oreal e do Tinder no Brasil, as diferenças entre soft skills e hard skills e a importância do setor de recursos humanos nos processos de transformação das empresas.

Para ele, a cultura digital é a cultura da agilidade e não existe uma grande distinção entre transformar a cultura de uma empresa ou dos empregados, porque, na prática, a companhia é o coletivo.

Iorio é autor do livro “6 Competências Para Surfar na Transformação Digital”, no qual elenca as principais capacidades para pessoas e empresas alinhadas com a Nova Economia. Elas são: flexibilidade cognitiva (capacidade de compreender diferentes áreas do conhecimento), execução inovadora (capacidade de prototipar de forma ágil), compreensão do comportamento humano (capacidade de ler e analisar outras pessoas e a si mesmo), pensamento crítico (capacidade de ir além do status quo), crescimento sustentável (capacidade de se desenvolver agregando valor para si) e altruísmo digital (capacidade de priorizar o ser humano no centro do negócio).

O altruísmo digital está totalmente conectado à capacidade empática de líderes colocarem os consumidores no centro do propósito das marcas.

A Mondelez Brasil, tem como propósito colocar o consumidor no centro das decisões e a companhia tem a visão de que os colaboradores são seus primeiros consumidores e também embaixadores. Por isso, recentemente lançou o Programa Consumidor N.1, um canal exclusivo para funcionários liderado pela Liz, a assistente virtual. O foco do programa é que os colaboradores possam fazer contribuições sobre produtos, distribuição e pontos de vendas: sugestões, elogios ou solicitações, todas elas feitas via WhatsApp. Um exemplo de escuta empática, cultura protagonista e liderança centrada no consumidor. #orgulhodesermondelez

Mundo pós-pandemia

E não poderia deixar de finalizar esse artigo sem dar uma passadinha no futuro para concretizar o tema e assim mencionar a perspectiva da ONU e do Fórum Econômico Mundial sobre as habilidades e competências essenciais para o trabalho no mundo pós-pandemia.

O relatório “O Futuro dos Trabalhos” mostra que não será suficiente resolver equações e desenvolver códigos. Além da capacidade de pensar de maneira crítica, o líder do futuro precisa ter criatividade, saber resolver problemas e ser capaz de cooperar. Somam-se a essas habilidades, segundo a Harvard Business Review, a capacidade de identificar novas oportunidades, estar confortável com as incertezas, colaborar e orientar equipes e construir networking.

O fato é que o mundo em que vivemos é testemunha de mudanças rápidas e significativas, estamos passando por um período de profundas transformações e acelerações. E trazendo esse relatório ao momento presente, me questiono se de fato essas habilidades e competências são mesmo sobre o futuro. Afinal, desde o início da pandemia como líder de uma empresa tenho tido que aprender, desenvolver e praticar quase todas essas habilidades e competências diariamente. E que bom!

Afinal, ao olhar para o próximo século, os líderes serão aqueles que capacitam os outros (Bill Gates).

E se você sentir que não dá para desenvolver todas as habilidades e competências requeridas, está tudo bem; pois como diz Elon Musk, esteja sempre pensando em como você pode fazer melhor!


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