Mas por que o Burger King comprou a Domino’s?

Há um ano no radar da BK Brasil, Domino’s é vista como caminho para tirar o atraso digital e consolidar portfólio de fast-food

Fonte: Divulgação Domino’s Pizza

O Burger King anunciou um acordo de associação com a Domino’s Pizza — o que significa, em outras palavras, que ela está comprando a Domino’s. Que a iniciativa a ser aprovada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) visa expansão na participação de mercado é óbvia, mas por que a Domino’s especificamente?

Em abril do ano passado, Jorge Paulo Lemann, sócio do fundo 3G que controla gigantes como AB InBev, Kraft Heinz, B2W e Burger King, admitiu que o fundo sofria de um atraso digital.

“Estamos um pouco atrasados no mundo digital por causa do nosso tipo de negócio. Estamos correndo atrás em todas as nossas empresas. Começamos um pouco atrasados, mas vamos chegar lá”, afirmou o empresário em um evento com executivos na época. “As Lojas Americanas já têm a Ame, que é uma forma de pagamento digital, e o Burger King está acompanhando tudo o que se passa na Domino’s Pizza, por exemplo, que no ramo de comida rápida é o mais avançado. Na parte de cerveja, temos vários produtos digitais, estamos testando a entrega mais rápida para clientes e consumidores.”

Respondendo à pergunta, a BK Brasil (dona do Burger King e da Popeyes) comprou a Domino’s porque quer entrar em um grande mercado de alimentação que está em franca expansão — a alimentação fora do lar — ao mesmo tempo que se firma como foodtech que usa tecnologia e dados como forma de aprimorar a jornada do consumidor. A Domino’s é exemplar nesse ponto, que também é forte em delivery.

“A estratégia de crescer e ingressar no grande mercado de pizza já vinha sendo estudada há algum tempo e a oportunidade agora nos parece perfeita pelo potencial da marca e por ir na direção das tendências de consumo que vimos serem aceleradas desde o ano passado”, comenta Iuri Miranda, CEO da BK Brasil, que permanecerá à frente da empresa, dando pistas de que o comentário feito por Lemann significava um interesse do fundo desde aquela época. “A Domino’s é um ícone mundial e referência em pizza, delivery e uso de tecnologia, e estamos muito animados com o potencial desta operação e por passarmos a estar presentes em três categorias importantes dentro de QSR (quick service restaurant), por seus tamanhos e crescimento: hambúrguer, frango (Popeye) e pizza.”

A marca Domino’s passará a integrar o portfólio da BK Brasil resultando em uma empresa com mais de 1.200 restaurantes em todo território nacional e se tornando um fast-food maior que o McDonalds no País. Hoje, a DP Brasil, controladora da Domino’s, é líder no segmento de pizza fast-food no Brasil com 90 restaurantes próprios e 213 restaurantes franqueados, além de contar com uma operação verticalizada de suprimentos, com produção de massa fresca e comercialização de insumos para a rede em 22 Estados mais Distrito Federal.

Com a associação, a BK Brasil passa a ter marcas globais referências de QSR no Brasil, criando um ecossistema de fast-food.

Com o maior conhecimento dos dados sobre o comportamento de compra dos clientes de fast-food, a aproximação dos negócios tem tudo para alavancar o conhecimento entre os seus segmentos de atuação, uma vez que a Domino’s tem presença no consumo em casa por entrega e o Burger King e o Popeyes são restaurantes.

Domino’s: dominante e direcionadora

Consolidada em vários países do mundo, a Domino’s vem ganhando projeção acelerada no Brasil, justamente pelo uso da tecnologia em função da experiência do cliente. Esse aspecto tecnológico alinhado ao seu direcionamento nas entregas escancarou a relevância do negócio com a pandemia, como conta Fernando Soares, CEO da Domino’s Brasil.

“A companhia carrega no seu DNA dois pilares que nos diferenciam: somos uma empresa de tecnologia que vende pizzas e nascemos para fazer entregas. Esses, sem dúvida, são os principais fatores que tornam a nossa empresa tão cobiçada. Nosso sonho era dominar o mercado de fastfood e conseguimos alcançar ótimos resultados ano passado, mesmo em meio à pandemia, com crescimento de receita digital de 68%, por conta dos nossos investimentos nos canais digitais“, releva o executivo.

“Trabalhamos com um sistema único que permite, por exemplo, o acompanhamento em tempo real da operação de todas as mais de 300 lojas e dos canais próprios de delivery; lançamos de forma pioneira pedidos por voz e Whatsapp, além de uma central telefônica digital para pedidos, e mergulhamos em dados com análises precisas do comportamento do nosso consumidor, para entendermos de fato suas necessidades e quais as melhores oportunidades que temos ali”, completa Fernando.

A tecnologia possibilita à companhia criar um ecossistema fluido e integrado, na qual ela pode testar novos modelos de negócios e abrir tendências do varejo para encantar nosso cliente a partir do conhecimento de seu comportamento.

Tirando o atraso

Tanto em comunicado ao mercado quanto nota à imprensa, a BK Brasil deixa claro que a associação com a Domino’s tem o papel de acelerar a transformação digital. Esta é uma prioridade da controladora em 2021, já que a pizzaria é conhecida como “empresa de tecnologia que vende pizza” e seu uso de dados oferecer experiências diferenciadas.

“Nos últimos três anos, a Domino’s consolidou-se como líder do segmento de pizzas no Brasil, tendo revolucionado o mercado de fast-food através de um modelo de gestão baseado em tecnologia, experiência do consumidor e expansão acelerada de lojas. Temos muito orgulho do que foi construído neste período e estamos entusiasmados com o potencial desta associação e com as inúmeras possibilidades em impactar positivamente ainda mais nossos colaboradores e consumidores, comenta Fernando.

Recentemente, a BK Brasil havia anunciado que parte do valor total de R$ 510 milhões seria destinada ao processo de transformação digital para conhecimento de seus mais de 50 milhões de clientes anuais. O interesse no desenvolvimento tecnológico também passa por seu programa de fidelidade, o Clube BK, que já conta com mais de um milhão de participantes.

“Nos últimos três anos, a representatividade de nossas vendas através de canais digitais saltou de 12% para 55% e a nossa expectativa continua sendo de crescimento, apoiado por iniciativas como WhatsApp e tecnologia de pedido por voz, além de importantes atualizações em nosso site e aplicativo que serão lançados nos próximos meses”, afirma Fernando.

 


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