St Marche e a silenciosa jornada do produto no varejo de alimentos

Rede de supermercados fecha parceria com promissora startup brasileira de modelo disruptivo

Fonte: Unsplash

Em um mundo com os olhos voltados à jornada do consumidor, a forte transformação na jornada do produto pode acontecer silenciosamente. Esta mudança, entretanto, é de grandes proporções, a ponto de escritores como o professor da Universidade de Nova York Scott Galloway cunhar o que chama de fenômeno da “Grande Dispersão” — uma condição em que produtos e serviços podem ser distribuídos sobre uma grande área quando e onde eles mais são necessários, eliminando fricções e custos desnecessários.

Mas a dispersão — que pode manter a materialidade do produto ou não — depende de inteligência para resolver variáveis complexas. No varejo, a St Marche descobriu quem faça isso.

Na maioria das vezes, um produto sai de uma fazenda, passa pelo transporte até uma central de distribuição, passa por um processo de padronização — como uma embalagem, por exemplo — até que algum intermediário o leve finalmente ao supermercado. Na rede St Marche, a história da jornada do produto agora é outra, já que a plataforma Muda meu Mundo encontra o match ideal entre produtor e supermercado com demanda de produto.

“Com isso, às vezes chega a levar 48 horas entre o produto ser recolhido e chegar ao supermercado, o que diminui o tempo de vida do produto e causa desperdício“, explica a CEO da startup Muda meu Mundo, Priscilla Veras, que desenvolve com sua equipe a inteligência que começa a ser adotada por 100 unidades St Marche no Estado de São Paulo até o começo de 2022. Hoje, o desperdício alimentar no ponta a ponta entre campo e varejo é de 30%, em média. Com a inteligência logística da plataforma, o percentual cai para 2,9%. “E a gente consegue trazer o produto, entre ser colhido e estar na loja, em 12 horas”, frisa a executiva.

O seu mundo está mudando

Megacadeias de fornecimento são legados de estruturas coloniais. O futuro está na dispersão de produtos e serviços em uma escala menor, com produtos viajando menos e assim resultando em menos emissões e inflações. Uma logística moderna liberta as pessoas das cadeias de fornecimento e permite que elas façam conexões entre si. Ao conectar pequenos produtores de alimentos orgânicos e varejistas, a Muda meu Mundo agrega valor ao ecossistema produtivo com solução logística, incentivo à produção local, educação e à precificação.

Sediada no Cubo Itaú, em São Paulo, a startup decola com a ascensão do ESG e está no radar de investidores nacionais e internacionais desde 2017, ainda quando conquistava o Ceará, já que gera mais receita a diversas partes por meio de uma tecnologia totalmente nova.

“A gente desenvolveu uma metodologia que é uma tecnologia de análise pela qual conseguimos enviar ao supermercado qual a disponibilidade de produto que o produtor tem. O supermercado marca quais produtos têm interesse em comercializar, quantas vezes por semanas e em qual quantidade. Ao mesmo tempo, ele coloca dicas de produtos que ele gostaria que tivesse. Então, a gente capta um produtor e liga a um supermercado por meio do nosso sistema interno que faz a avaliação e faz esse match entre a melhor produto para o supermercado comprar e a quem pertence esse melhor produto, de forma que encontramos o ‘produtor perfeito para o supermercado perfeito'”, explica Veras.

A plataforma faz avaliações periódicas do impacto social de desenvolvimento de todos os elos da cadeia para rastrear os resultados e identificar os benefícios socioambientais — o que favorece as métricas das agendas ESG dos supermercados.

Educação do consumidor e métricas ESG

Tendo em vista o compromisso das grandes marcas de supermercado em educar o consumidor e favorecer parcerias com fornecedores compromissados com ESG, na ponta do consumidor final, os produtos comercializados por meio da startup chegam às gôndolas com um QR code no qual o consumidor pode obter todas as informações sobre o produtor, método de produção e acessar imagens.

“Estamos falando de uma visão moderna e justa de economia, de uma tecnologia que engaja pequenos produtores para comercializar com o varejo ao mesmo tempo em que consegue gerar benefícios de impacto positivo social e ambiental, encurtando a cadeia de alimentação e exercitando na prática os melhores conceitos de ESG e inovação para gestão de uma cadeia de abastecimento sustentável“, comenta Veras.

Ainda no coração do ESG das varejistas, a plataforma contratada pela St Marche também certifica as famílias produtoras com certificação orgânica prevista em lei e uma qualificação em sustentabilidade, ambas desenvolvidas pela startup. Os relatórios embasam as métricas de cada objetivo de desenvolvimento sustentável que a varejista venha a ter, como, por exemplo, a redução de desperdício, de CO2, de agrotóxicos, de utilização de sacolas plásticas, e o aumento médio de renda e da produção dos agricultores.

Para completar, é oferecido suporte na logística, emissão de notas e adiantamento de recebíveis para o agricultor.

A multilateralidade da plataforma explica seu crescimento de 433% em um ano.

Educação

Como parte do modelo de negócio para tornar o produtor mais preparado a suprir as necessidades do mercado, a Muda Meu Mundo oferece uma plataforma de aprendizagem com videoaulas e materiais sobre gestão de propriedade, precificação e sustentabilidade, entre outros temas. Os agricultores são orientados a reflorestar, usar água com responsabilidade, reduzir o CO2 e ter atenção especial no tratamento dos animais, de forma a garantir menor impacto ambiental e a sustentabilidade desse processo.

“A gente desenvolveu um back de plataforma no qual conseguimos avaliar se o produtor está consumindo conteúdo e qual ele mais consome — se consome mais os vídeos, as cartilhas, se gosta de responder aos quizes. E com isso a gente aprende qual o estilo de aprendizagem do produtor”, explica Veras.

“Temos diversos conteúdos, que vão desde aprender a fazer agricultura sustentável até o processo de comercialização. Quando percebemos que determinado produtor está com um problema de pós-colheita, indicamos que ele faça determinada atividade e assista certa lição. O ideal é que ele siga todo o programa, mas se for um produtor já desenvolvido, recomendamos pelo menos que siga as lições que tem mais dificuldade. E a gente consegue ver tudo isso através do back da plataforma.”


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