Retorno ao trabalho presencial depende de adaptação dos colaboradores

Com escritórios reabrindo, tanto as lideranças quanto os colaboradores terão que se adaptar ao “novo normal” do mundo corporativo

Foto: Shutterstock

Com o avanço da vacinação contra a covid-19 no Brasil, já se fala do momento em que as empresas retornarão ao trabalho no escritório. O movimento vem acontecendo desde o começo de 2021 em todo o mundo e causa controvérsias tanto por parte das empresas quanto de seus funcionários. Muitos deles podem não estar tão animados assim para abrir mão do home office, enquanto muitas empresas já fazem planos para esse retorno ao trabalho presencial.

Fazer esse movimento, entretanto, é algo que exige cautela e atenção, além de pedir um esforço a mais para a realização de uma adaptação ao chamado “novo normal” do mundo corporativo.

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Retorno ao trabalho presencial, mesmo que parcialmente

O home office foi a solução encontrada pela grande maioria das empresas para manter os negócios funcionando durante a pandemia. O processo de adaptação a esse modelo não foi fácil. Uma vez estabelecido, porém, fez com que muitas organizações descobrissem que talvez não precisassem mais manter uma estrutura presencial tão grande.

Mas mesmo as grandes empresas de tecnologia, que já aplicavam um formato de trabalho muito mais flexível que o mercado e chegaram a acreditar que o trabalho presencial tivesse perdido a vez, passado o período crítico da pandemia, fizeram o movimento é contrário. Amazon, Google, Microsoft anunciaram que pretendem, sim, voltar ao escritório, mesmo que de maneira híbrida.

Leia mais: Home office, presencial ou híbrido: qual é o próximo modelo de trabalho? 

Isso não quer dizer exigir a presença diária e em turno completo dentro da empresa, mas, pelo menos, ter a presença em alguns dias ou momentos da semana. O Google, por exemplo, permitiu que seus funcionários trabalhassem à distância, mas precisam estar próximos o suficiente para se deslocarem até o escritório caso seja necessário.

Ou seja, o formato híbrido surge, assim, como uma das grandes tendências do momento pós-pandemia. Uma pesquisa realizada pela IDC e encomendada pelo Google Cloud reuniu a opinião de 900 colaboradores de diferentes empresas brasileiras e os números mostraram também essa preferência. Cerca de 59% dos entrevistados afirmaram que desejam um modelo híbrido de trabalho, sendo que esse número aumenta ainda mais entre os mais jovens.

Seja em formato híbrido ou integral, o retorno ao trabalho presencial é a realidade de grande parte das empresas, exigindo tanto dos gestores quanto dos colaboradores, uma adaptação ao novo cenário.

Adaptação dos colaboradores é importante

Ana Debiazi, CEO da Leonora Ventures, uma empresa de Corporate Venture Builder focada em inovação, vê esse cenário de perto, tanto como gestora quanto como consultora de outros negócios. Para ela, o principal desafio das empresas nesse novo momento é fazer com que os funcionários não sintam o impacto de não ter mais a disposição as facilidades do home-office. “Acredito que as empresas precisam se adaptar a esta nova realidade de forma gradual, fazer uma transição tranquila, adotar um formato híbrido talvez, para caminhar para o retorno total depois”, disse.

As facilidades e o conforto do home office, principalmente para aqueles que passavam horas no trânsito, podem acabar sendo valores importantes para os colaboradores. Muitos profissionais e especialistas no mercado indicam, inclusive, que as empresas terão que fazer um esforço maior para reter talentos, principalmente em áreas de grande demanda no mercado.

Segundo Ana Debiazi, precisa existir, por parte das organizações, uma demonstração dos benefícios do trabalho presencial, para que os colaboradores realmente vejam valor em sair de sua casa para ir até lá. “É interessante salientar a convivência com a equipe e colegas, aquele insight que surge durante uma conversa na copa ou no almoço, esses momentos que são de descontração, mas que não ajudam no trabalho”, indica a CEO da Leonora Ventures.

Outro ponto que ela acredita ser importante é permitir que os colaboradores participem ativamente, dando opiniões e ideias sobre a estratégia de volta. Para isso, é preciso uma comunicação clara e objetiva por parte dos gestores, que precisam incentivar essa participação e estar aberto a discutir essas ideias. Ou seja, os líderes precisam estar alinhados com as regras da organização ao mesmo tempo em que têm papel importante nas estratégias de retorno ao trabalho presencial.

O papel das lideranças no retorno ao trabalho presencial

“Acho que a melhor maneira de as empresas estarem preparadas para receber de volta seus funcionários é fomentar a cultura da comunicação aberta entre líderes e liderados. Não existe nada que supere um canal de diálogo livre e direto, você fortalece as relações de confiança e consegue, inclusive, antever possíveis objeções”, afirma Ana Debiazi.

Esse é visto como o maior desafio de todos, na opinião da CEO. Alinhar a comunicação, torná-la clara e objetiva em um formato híbrido ou na volta do 100% presencial será tarefa de todos, líderes e colaboradores. “Acredito que os cuidados na retomada da rotina serão muito mais no sentido de alinhamento e orientação do que propriamente do espaço físico, que já deve existir de qualquer forma”, opina.

Mesmo assim, vale lembrar que os cuidados referentes ao combate à covid-19 precisam fazer parte dessa estratégia de retorno. Isso, além de evitar a transmissão, também pode dar mais segurança para que os colaboradores se sintam à vontade em retornar ao escritório.

“Vejo também que a empresa pode fazer palestras com profissionais competentes para explicarem como as doenças respiratórias funcionam, quais as melhores medidas para evitar contágio e para tirar dúvidas dos colaboradores. Outro ponto é disponibilizar profissionais de saúde mental, para que aqueles que ainda estão sofrendo com crises de ansiedade e depressão, provenientes do isolamento e do medo, possam se consultar e serem ajudados”, comenta Ana Debiazi.

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