Sopranos, Chevrolet e o poder do storytelling no Super Bowl

A nova propaganda da Chevrolet apresenta uma refilmagem da abertura de Os Sopranos e traz consigo uma grande conexão com os Millennials.

Foto: Reprodução Chevrolet.

Na era digital e de consumo audiovisual, muitas vezes as empresas se questionam sobre o poder de uma boa propaganda. Isso porque a máxima das publicidades vem, nos últimos anos, trabalhando o storytelling arduamente para encontrar uma maneira de se reconectar com o consumidor, transmitir um sentimento que esteja alinhado com os valores da marca e causar um impacto duradouro. E essa não é uma tarefa simples.

É por esse motivo que a mais recente propaganda da Chevrolet causou tanto alvoroço durante o Super Bowl, sobretudo entre os Millennials: ela trouxe, além de um brilhante storytelling, muitos dos sentimentos que a nova geração carrega atualmente, mas com um toque que deixou tudo ainda mais mágico: a nostalgia.

Leia mais: Enfrentando o Super Bowl: a difícil tarefa de superá-lo fora do campo

Inspirada na abertura da série Os Sopranos (1999-2007), o comercial reproduz a abertura do show com a atriz Jamie Lynn Siegler, que interpretou a filha do protagonista Tony Soprano, desta vez assumindo sua posição de motorista. A Soprano percorre os mesmo locais que o pai mais de 20 anos atrás, revisitando as paisagens e, por fim, representando a mais nova geração que segue à frente do volante em 2022.

Um show de valores, atualidades e nostalgia para os Millennials durante o Super Bowl

O motivo pelo qual a propaganda é tão importante não é pela produção cinematográfica, que, vale destacar, é idêntica à abertura de Os Sopranos, mas por todos os sentimentos que ela causa — e a um público muito específico, que acompanhou a série ao longo dos quase 10 anos em que ela ficou em exibição. Tudo isso, importante relembrar, em um evento tão fervoroso da cultura americana quanto o Super Bawl.

Assine a nossa newsletter e fique atualizado sobre as principais notícias da experiência do cliente 

A emoção da nostalgia se inicia inclusive na música, igual à do seriado, a famosa “Woke Up This Morning”, da banda Alabama 3. É um verdadeiro divisor de águas: para quem acompanhou a série, um sentimento de lembrança forte, para quem nunca ouviu falar, apenas uma propaganda comum. A diferença já começa aí: o vídeo não causará o mesmo impacto em todos, mas atinge em cheio o público que assistiram a Os Sopranos em 1999 e que hoje são os adultos Millennials que se encontram no momento de vida de comprar o primeiro carro. Um storytelling pensado e embasado em uma abertura já existente.

Como se não bastasse toda a nostalgia envolvida, ao final, o vídeo reflete como é a nova geração motorista em uma Meadow e um A.J Soprano adultos: jovens, preocupados com o meio ambiente — o modelo apresentado na propaganda é elétrico e, portanto, mais sustentável — e muito conectados à vivência da infância.

Assim, mesmo que a propaganda reflita basicamente uma cópia da abertura da produção da HBO, ela traz consigo um potencial imenso de mexer com um sentimento hoje compartilhado pelo novo consumidor, mais preocupado com os efeitos do seu consumo para o meio ambiente. Um grande acerto de tempo, atualidade, storytelling, perfil e valor repassado.

A importância do storytelling como combustível para criar uma conexão forte com o consumidor

Já deu para entender que a grande sacada dessa propaganda da Chevrolet foi o sentimento do consumidor. Mas por que investir nele é tão importante para que as empresas alcancem o sucesso e o crescimento?

Investir na emoção, no sentimento do cliente, é importante porque são eles aqueles que criam essa conexão, o que faz com que os consumidores voltem a consumir na marca, para que acompanhem o trabalho por meio das redes, para que gerem engajamento, para que estejam de fato integrados à marca. E é claro que a construção dessa ligação com os usuários não vem do dia para a noite, mas ela pode, sim, começar por meio de uma propaganda.


+ Notícias

Greenwashing e a propaganda sustentável enganosa

Juntas e misturadas: tecnologia e criatividade podem caminhar juntas para reinventar a propaganda 




Acesse a edição:

MAIS LIDAS

VEJA MAIS

ÚLTIMAS

VEJA MAIS