O futuro do metaverso para a experiência do cliente

Espera-se que o metaverso impacte profundamente a experiência do cliente, mas isso pode acontecer de forma positiva ou negativa.

Tempo de leitura: 5 minutos

3 de agosto de 2022

Foto: Shutterstock

Em 28 de outubro de 2021, no evento Facebook Connect, o grupo anunciou sua mudança de nome para “Meta”, fazendo referência a sua mais nova aposta: o metaverso. Com um vídeo de apresentação que mistura o verdadeiro Mark Zuckerberg com seu avatar, a empresa explica o que pretende para o futuro: criar um mundo digital, que permita experiências imersivas, com foco na interação de pessoas; mesmo realizando ações que seriam impossíveis no mundo real.

A previsão do dono da Meta, é de que em cinco ou dez anos várias tecnologias se unirão, possibilitando a existência do metaverso. Assim, logo o tema despertou o interesse e o debate de todos os interessados nesse futuro digital. Afinal, o metaverso pode oferecer muitas oportunidades e riscos. Porém, ainda nos encontramos em um cenário de incertezas, em que algumas grandes empresas começam suas primeiras experiências.

Um exemplo é a S.M. Entertainment Group. Criada por Lee Soo Man, seu atual produtor executivo, a agência de entretenimento é conhecida como pioneira na produção de grupos de música pop na Coréia do Sul. Em quase 30 anos de existência, ela se posicionou como uma das maiores do segmento e agora toma o caminho para o metaverso.

Em 2020, com a estreia do grupo de pop feminino Aespa, — cujo nome significa “avatar x experience” — a empresa iniciou seus primeiros passos rumo à presença digital em um universo que, em breve, não só abrigará shows online, mas permitirá que fãs interajam com as versões de seus artistas de forma exclusiva; participando de forma mais ativa.

Além disso, seus planos vão além. No 3º Fórum Mundial da Indústria Cultural, realizado no começo de julho na Coréia do Sul, o metaverso foi o tema principal. Em seu discurso, Lee abordou o futuro do gênero musical e sua forma de consumo: “Vamos criar um mundo de entretenimento metaverso onde todos desfrutem de atividades criativas. K-City será a meca do hallyu, onde o metaverso físico e o virtual se espelham e milhões de fãs e criadores se reúnem.”

Assim, vemos que algumas organizações já começam a se mexer para serem pioneiras no metaverso; apostando em experiências inovadoras, que terão o poder de influenciar diretamente na forma como vivemos no mundo real.

Da mesma maneira, também aparece a dúvida e o receio sobre o “como” o metaverso vai ser criado e “a que custo”. Isso porque muitas pessoas olham a ideia com desconfiança, relacionando-a a uma vida irreal; que pode prender os usuários pelo interesse e levar grupos seletos a um grande controle de informação. Assim, são muitos os cenários que começam a aparecer sobre o futuro do metaverso.

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O que podemos esperar do metaverso nos próximos anos?

No relatório The Future of the Metaverse publicado pela Copenhagen Institute for Futures Studies em 2022, a definição de metaverso é dita como a convergência entre a vida digital e física, criada por meio de “espaços virtuais”. Considerando esse conceito, o relatório define quatro possíveis cenários para o futuro do metaverso.

Metaverso Livre – aberto e convergente

Nesta possibilidade, pessoas interessadas no Metaverso, seja de forma voluntária ou comercial, trabalharão juntos para sua criação; a fim de substituir a Web 2.0 por uma internet descentralizada, que combina o uso de várias tecnologias XR.

Aqui, um dos maiores problemas seria garantir a segurança; já que tecnicamente o metaverso não seguiria regras específicas. Nesse caso, determinados meta espaços poderiam ter seus próprios códigos de conduta, contando inclusive com usuários que denunciariam infratores, como acontece nas redes sociais atualmente. Porém, a segurança completa jamais poderia ser garantida.

Nerdverso – aberto e separado

Neste cenário, o metaverso também seria criado por grupos de pessoas interessadas em inovação. Porém, uma vez que a curiosidade fosse satisfeita, o interesse diminuiria. Assim, os espaços virtuais seriam limitados a interesses específicos — soluções chamadas de betaversos, como as que temos hoje —, sem realmente oferecer algo novo ou necessário para os usuários. Dessa forma, grandes empresas, que investiram em tecnologia no metaverso, poderiam ter problemas em atender as necessidades de experiência do cliente, como as de co criação e copropriedade.

Já o nome nerdverso se relaciona a uma possibilidade de que os usuários autoproclamados como nerds de tecnologia, ou metaheads, sejam o maior público dessa versão; buscando experiências altamente visuais e interativas, como em jogos ainda mais reais.

Por sua vez, em termos de tecnologias, os avanços não seriam revolucionários, mas algumas delas, especialmente as que envolvem altas definições, poderiam excluir determinados usuários. Afinal, quem tiver uma conexão de internet ruim ou um dispositivo que não suporta a qualidade exigida, não conseguirá vivenciar o metaverso.

Betaversos desunidos – proprietário e separado

Na corrida para ganhar a confiança do consumidor e oferecer novos produtos que gerem altos lucros, empresas de tecnologia vão criar a sua própria versão do que é o metaverso. Em comum, o uso de espaços virtuais 3D, acessados pelas tecnologias XR.

Sem a intenção de substituir a atual internet, esses betaversos seriam lugares públicos ou privados onde, por meio de seus avatares, as pessoas poderiam viver experiências novas e exclusivas, além de comprar qualquer tipo de produto. Nesse caso, eles não ofereceriam uma verdadeira integração com o mundo real, mas poderiam se tornar mundos à parte.

Assim, empresas menores correriam para se adaptar e estar presentes nesses lugares, enquanto o seu controle seria feito por grupos e países que os desenvolveram. Além disso, um betaverso poderia não ser ligado a outro, o que também favoreceria os nichos de usuários ou exigiria que eles participassem de todos os espaços virtuais; algo como acontece com as redes sociais atualmente.

Um metaverso para governar a todos – proprietário e convergente

Parecido com os betaversos desunidos, nesse cenário apenas poucas empresas se destacam; seja pela melhor estrutura ou por oferecerem experiências realmente inovadoras. Dessa forma, naturalmente se tornam as opções de metaverso mais populares, atraindo usuários que querem estar onde os outros estão.

Nesse caso, eles têm consciência do uso de dados pelas empresas, mas estão dispostos a esse controle em troca de boas vivências. Já a censura poderia ser aplicada por meio de tecnologias de IA. Além disso, os metaversos de código aberto teriam dificuldades em se estabelecer nesse sistema, dada a falta de incentivo.

Outro ponto importante é que a maioria dos concorrentes não conseguiria acompanhar os metaversos maiores. Isso porque com a receita gerada de serviços e produtos exclusivos, sua melhoria contínua os levaria a serem as opções dominantes — talvez o objetivo de Mark Zuckerberg ao se posicionar de forma pioneira no desenvolvimento do metaverso.

Quando o Facebook se transformou em Meta, e os rumos da empresa foram revelados no vídeo sobre o metaverso, essa nova realidade tornou-se o assunto mais discutido. Afinal, o conceito de metaverso é antigo, mas agora as possibilidades de acontecer são reais. Com elas, surgem profundos debates. De um lado, entusiastas com as novas tecnologias. De outro, pessoas preocupadas com a segurança, a liberdade e a inclusão no metaverso.

Mas o que gera tanta discussão é exatamente o fato de que nem mesmo as empresas têm as respostas para a criação desse novo universo. Por isso, é impossível prever um futuro certo sobre ele. No máximo, alguns cenários nos ajudam a compreender o que ele pode se tornar, enquanto acompanhamos sua real evolução nos próximos anos.

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